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domingo, 6 de novembro de 2016

Conto: De Uma Breve Vida Breve em Edvard Hespanhol.


O dia era cinco de março, de uma manhã de sexta. Em torno de vinte a trinta militares pelegos de um tempo de ditadura, a maioria deles reformados que, quando podiam, se prestavam ao papel de lamber as bolas do Presidente da República, um sujeito que sempre odiei, se reuniram em casa pela terceira vez naquela semana. Ao contrário de mim, que só com muito esforço consegui mostrar o mínimo de receptividade e polidez, papai os recebeu de braços abertos. Nunca me simpatizei com eles e posso apostar que o contrário também foi recíproco. Nunca disseram mas sei que foi.

-Entrem, filhos de uma égua parida! - disse, papai. - Mais um minuto e pensaria que não viriam mais! Por que demoraram? - perguntou.

Um deles respondeu por todos:

-Deus do Céu, Áries, a gente nem chega direito e já está reclamando! Não seja tão rabugento! É assim que recebe a gente, é? Pelo nosso cansaço, agradeça ajoelhado por ainda termos vindo.

Haviam varado a noite naquelas casas de zona fodendo umas putas pretas vindas do nordeste do Brasil. Frequentavam a casa desde as folgas do tempo de quartel, na juventude, mas papai há muito que não os acompanhava; mais precisamente, abandonou a diversão há vinte e dois anos, no dia seguinte que conheceu mamãe, com quem se casou um mês depois, oito meses antes de eu nascer. Mamãe trabalhava como garçonete pouco tempo, porém, o suficiente para que conhecesse bem os dois tipos de homens que frequentavam a casa: os pervertidos e os que não sabiam foder e amar ao mesmo tempo. - Está gostando de olhar as meninas, garanhão? - na mesma hora em que foi pedida em casamento, advertiu papai sobre a casa. - Aproveite bem essa noite porque, a partir de hoje, nunca mais colocará os pés aqui. Sou ciumenta e, portanto, não costumo dividir quem amo com nenhuma puta. Que é meu, é meu! Jura que se conforma com isso ou não me caso com você? - mamãe falou sério e fez questão de deixar transparecer isso. - Claro que juro, meu amor. Nunca mais venho aqui. - papai prometeu.

Ouvi dele certo dia que, mesmo com as inúmeras insistências dos amigos em convidá-lo para que fosse, nunca mais esteve no lugar, conforme prometera. - Homem que é homem gosta de uma mulher: a que seja forte, a que tenha personalidade, a que seja feminina, a fêmea. Sua mãe é maravilhosa, Edvard. Torço muito para que consiga arrumar uma esposa tão boa quanto a minha. - definitivamente, papai tinha uma visão pessimista sobre mim em pensar que nenhuma outra mulher da República do Álamo não seria tão maravilhosa para mim quanto era mamãe para ele, embora fosse mesmo perfeita e insuperável. Ou talvez desconfiasse até que não levava jeito para o negócio. Nunca imaginei que fosse esse o caso. Enfim, mamãe era mesmo maravilhosa.

Os Hespanhol na República do Álamo resumiam-se aos dedos de uma mão, exatamente cinco, e olha que em casa eramos três: eu, mamãe e papai. O quarto Hespanhol era um primo que havia desaparecido na visão dos meus pais, mas que, para mim, fora assassinado por aliados de Markoon, conhecidamente, seu desafeto. Ativista político, criticava a corrupção de seu governo. O quinto Hespanhol era sua mãe, uma tia na qual não nos relacionávamos. Mamãe, por algum motivo que nunca conheci, havia brigado e se afastado da irmã, assegurando-se que eu e papai fizéssemos o mesmo e também nos afastássemos dela. - Você já sabe mas eu vou repetir, Edvard: se ver aquela Solange rodeando o prédio de novo, pode fechar a cara e dizer que mamãe não está em casa. - orientou, nervosa, em uma determinada tarde em que me viu me arrumando para sair. Exatamente assim, obedeci a orientação ao vê-la se aproximar e tia Solange foi embora. Havia sido a última vez em que a vi. Tempos depois, mamãe ouviu rumores pela boca de uma conhecida que tia Solange se mudara para a cidade de São Paulo e que havia se casado com um homem muito rico. - Sorte, foi a dela que ficou rica e a nossa que vamos ter paz. - comemorou.

Festas eram algo que se via com frequência em casa: aniversários, páscoas, natais, conquistas do campeonato nacional de futebol pelo Sport Republicano e outras que não me lembro, até as sem motivo. Nunca faltaram razões para que nos reuníssemos e comemorássemos, mesmo que a três, portanto, o aniversário de papai, cujos amigos de quartel haviam sido convidados, seria mais uma ocasião comum, sem anúncio de nada em especial, mas não foi. Eu assistia televisão no quarto quando mamãe se aproximou e, com um rápido olhar, pediu que eu me juntasse a eles na sala, pois chegara o momento de cortar o bolo e de dar os parabéns ao aniversariante; aliás, bolo, esse, que, colocado no centro da mesa, era a única coisa que acusava que aquele jantar masculino era, na verdade, uma comemoração de aniversário. Comi logo o meu pedaço e voltei para cama, para frente da televisão, deixando-os a vontade para falarem de política. Sempre que se reuniam, eles arrumavam um jeito de criticar a falta de autoridade dos políticos que sempre eram eleitos na República do Álamo. - O nosso povo não sabe votar e, quando vê que alguém é firme e merece ser votado, acha que não é bonzinho o suficiente. O nosso povo é burro, demagogo, não tem caráter. - papai sentenciou tendo a concordância explícita dos amigos. Era como se adivinhasse o quanto aquela manhã seria enganosamente aborrecida. Não muito depois que deitei na cama e recoloquei os olhos na televisão, o plantão jornalístico interrompeu o filme que estava assistindo para uma notícia de última hora que parecia de crucial importância: a República do Álamo sofria um golpe de estado e o presidente Markoon era forçado a renunciar, exilando-se no vizinho estado da Paraíba, no Brasil.

