quarta-feira, 22 de março de 2017

Capítulo 16: A Despedida (1° Parte).


“Não está chateado com o Boris?” - quis saber, Julia, ao mesmo tempo que encarava o balonista.

A pergunta veio após Lazar conferir os estragos, causados por Boris, no seu balão e não mostrar qualquer irritação com o que via.

“E por quê eu deveria me chatear com ele?” - invés de responder, o balonista perguntou de volta. - “Boris é um bom cão!” - exclamou. - “É muito levado, eu reconheço, mas, mesmo assim, é um bom cão.”

“O Boris, um bom cão?” - visivelmente intrigada, Julia arregalou os olhos. Logo em seguida, olhou para Klara convicta de que ele não o conhecia tão bem quanto elas o conheciam. Disse para Lazar, referindo-se ao cão pastor. - “Ele não pode ser um bom cão. Ele é um grande desastrado e um trapalhão, isso sim.”

O ceticismo, rapidamente, daria lugar a uma surpresa. No céu, um ponto roxo, que só se fazia aumentar, chamou a atenção de Boris, que começou a latir e correr ao encontro do balão.

“O que será que ele quer agora?” - perguntou-se, Julia, ao ouvi-lo latir. A menina ruiva olhou para cima e viu o ponto roxo, aos poucos, se destacar do céu. - “Olha, é outro balão!” - exclamou.

“Sim.” - disse, Lazar, afirmando. - “É o balão de Doriana.”

“De quem?” - Klara perguntou.

“É o balão de Doriana, a minha amada.” - respondeu, ele, em tom apaixonado.

Quando o cesto, enfim, tocou o chão, para o indisfarçável orgulho das meninas, o balão roxo pousou suavemente, um feito aparentemente impossível para Lazar, que, em suas duas últimas aterrizagens, tivera muita sorte de não se machucar.

Com desenvoltura, a bela balonista saltou para fora do cesto.

“Me atrasei?” - perguntou, depois de beijá-lo.

Lazar respondeu que não, balançando a cabeça.

“Enquanto descia, vi alguns rasgos no seu balão.” - continuou, Doriana, perguntando, preocupada. - “O que houve?”

“Digamos que eu tive outra má sorte.” - respondeu, Lazar, com certo constrangimento. - “Aliás, não sei o que seria de mim sem você.” - desconversou, sorrindo para ela. - “Eu estou bem.” - garantiu. - “Apesar de ter feito uma aterrissagem bastante difícil, estou bem.”

“Fico feliz em ouvir isso.” - assentiu, Doriana, mais tranquila. No entanto, ao ver Klara observando-a timidamente, perguntou. - “E a pequena, como ela está?” - queria saber se Klara havia, enfim, reencontrado a sua família.

“Ela está bem.” - respondeu, Lazar, que, em voz suficientemente baixa para que somente a amada o ouvisse, completou, não hesitando em lamentar. - “Pobre menina órfã, não tem ninguém que a cuide!”

“Yordanka a abandonou?” - perguntou, Doriana, também em voz baixa.

“Sim.” - Lazar respondeu. Convicto, ainda disse. - “Vamos ter que lavá-la para o vale.”

Igualmente convencida de que era o ideal a se fazer, Doriana concordou de imediato.

“Não podemos partir e deixá-la aqui.” - sussurrou.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

terça-feira, 21 de março de 2017

POESIA: Areias do Tempo.


Primeiro de abril,
viveu-se uma história.
Sentimentos no tempo.
Fato, verdade, memória!

Assim se amaram:
Descuido divino.
Acidente. Acaso.
O Amor e a Morte.

E logo disseram-se:
Juntos, podemos tudo!
De nada sabiam.
Dois tolos, estúpidos!

Deus tolerante.
Os anjos os amavam.
Mistérios? A sorte?
Viveu-se uma história.

Escrituras à vida,
promessas do amor.
Que se amem! E se amaram.
Se amarão! Veio a Luz. Amando-se.

Viveu-se uma história.
Passageira do tempo!
Ao passado: o amor, aqui, amou!
Passou, passando, e a Vida ficou.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...