quarta-feira, 26 de abril de 2017

Crônica: Um pouco do que penso a respeito de Machado de Assis.


Antes de adentrar a crônica, faço alguns esclarecimentos. O que expressarei a seguir não tem o intuito, tampouco a ridícula pretensão, de contestar a genialidade ou a grandeza literária de Machado de Assis. Pelo contrário, o que pretendo é externar o que penso de sua obra e, de quebra, falar um pouco da literatura nacional. Bom, feito esta ponderação, vamos à crônica:

Meu primeiro contato com a obra de Machado de Assis, assim como noventa e nove por cento dos brasileiros, - está bem, exagerei! - se deu no ambiente escolar. Imagino que seja exatamente por isso que Machado de Assis seja cultuado em sua plenitude apenas na elite intelectual, nas academias. Machado de Assis, assim como os outros autores fundamentais da literatura, precisa urgentemente deixar de ser tabus, e só se supera tabus com o conhecimento, tirando-os das sombras da ignorância. Mais recentemente é que me atentei decentemente para a grandiosidade machadiana ao ler seu primeiro livro de contos da fase realista, Papéis Avulsos, publicado originalmente em 1882, apenas um ano após Memórias Póstumas de Brás Cubas, marco do Realismo no Brasil. A certeza que se tem é que um país de poucos leitores, em números proporcionais pelo menos, terá sempre uma produção literária limitada e pobre.

Valeria quem sabe também nos fazermos as seguintes perguntas: será que Machado de Assis foi mesmo o maior escritor do Brasil? Será que não se criou muita adoração em torno de sua genialidade justamente pela exclusividade do acesso de seus livros? Será que eleger o mais importante não é e nem nunca foi importante? Na minha opinião, acredito que sim. Triste do país que precisa eleger o melhor quando se têm razoavelmente poucos leitores e escritores a se candidatarem ou a elegerem seus candidatos.

Contudo, nos acalmemos! Não há motivos só para lamúrias e chorumelas. As coisas estão mudando. Em passos lentos e preguiçosos mas estão, e eu sou um exemplo disso. Sempre li muito pouco para alguém que se deseja um escritor, no entanto, nesse período de blogueiro, tenho lido mais e me interessado muito mais por literatura. Percebo que o mesmo acontece com milhares de crianças, jovens e adultos que vêm descobrindo o prazer de um bom livro todos os dias.

Uma dica? O melhor de Machado de Assis não está nos romances, está nos seus contos, em especial, destaco três que compõe Papéis Avulsos: O Alienista, D. Benedita e A Sereníssima República. Um melhor que o outro! Três histórias originais e diferentes uma das outras! Claro que isso é uma questão de gosto, de preferência, portanto, eleja os seus.

Por mais livros abarrotando as estantes das casas para que, assim, quem sabe, daqui há algumas décadas, novos Machados, Clarices, Gracilianos, Drummonds e Guimarães Rosas nos transformem com suas obras! Por mais literatura, por mais conhecimento!

E você? Que pensa de Machado de Assis? De sua obra? Da literatura brasileira?


POESIA: Percepção e Compreensão.


O que melhor define a percepção?
É ver os detalhes das grandes coisas?
Coisas nem sempre materiais.
Que nem todos podem enxergá-las inclusive!
Que sequer precisam existir.

Percepção e compreensão são separar a crítica da emoção.
Mas só quando necessário, imprescindível!
Faculdades de apreender.

São capazes da compreensão os dotados do entendimento.
Os que sabem a importância da valoração.
Aqueles que saem de si e entram no outro.
Detetives de almas, analistas do bom coração!

O compreensivo está mais perto da perfeição.
O dotado da percepção valora o que lhe importa.
Ambos valorizam!

terça-feira, 25 de abril de 2017

POESIA: Contracultura (Bob Dylan).


Ir ao encontro dos do contra não é ser inteligente!
Nem é para ser engraçado só por ter graça.
Tem que ter sentido também, entende?
Aborrece e irrita como que, assim, sei lá, de repente.

Sigamos, como exemplos, eles, os poetas de sessenta.
Em poucas palavras, expressavam mais do que todas as coisas legais do mundo.
E as ilegais também!
Mais que uma vida inteira com todas as alegrias possíveis.
Tornavam-nas impossíveis e ridículas!

Contracultura é ser singular no que se tem de mais autêntico.
Ser genuíno sem causa, aí sim atraente!

Vide, ele, Bob Dylan!
Não era cult, afinado e nem respeitado em sua época.
Era esquisitão, o feio.
Ainda assim, foi sempre Bob Dylan, o gênio!
E você, quem acha que é?
Seja tudo menos maneiro!