Jupecê Piccolo: esse era o nome do golpista.

Deputado italiano na década de setenta, era o cabeça de uma organização beneficente alimentada com dinheiro público. Fora denunciado por associação criminosa e enriquecimento ilícito, porém, antes da condenação, fugiu para o Brasil e logo casou em Sergipe com Ana Cristina, prefeita de uma cidade do interior, recomeçando a vida e, assim como na Itália, ascendendo na política com relativo sucesso. Elegeu-se deputado estadual em três mandatos e depois foi suplente de senador, período em que os negócios transcorreram perfeitamente, até que viu-se novamente às portas da justiça ao ser apontado como mandante do assassinato de Octávio Jardim, senador na qual era suplente. E, quando ia ser condenado de novo, voltou a fugir, só que, dessa vez, para a República do Álamo.

Desde então, vivia com o status de perseguido político na capital da república, que, em troca desse status, tinha que lidar com o descontentamento crescente de um Brasil que ainda se ressentia com a nossa declaração de independência, quando o antigo Estado de Pernambuco se autorreconheceu República do Álamo, quando nos autodeterminamos uma nação independente. Quase fomos à guerra, no entanto, com a mediação diplomática dos Estados Unidos, Canadá, Argentina e Índia, aliados tanto do Brasil como nossos, a crise, aos poucos, foi sendo amenizada. Mas isso é o que menos importa agora, e não está em questão. Hábil e perigoso, traindo aquele que pensava ter como aliado, Jupecê Piccolo, através de uma revolução de cem mil homens seduzidos por seus ideais de justiça e igualdade, invadiu o Palácio da República, sede do governo, e obrigou Markoon a assinar a própria renúncia, tomando o poder. Não que eu gostasse do presidente, pois eram raros aqueles que verdadeiramente gostavam, assim como papai, achava-o fraco demais. De repente, éramos sortudos e não sabíamos. Comparado a Markoon, Jupecê se revelaria o líder repressor de um estado autoritário, conservador e nacionalista.

Enquanto papai dava a entender não tomar conhecimento do golpe de estado, mamãe sentiu os seus efeitos logo na primeira segunda-feira. Foi abordada por três policiais, informantes diretos da presidência, ao ir à feira comprar legumes e temperos para o acompanhamento de um assado que prepararia no jantar. Começaram a interrogá-la ali mesmo, às vistas dos feirantes e clientes que circulavam entre as barracas.

-A senhora é esposa de Áries Hespanhol?

-Sim, sou esposa de Áries Hespanhol. Me chamo Beatriz. Por que?

-A senhora saberá no momento devido o porquê da nossa pergunta. Agora, por favor, tenha a bondade de nos acompanhar até o Departamento de Polícia.

-Agora, mas por qual motivo?

-Sim, deve nos acompanhar agora mesmo. O porquê a senhora saberá no momento certo, já disse.

Diante de tal persuasão, mamãe concordou em acompanhá-los então, porém, antes de entrar na viatura, perguntou educadamente:

-Posso ligar para casa para avisar a minha família aonde eu estou indo? Meu filho e meu esposo vão ficar muito preocupados se eu não chegar em casa antes do jantar.

Um dos policiais respondeu com certa rispidez:

-Dona, por favor, facilita o nosso trabalho. A senhora pode pedir que quiser ao Secretário de Justiça. A senhora é um problema dele, e não nosso.

Desse modo, prontamente convencida de que não conseguiria qualquer acordo com os policiais, mamãe os acompanhou, entrando na viatura. Ao chegarem no departamento de polícia, foi levada até uma sala no último andar do prédio, onde a esperava o Secretário de Justiça nomeado por Jupecê. Fui saber, dias mais tarde, por ela própria, que mamãe fora interrogada pessoalmente pelo secretário, que, a todo custo, queria saber tudo que pudesse a respeito do papai. Perguntou sobre onde ele estava, com quem estava e que fazia precisamente no momento em que o novo governo havia se instalado. Soube que, de todas as suas respostas, em quase todas havia mentido com destreza. De verdadeiro, mamãe assegurou ao secretário que papai comemorava seu aniversário e que tinha como provar isso pela data de nascimento, mas, de mentira, disse que fora apenas um jantar em família e mais três amigos mais próximos. O Secretário de Justiça acreditou. Mamãe sempre conseguiu ser confiável.

No tempo em que, aos poucos, a realidade se implodia, a afeição que desenvolvi pelos universos imaginados, impressos nas páginas dos livros, sempre foi maior do que tudo mais que me cercou; e não por menos é que estudava para ser bibliotecário, estagiando como repositor na biblioteca da universidade, prensado entre estantes abarrotadas deles. Tinha acesso às obras clássicas, aos livros icônicos de escritores miseravelmente fracassados em vida e às obras acadêmicas e exatas. Semanas antes que me defrontasse com meu infortúnio, não sei bem qual fora exatamente o dia, se quarta ou se quinta, estava, eu, na biblioteca, meio que buscando me distrair de uma chateação que se definia pelo nome Silverclay, um melhor amigo com quem mantinha um caso. Frequentávamos a mesma universidade, contudo, depois de discutirmos pelo motivo de que ele não concordava com o segredo do nosso caso, Silverclay e eu havíamos terminado. De uma hora para outra, passou a achar que o motivo para eu não querer assumi-lo ia muito além do que aquele que eu alegava, que, na verdade, não era por eu temer o preconceito e as dificuldades que sofreríamos ao nos revelarmos namorados, mas sim que o motivo real tinha a ver estritamente com ele. Embora no calor da discussão, disse com todas as letras que eu não o assumia porque ele era negro, ou seja, que eu era o tipo mais covarde de racista que se podia existir: aquele que discrimina mesmo amando o discriminado.

Um despropósito e um completo absurdo que pensasse assim de mim. Éramos amigos desde meninos e morávamos no mesmo quarteirão; quase não nos afastávamos um do outro. Nunca consegui entender como ele havia se esquecido das incontáveis ocasiões em que fomos felizes juntos; boa parte desses momentos em público, sob o olhar de outras pessoas. Na época de escola, íamos a um circo que não passava dois anos sem visitar a capital, como uma desculpa mal disfarçada para ficarmos juntos. Nas férias, jovens, zoávamos nas praias com altas noitadas, acompanhados por amigos de classe e xícaras de café cheias de cachaça. Uma simples discussão desentendida e Silverclay se esqueceu de tudo, inclusive, dos momentos que a pessoa mais desatenta não esqueceria: das farras, dos sanduíches e das horas ensolaradas trancados num quarto assistindo filmes pornô. Nunca se conheceria outra pessoa no mundo capaz de esquecer o que é bom, mas eu sim: Silverclay.

Foi então que, quarta ou quinta, na biblioteca, tivemos a primeira oportunidade de nos reencontrar após o término. Me disse que procurava um livro para um trabalho de pesquisa de curso, no entanto, percebi logo que isso não passava de pretexto para que nos reencontrássemos e, então, pudéssemos finalmente esclarecer o mal entendido. Ainda me amava; eu também amava ele. Ao caminharmos até um canto mais afastado, nos beijamos, pedi desculpa, o mesmo acontecendo por parte dele, e reatamos o caso, embora tardia a promessa que fiz de enfrentar o mundo, caso necessário fosse, pelo nosso amor. Quis o destino que nos separássemos de uma vez por todas.

Silverclay, ao voltar para o estacionamento naquele dia, abriu a porta do carro e foi abordado por um rapaz que anunciou o assalto. Percebeu que havia deixado cair a carteira que jurava ter enfiado no bolso da calça. Desgraçadamente, podemos ter as reações mais estúpidas quando nos vemos surpreendidos e não sabemos o que fazer. Com Silverclay, não se deu diferentemente, viu-se tomado pelo nervosismo e pôs-se a correr, não conseguindo fugir do rapaz. Recebeu três tiros pelas costas; um deles atravessando o coração como faca quente em um pedaço de manteiga. Quase não chorei por sua morte ou guardei devidamente o luto. Faltou-me tempo e tranquilidade. Circunstâncias piores se sucederam na República do Álamo. Silverclay foi sepultado ao lado de seus pais adotivos, mortos três anos em um acidente de carro, pois esse era o seu desejo; eu e nossos amigos em comum providenciamos da coroa de rosas brancas ao caixão de mogno para realizá-lo como merecia.

Nesse meio tempo, enquanto o caixão era colocado na sepultura, papai era interrogado pessoalmente pelo Secretário de Justiça, assim como mamãe havia sido. Quem soubesse de tal coincidência, ou não, pensaria, ou não, que se tratava de uma família muito importante e influente, daquelas poucas que pilham e concentram riquezas em países socialmente injustos, mas não era bem por questão de importância ou influência que o regime se preocupava tanto conosco. O secretário queria se assegurar de que não representássemos uma ameaça ao estado, seja qual fosse e por menor que viesse a ser.

Mesmo sendo, ele, homem de confiança de Markoon, papai tinha a esperança de que, após liderar o golpe, Jupecê o esqueceria, ignorando a conhecida amizade de papai com o presidente renunciado. Mas não foi o que aconteceu porque Jupecê Piccolo era habilmente detalhista e estratégico na busca de seus objetivos. Certificando-se de que papai não atentaria contra e nem trabalharia pela desestabilização do regime, e como quem perguntava por perguntar, o secretário quis saber onde ele estava na manhã em que o presidente renunciara e teve a mesma resposta que mamãe havia lhe dado na vez em que fora interrogada. Papai respondeu que comemorava seu aniversário com um jantar em família e alguns amigos próximos, omitindo que seus colegas de quartel estavam presentes no almoço.

-Eu fiz alguma coisa de errado, senhor secretário?

-Não, senhor Áries. Não.

-Tem certeza?

-Sim.

Mais tarde é que fui descobrir o motivo da omissão de papai. Ele sabia que os amigos tramavam alguma coisa contra o regime, embora ainda não soubesse exatamente o que. Desconfiado de papai, o Secretário de Justiça repetiu sua pergunta e papai reiterou sua resposta. Como quem busca desbaratar em uma armadilha mental a pior mentira dos mentirosos, indagando-o em um tom de voz um tanto quanto informal, quis saber que papai achava da figura de Jupecê, se o achava confiável, digno de consideração. Papai, por sua vez, esperto, em um tom tranquilo de voz, a fim de transmitir muito mais credibilidade, respondeu que não o conhecia pessoalmente, que só o lembrava de nome e pela imprensa, e que, portanto, não guardava condições de emitir qualquer juízo em relação a pessoa, mas que, no geral, o achava respeitoso e respeitável. Para reforçar tal credibilidade, papai emendou que, se tivesse oportunidade, ficaria feliz e honrado em conhecê-lo. Posicionado na mesa, havia em sua frente uma foto de Jupecê, cercado pelo povo, que papai, vez ou outra, olhava com admiração. O secretário revelou-lhe então que teria essa oportunidade e que seria bem antes que imaginasse.

-Pois bem, meu caro Áries, estamos satisfeitos com suas informações. Jupecê Piccolo mandou informá-lo que deseja se encontrar com o senhor para tratarem de assuntos de política. É realmente um homem bastante agradável! O senhor aceita o convite?

-Obrigado, senhor secretário. Aceito com muita honra.

-Ótimo então, entraremos em contato quando isso for possível.

-Obrigado, senhor secretário. - e papai, em seguida, se retirou da sala.

Obviamente que aceitou demonstrando um falso entusiasmo diante de tal possibilidade. O encontro não tardaria a ocorrer.

A partir do momento em que soube, pela boca de mamãe, que papai havia sido interrogado pessoalmente pelo secretário, interrogatório, evidentemente, sem quaisquer motivos que os justificasse, a repulsa que sentia pelo regime começou a crescer em meu íntimo de um modo lento, gradual e sem controle. Era como se um câncer, se desdobrando em metástases por todos os meus pensamentos, consumisse-me a paz e o bom juízo. Se não parava, Jupecê Piccolo tinha que ser parado. Atravessaria dias e horas na biblioteca pensando em um modo de matá-lo. Meu plano, inicialmente, foi sequestrá-lo para, depois, assassiná-lo, porém, ao passar um dia inteiro planejando e maquinando ideias, me convenci de que nada disso reunia qualquer possibilidade de ser bem-sucedido. Seria um só contra muitos de um governo inteiro. Posteriormente, cogitei fazer com que o carro oficial que o transportava se acidentasse na estrada que dava para o Palácio da República. Uma emboscada através de uma armadilha não me pareceu má ideia; envenenamento talvez; explodir-me em um atentado a bomba, em um carro-bomba; fui enfim mais pragmático e objetivo do que supunha. - Vou entrar para uma fraternidade anarquista, um grupo rebelde, me tornar um revolucionário. - estava decidido. Seja lá de que forma se desse o ataque, em que hora do dia se fizesse a revolução, era o certo, o justo, a minha única obrigação. - Pode deixar, pai, que eu mato o filho da puta.

Encontrar aqueles que partilhavam da mesma decisão que a minha foi fácil, o difícil seria nos convencer, um por um, de que o nosso objetivo nunca seria alcançado e que tínhamos logo que cair na real. Sequer precisei procurá-los pois vieram ao meu encontro quando menos esperava, misturados ao povo na praça. Dezessete de abril, noite de sábado, soube que haveria um comício para anunciar as recentes e mentirosas benfeitorias do regime, com a ilustre presença de Jupecê Piccolo, em uma praça próxima ao prédio em que morava, e decidi que estaria presente a todo custo. Cheguei na praça a tempo de vê-lo subir no palanque, erguido da noite para o dia pelos serventes do palácio, e iniciar o discurso. Jupecê era daqueles líderes cuja liderança aparentava ser natural, quase inerente à própria existência. Cativava, tinha carisma, simpatia e uma fala constante, progressiva, assertiva, que, com inusual facilidade, conquistaria quaisquer que fossem as mentes e os corações, desde que estivessem minimamente dispostos a ouvi-la. Era tão exímio orador que, poucos minutos depois que abriu a boca, era aplaudido pela maioria das pessoas. Confesso que, por um mísero minuto descuidado, até mesmo eu quase me deixo conquistar pelos ideais de justiça e desenvolvimento que defendia naquele momento, quase me esquecendo da repulsa que sentia por ele.

Nunca se verá unanimidade nem nas mais sólidas maiorias. Uma parte considerável dos que se faziam presentes no comício era composta por gente como eu, que também sentia repulsa pelo regime. Diferentemente de mim até então, eles integravam grupos e fraternidades, debates marginais, movimentos anarquistas radicalizados, uns ou outros moderados no passado, revolucionários, engajados em manifestos por toda a República do Álamo. Rafaelo liderava o principal deles: um grupo anarquista que se extremava cada vez mais na medida em que recebia novos companheiros ainda mais idealistas e engajados do que os demais. Em pouco tempo, o grupo liderado por Rafaelo já era o mais ativo da Cidade do Álamo, a capital da república, e era bom no que fazia, conseguindo manter em segredo do governo não apenas sua existência bem como a identidade dos companheiros que, dele, participavam.

Rafaelo veio até mim e se apresentou. No que igualmente me apresentei, foi direto ao assunto, me convidando a fazer parte do grupo. Estava explícito, qualquer um via na satisfação de seu rosto o contentamento ao notar que me interessaria pelo convite. Porém, pedi uns dias para pensar e Rafaelo me deu então um retângulo de papel, com um número de telefone impresso a máquina de escrever, para que eu o procurasse quando estivesse pronto para aceitar. Antes de se afastar de mim e desaparecer no meio da multidão, emendou somente que me apressasse em respondê-lo, com o argumento de que o grupo tinha pressa. - A semana que vem será muito importante para nós, e queremos que participe. - disse.

Tal proposta mereceu dois dias valiosos de uma reflexão sofrida. Enquanto Jupecê discursava no comício, o Secretário de Justiça ia pessoalmente até em casa, acompanhado de um delegado, um defensor público e um promotor de justiça, para cumprir um mandato de prisão contra papai. Ainda dentro de casa, o delegado, após cumprimentar educadamente mamãe, o prendeu em flagrante, já o defensor público fingiu defendê-lo, dizendo uma ou duas frases sem muita conexão com a acusação que lhe era feita pelo secretário, e o promotor de justiça fez o papel de juiz, autorizando a necessidade de sua prisão. - O senhor está preso com as bençãos da lei. - disse, o promotor.

Papai foi levado para um prédio anexo a Secretária da Casa Civil, acusado de conspirar contra a ordem pública. Ficou detido por um dia e dez horas quando foi encontrado enforcado em uma sala improvisada de cela, com um lençol amarrado no pescoço, pendurado na janela. Muito longe de não ter desconfiado no momento em que soube da morte de papai, mais tarde é que descobri verdadeiramente o porquê. Não foi suicídio como o regime havia atestado. Papai fora covardemente interrogado ao tempo em que era torturado até a morte, e o motivo de tudo era porquê não confiavam nele. Àqueles ares da república, que ninguém desconfiasse de ninguém para o Céu cair e o Inferno se levantar.

O comício na praça não foi a única vez em que vi Jupecê Piccolo pessoalmente, teria a chance de revê-lo, dias depois, na despedida de papai. Fizemos uma cerimônia de sepultamento simples, austera, mas com todos os amigos presentes. Mamãe, incrivelmente, mesmo devastada, tirava forças de onde não havia, do deserto inóspito de sua alma, para que se mantivesse firme e permanecesse ladeada a mim enquanto se prostrava diante do caixão.

Até que o viu descendo à sepultura.

-Tudo vai ficar bem. Não é mesmo, Edvard?

-Sim, mamãe. A gente vai superar mais essa perda.

-Não será fácil viver sem o nosso Áries. Ele era o seu herói. Não é mesmo, Edvard?

-Sim, mamãe, mas ficaremos mais fortes depois de tudo isso. Tudo vai voltar ao normal, prometo.

Me dedicaria para cumprir a promessa pelo decorrer dos próximos dias, confortando-a e oferecendo um ombro de filho para que pudesse chorar, porém, ainda durante o sepultamento de papai, percebi que não seria fácil fazer com que as coisas voltassem de fato ao normal conforme os dias avançassem. Jupecê Piccolo apareceu no cemitério para oferecer as condolências do governo pela morte de papai. Estava protegido por um pequeno batalhão de soldados que faziam sua segurança, além de uma dezena de homens que o acompanhavam aonde quer que fosse. Dirigiu-se pessoalmente a mamãe, que, assim como eu, apenas conseguiu externar surpresa ao vê-lo entre os presentes. Disse que sentia pela atitude extremada de papai, que o seu suicídio era uma lástima para todos na república e que já ordenara uma investigação criteriosa, a fim de que se dirimisse de uma vez por todas as circunstâncias da tragédia. Acaso ou prudência, o Secretário de Justiça não estava por perto naquele momento em que Jupecê prestou solidariedade a mim e à mamãe. Entre todos os lugares possíveis nos quais o secretário poderia estar, era compreensível que, para um assassino, até o mais cínico e dissimulado deles, não estivesse mesmo cercado por parentes e amigos daquele que sabia que havia sido sua vítima.

Para quem Jupecê, porventura, estendeu a mão, foi cumprimentado com respeito. Tinha total confiança de que mamãe e eu havíamos acreditado que papai se suicidara, que a sua morte se explicava por um ato injustificado de desespero. Antes que fosse embora, disse-nos ainda que não viera prestar a solidariedade de seu governo apenas, que uma praça perto de onde morávamos, aquela em que havia discursado no comício, seria nomeada com o nome de papai como forma de homenageá-lo, que mamãe receberia uma pensão para o resto da vida e que a conclusão de minha formação universitária, a partir daquele dia, estava plenamente assegurada pelos programas estudantis do governo. Foi a gota d’água em um balde prestes a extravasar. Nesse momento, respirei profundamente.

Desde então, cresceu a minha convicção de que o filho da puta não confiava em papai, que o via como inimigo, e que havia mandado o Secretário de Justiça matá-lo por isso, e mais nada. Me contive. - Não será aqui, na frente de todo mundo, que vou te matar. - pensei. - Terei a oportunidade de me vingar no momento mais oportuno, bem lentamente. Fui para o quarto descansar um pouco ao voltarmos para casa, pois estava exausto mentalmente, enquanto que mamãe voltou a mergulhar o dedo indicador da mão esquerda dentro da xícara de chá. Fazia meses, quatro para ser mais exato, que havia contraído uma infecção na unha que não sarava nunca e que não sabia ao certo como a havia contraído. Malcheirosa e esverdeada, se fora decorrente de uma micose, se limpando a casa ou se cozinhando, nunca soube. O mistério se resumia no fato de que a unha podre, além de nunca sarar, se restringia a um único dedo, o indicador da mão esquerda, e nenhum doutor dava jeito; parecia maldição, coisa mandada pelo diabo.

Então, por conta própria, mamãe inventou uma solução caseira para tratar a infecção. Duas vezes por dia, de manhã e no fim da tarde, socava um dente de alho no pilão até ter formado um creme, depois, punha-o na xícara com um pouco de vinagre morno e mergulhava o dedo dentro da xícara, onde o deixava até que julgasse tê-lo desinfetado o bastante. Certa vez, ao vê-la com o dedo mergulhado na solução, não aguentei a curiosidade e perguntei:

-Que água fedorenta é essa que você põe na xícara, mamãe?

-Criei um desinfetante para o meu dedo, Edvard. - ela respondeu. - Tomara que funcione.

De semana em semana, a unha acabou sendo curada.

Guardei o telefone de Rafaelo no bolso de uma jaqueta preta que enfiei no fundo do meu guarda-roupa, atrás de uma pilha de calças. A decisão eu já havia tomado: era um sonoro sim, cuja dedicação não me faltava. Entrei em contato, dizendo então que aceitava, e marcamos de nos encontrar no mesmo dia.

Eramos, em um galpão abandonado cheio de armas, um sem-número de caras de valor e de mulheres dispostas a resistir. Rafaelo me explicou o plano. Resumidamente, tomaríamos o Palácio da República e mataríamos Jupecê Piccolo, por consequência, derrubando o regime. Em um segundo momento, com o objetivo de manter a estabilidade e a ordem pública, imporíamos no lugar um governo provisório linha-dura, pelo menos até que novas eleições fossem convocadas. - Devolveremos a democracia à República do Álamo. A vontade popular voltará a ser ouvida e respeitada. - explicou, Rafaelo. Não se ouviram protestos ou manifestações de descrença em relação ao plano. Todos concordaram, inclusive eu.

Quase imediatamente após explicar, Rafaelo bateu os olhos em mim e estranhou o meu olhar inseguro. Acabou percebendo que estava abatido, mesmo com todo o esforço para disfarçar.

-Que foi, Hespanhol? - veio até mim sob as atenções de todos. - Quer compartilhar-nos alguma coisa que aconteceu? Ou ainda acontece, não sei. Pode dizer, está entre amigos.

Disse:

-Perdi o meu pai. Bom, não foi bem uma perda, foi tirado de mim e de minha mãe. Meu pai foi morto.

De repente, todos arregalaram os olhos para mim. E Rafaelo perguntou:

-Como foi isso, Hespanhol?

-Foi morto pelo regime e a culpa é de Jupecê, eu não tenho dúvida disso. Mamãe estava em casa quando ele foi levado, preso, pelo Secretário de Justiça e por mais outros homens que disseram ser um promotor, um delegado e um defensor público. Tenho certeza de que o torturaram até a morte, até que papai confessasse que conspirava contra o regime. Jupecê não confiava nele.

Oposto do que eu imaginava, Rafaelo não externou qualquer reação que se aproximasse com a de uma surpresa quando ouviu que meu pai fora assassinado. Mostrou-se como se já soubesse do que ocorrera. No instante seguinte, como quem busca reforçar a própria vontade na vontade de uma outra pessoa, voltou a me perguntar se eu aceitava o convite de entrar para o grupo, convite, esse, irrecusável. Respondi que sim, que não somente aceitava como me empenharia com o melhor e o mais furioso de mim.

-Uma pergunta: seu pai conspirava contra o regime?

-Não. Infelizmente. Apesar de o meu pai nunca ter se conformado com o golpe tanto quanto eu, ele achava, diferentemente de mim, que não valia mais a pena lutar pelo que se acredita nesse país de merda. Morreu desiludido. Se eu já odiava Jupecê com todo o meu ser, agora, depois de tudo, odeio muito mais. Por isso, estou aqui e não vejo a hora de estar frente a frente com ele. Quero vê-lo sentir só um pouco, não precisa ser muito, da dor que fez meu pai sofrer.

Nos locomovemos do galpão abandonado até o palácio em um comboio de vinte carros, trinta motos e cinco caminhões, e o apelidamos de “Caravana de Assalto”. Os caminhões, locomovendo-se pelo meio e na frente do comboio, serviram para abrir caminho no trânsito e suprir o enfrentamento armado contra a segurança palaciana; aos carros, couberam o transporte da maior parte da tropa, além da garantia de uma maior agilidade no deslocamento do arsenal; enquanto que as motos tinham uma função não menos estratégica: eram o nosso pelotão de assalto, a força móvel que nos permitiria responder aos guardas e à polícia especial do governo. Quanta ingenuidade! A resposta do governo foi inesperadamente furiosa.

Antes disso porém, ainda me preparava para deixar o galpão quando o meu celular tocou. Era mamãe, emocionada, que foi logo adiantando que tinha uma maravilhosa notícia para me dar. Com a voz trêmula, me disse que estava grávida de papai, que havia ido ao médico, pois não se sentia bem, e que lá, então, deu-se a confirmação de sua gravidez. Ouvindo-a sem saber como poderia parabenizá-la, mamãe disse, no meio da ligação, que papai ficaria radiante com a notícia. Concordei imediatamente. Perguntei se a criança era menino ou menina e mamãe respondeu que ainda era cedo para que se soubesse o sexo, que só tinha pouco mais de dois meses que estava grávida. Sem demora, Rafaelo veio até onde eu estava e sinalizou que chegara o tão importante momento de seguir para o palácio. - Parabéns, mãe. Te amo. - disse-lhe que teria muito orgulho de mim quando voltássemos a nos ver. - Nós também te amamos, Edvard. - mamãe respondeu.

Desliguei o celular.

Era vinte de abril a data em que mamãe se defrontaria com o meu derradeiro infortúnio. Havendo se completado quase uma semana que estava desparecido e mesmo apreensiva com uma desordem política desencadeada pela nossa tentativa frustrada de derrubar o regime de Jupecê, considerou até então meu desaparecimento estranho, mas normal, nada que merecesse enorme preocupação. Tinha um certo histórico que a levou a agir assim. Quando mais jovem, gozando da onipotência típica daqueles que têm pouca experiência de vida, fiquei dias fora de casa sem avisá-la, na gandaia, na zoação com os amigos. Talvez tivesse pensado de forma equivocada que o meu desaparecimento era porquê queria relembrar os velhos tempos.

Pela manhã, mamãe fora consultar-se com seu obstetra que a examinou, garantindo que tudo corria bem com a saúde do bebê. O obstetra a perguntou se queria saber o sexo da criança, ela respondeu que sim e ouviu então que teria um menino, e eu, o irmãozinho que nunca conheci, que não teria a oportunidade de ver crescer. Ao voltar para casa, deparou-se com a porta entreaberta. Pensou que fora eu que esquecera a porta entreaberta ao entrar em casa, no entanto, não me encontrou em meu quarto ou em outro cômodo do apartamento. Acabou por concluir-se equivocadamente que ela própria havia se esquecido de fechar a porta ao sair de casa e foi perceber mais tarde que pessoas estranhas ao nosso convívio haviam estado em casa no momento em que saíra para consultar-se.

Com pressa, tão logo chegou, colocou a bolsa no sofá e foi direto para a área de serviço, onde pôs um amontoado de roupas sujas dentro da máquina para lavar. Era o dia da semana que organizava a casa; tinha muito a fazer. Seguiu para a cozinha e começou a preparar o almoço para ela e se acaso eu finalmente aparecesse. Teve uma má intuição enquanto cozinhava, uma ligeira percepção de que alguma coisa não ia bem. Voltou para a área de serviço no que terminou de cozinhar e retirou uma braçada generosa de roupas limpas de dentro de um cesto para dobrá-las e guardá-las nos dois guarda-roupas que haviam em casa: o meu e o dela.

Por primeiro, dobrou uns pares de camisas e calças e os levou até o meu guarda-roupa. Antes que os guardassem porém, ainda no corredor que dava para o meu quarto, olhou para baixo e viu uma gota de sangue ainda úmida, caída no assoalho branco, e quase deixou as roupas caírem no chão de tão assustada que ficou. Passou os olhos no próprio corpo para saber se havia se cortado em algum lugar e viu que o sangue não era seu. Ao mesmo tempo em que guardava as minhas camisas e calças, imaginou que a gota de sangue podia ser na verdade minha, que eu é que havia estado na casa e me ferido de alguma forma que não sabia qual, e que, por esse motivo, é que encontrara a casa vazia e a porta entreaberta. - Continua sendo um desastrado, esse Edvard. - pensou. - Deve ter ido correndo para a farmácia comprar curativo. - por fim, mamãe ignorou a gota de sangue com a convincente desculpa de que não fazia bem a uma gestante passar nervoso.

Foi dobrar então a outra parte das roupas limpas que retirou do cesto para que pudesse guardá-las no seu guarda-roupa; um guarda-roupa, me lembrarei sempre, cujas portas e gavetas eram brancas, o restante de madeira envelhecida escura e os pegadores, também me lembrarei, de metal bronzeado. Mamãe entrou no quarto e se deparou com uma mariposa preta pousada na cabeceira da cama. Pelo jeito, aquele não estava sendo mesmo um bom dia. Cansada, espantou a mariposa pela janela e se sentou na cama com as roupas dobradas no colo. Não havia razão aparente para que, de repente, estivesse tão tensa e preocupada como estava naqueles instantes, descobriria o porquê imediatamente depois. Passado um minuto, se levantou da cama, apoiou nos braços as roupas que dobrou e abriu finalmente a porta do meio do guarda-roupa. - Edvard! - gritou, sendo gigantesco o horror em seu grito. Viu minha cabeça desfigurada, cuidadosamente posicionada bem no meio de duas pilhas de roupas.


FIM

20 comentários:

  1. Rapaz, qual seu lance com cabeças?
    O conto é muito bem escrito e, de fato prende o leitor
    A conspiração é tem essa aparência "pouco profissional" de propósito? Me pareceram assustadoramente descuidados, mas considerando seu destino...

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    1. Meu lance com cabeças, rs, por quê? Não curte contos capitais, Coletivo.

      Brincadeiras a parte, obrigado pelos elogios.

      Descuido: não poderia encontrar palavra mais propícia p/ descrever os conspiradores da República do Álamo.

      Abraço.

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  2. Olá! Você é o autor do conto? Se for, parabéns, se não for, parabéns também por divulgá-lo. Não é muito comum, nos dias de hoje, textos assim, com esses assuntos. Enfim, muito legal.
    Beijos!
    vaiumspoilerai.blogspot.com

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    1. Lilian, sou sim. Foi eu quem idealizou e escreveu o conto.

      O tema realmente é bastante incomum. Concordo, rs.

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  3. Não estava nada à espera deste final dramático! Adorei o conto! Fico à espera do próximo 😉

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  4. Uau!

    Que conto incrível, tão incrível que deveria virar um livro ou até mesmo uma mini série. Quantos infortúnios sofreram a família Hespanhol... Mas confessoq ue fiquei com uma pulga atrás da orelha, Existia celular na época em que o conto é narrado?

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    1. Franklin, sim, existia celular. O conto se passa em uma ditadura de um país fictício da América Latina, a República do Álamo, localizado no nordeste do Brasil.

      Obrigado pelos elogios.

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  5. Wow. Eu não costumo ser grande fã deste tema, no entanto a sua escrita cativou-me, como sempre, até à frase, em que fiquei boquiaberta e só disse "não", de tão apegada que tinha ficado à personagem! Você consegue explorar, sempre, tão bem o universo pessoal de cada personagem da história e é isso que adoro na sua escrita... Criou um momento de alguma distração no meu dia cinzento. E até pelo facto de uma mulher que me parece bastante forte se chamar Beatriz ;)
    Obrigada!

    Pseudo Psicologia Barata

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    1. Bea, por pouco não choro de alegria ao ler seu comentário. Estou no caminho certo então, não é mesmo, r?!

      Obrigado de verdade.

      Você é das pessoas mais gentis que eu conheci nesse último ano.

      Volte sempre! A casa é sua, rs.

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  6. Roberto, se me permite dizer, os seus contos são bem longos rsrs. Acho que você deveria focar em cada um deles, fazer uma história comprida, mas em forma capítulos. Eles são muito bons para ter não um final concreto. Queria muito uma parte explicando sobre como Edvard morreu. Achei que faltou isso.
    Mas espero que leve como um elogio e que possa ter contribuído para crescimento pessoal. Continue escrevendo! São ótimos textos ^_^

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    1. Ana Paula, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

      Vamos lá então:

      O conto não é grande, nem pequeno, rs. Teve o tamanho que teve porque a história pediu, rs. Muitos personagens, muitos acontecimentos.

      Sobre o desfecho de Edvard não ter uma explicação mais detalhada, a explicação está subentendida na própria história, nos acontecimentos que se sucederam, e os assassinos dele também, rs.

      Volte sempre!

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  7. Roberto, como sempre você surpreende! Amei o conto e o final é incrível, sempre com esse toque fantástico :D.
    Continue sempre escrevendo!
    www.resenhasdelivros.com

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    1. Obrigado, Luana, você foi muito generosa nos elogios.

      Continuarei escrevendo até quando a Vida não me negar palavras para tal.

      Abraço.

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  8. Correção na minha primeira linha: *até à ÚLTIMA frase.
    E já agora, conhece Felizmente Há Luar, de Luis de Sttau Monteiro? Embora seja uma narrativa construída para ser representada em teatro, o seu conto lembrou-me bastante dela! Talvez pelo contexto revolucionário, não sei bem.

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    1. Bea, não conheço, não.

      Vou procurar conhecer. Obrigado pela indicação.

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  9. O enredo da história foi bem dramático, ele tem um final triste (e bem surpreendente).
    Vc poderia separar textos longos em capítulos e letras um pouco maiores, ficaria mais fácil para o leitor ;) Mas, é só uma dica/opinião, o blog é seu.

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    1. Pollyanna, a sua sugestão, em parte, foi atendida.

      Aumentei a letra das postagens blog.

      Volte sempre.

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  10. Olá,Rob!
    Que conto!
    Confesso que me causou um arrepio de medo e tristeza também.
    Seus contos sempre me remetem a infância.
    Não sei porque sinto isso, quando os leio.

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    1. Mesmo? Mas esse conto particularmente também remete sua infância? Era criança quando o Brasil estava sob o domínio de uma ditadura militar? Deve ser por isso então, rs.

      Obrigado pelos elogios, volte sempre!

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