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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Conto: Sacha e Peter, um Beijo de Pizza.


Integrados em harmonia com seus destinos, Sacha e Peter, por serem tão diferentes, tinham muito em comum. Não por outros motivos que Sacha era dançarino de uma companhia municipal e Peter, um entregador de pizza. A vida de um ao outro se entrelaçaria.

Não se conheciam até a noite em que Sacha, faminto, ligou para a pizzaria onde Peter trabalhava. Logo que o viu entrar pela porta com a caixa de pizza apoiada na palma mão, as pernas de Sacha ficaram fracas e as mãos trêmulas. Nunca havia sentido nada tão forte por um homem antes, nada que o congelasse de maneira tão estúpida como a que acontecia naquele momento. Peter, além de belo, transpirava masculinidade. Sacha pediu para que Peter colocasse a caixa encima da mesa e perguntou quanto custava. Sabia perfeitamente o preço, pois havia se informado no momento em que a pediu, queria ouvi-lo falar. Peter logo percebeu a atração que criou em Sacha e não a repeliu. Também sentiu-se atraído pelo dançarino. No momento em que recebeu o dinheiro, o entregador de pizza segurou sua mão e o beijou com força. Transaram ali mesmo, no sofá da sala, e comeram metade da pizza.

Ao retornar para o trabalho, levou uma sonora bronca de Fabrício pela demora. Dono da pizzaria, advertiu que se ele chegasse mais uma vez tão tarde após uma entrega seria demitido sem compaixão ou piedade. Depois da bronca, perguntou qual era o motivo de ter demorado. - Não conseguia encontrar a rua, por isso é que me atrasei tanto. - Peter respondeu com a mentira mais deslavada. Fabrício acreditou na mentira.

A companhia na qual Sacha dançava realizava apresentações toda semana. Eram horas exaustivas que atravessavam dias de ensaios e Sacha, talentoso e focado, conseguia os papéis mais importantes quase sempre, quando não o personagem principal das apresentações. Já Peter vivia sobre duas rodas. Usava sua motocicleta para trabalhar e para ir aonde a precisão o levasse. Nem bem o dia clareava, corria para o supletivo e depois voltava para casa, tomava um banho rápido, comia alguma sobra da geladeira e, às três da tarde, ia voando para a pizzaria. À noite, mesmo cansado, antes de conhecer Sacha, Peter ainda reunia disposição para visitar uma boate e, lá, curtir a vida na azaração. Trabalhava muito sim, mas sabia ser um “bon vinvant”.

Certa noite, invés de sair da pizzaria e voltar direto para a casa como sempre fazia, Peter resolveu visitar Sacha. Não o havia visto desde a vez em que se conheceram. Ao entrar no estacionamento do prédio, abriu a porta do elevador para subir até o apartamento, mas desistiu no meio do caminho. Amava-o verdadeiramente e ficou com medo de que não fosse bem recebido se chegasse em sua casa de surpresa. Peter decidiu então ir embora para a casa. Aquela não estava sendo uma boa noite; nem bem avançou três quarteirões, se desequilibrou e caiu da moto, quebrando a perna. Com a perna engessada, ficou impossibilitado de sair de casa para poder trabalhar até que se livrasse do gesso, que levaria semanas.

Só pensava em Sacha, que, assim como Peter, não conseguia esquecer a noite em que haviam se conhecido. Pensou em ir à pizzaria para vê-lo, mas também ficou com medo de que não fosse bem recebido se aparecesse de surpresa. Certa tarde, após sair de uma sessão de ensaios da companhia, Sacha tomou coragem, entrou em um ônibus e seguiu para a pizzaria, já não aguentando mais a angústia que era estar longe de Peter, mas não o encontrou. Peter ainda se recuperava da queda.

A procura de Sacha por Peter na pizzaria despertou curiosidade em Fabrício, que, ao ouvir Sacha definir-se como um amigo e um alguém no qual Peter guardava um sentimento especial, desconfiou da amizade dos dois. - Não pode ser só isso. - pensou. Quando, passado um tempo, Peter reapareceu para trabalhar, Fabrício o perguntou se Sacha era parente, amigo ou algum conhecido, não suspeitando ainda que os dois tivessem um caso, necessariamente. Queria saber a respeito de todas as pessoas que rondavam a vida de seu entregador de pizza mais comprometido com o trabalho. Mais velho, experiente e divorciado de sua terceira esposa, Fabrício tinha todos seus funcionários como filhos e membros de sua própria família. Peter respondeu que eram amigos, que o havia conhecido recentemente. Por fim, ele agradeceu a preocupação do chefe em relação à sua vida, mudando de assunto. Era tudo que ele desejava ouvir.

Com a desculpa de que tinha um compromisso urgentíssimo que só naquele momento é que havia se lembrado, Peter pediu para Fabrício que lhe desse só mais aquela tarde de folga e arrancou com a moto ao encontro de Sacha. Deixou a moto na última vaga do estacionamento e subiu até o apartamento em que Sacha morava. Sabia o andar de cabeça, mas, ao bater à porta, ninguém atendia. Sacha não estava em casa. As sessões de ensaios da companhia andavam cada vez mais longas e exaustivas. Decidiu então esperá-lo no estacionamento. Permaneceu noite adentro, sentado em sua moto, até que viu Sacha sair do banco do carona de um carro dirigido por uma amiga que também era sua vizinha de prédio. Surpreso por reencontrar Peter ali, naquele estacionamento, Sacha perguntou se queria subir para conversarem. Peter aceitou o convite no mesmo instante. Ao entrarem no apartamento, mal fecharam a porta e os dois mataram a saudade. Em meio aos beijos, mordidinhas e apertões, transaram e dormiram juntos, grudados em uma cama de solteiro.

Pela manhã, Sacha se encarregou de preparar o café de Peter, que acordou com uma farta bandeja ao lado da cama. Depois do café, voltaram a transar. Sacha, não muito depois que transaram, percebeu que estava atrasado para as sessões de ensaios que teria naquele dia, deu um salto para fora da cama e correu para o banheiro, onde tomou um banho rápido. Foi aí que teve então a primeira demonstração de ciúme de Peter. - Quero que prometa, agora mesmo, que nunca vai me trair. - ainda no chuveiro, abraçando-o com vigor, o entregador de pizza o fez prometer que nunca o trocaria por nenhum dos dançarinos da companhia, que seria absolutamente fiel. Sacha prometeu-lhe fidelidade, não conseguindo disfarçar o enorme orgulho e a satisfação em testemunhar que Peter, em tão pouco tempo, já sentia ciúme dele.

Peter seguiu para o supletivo e Sacha dirigiu-se à companhia para ensaiar.

No que se reencontraram, no apartamento, na noite que se seguiu, Sacha o convidou para assistir uma apresentação de dança da companhia e, assim, pela primeira vez, vê-lo dançar. Peter aceitou o convite e, em comemoração, transaram pela quarta vez.

A apresentação foi realizada em um sábado quente, no período das férias. Ao entrar na sala do teatro, Peter caçou um lugar nas primeiras fileiras e se sentou na espera do começo do espetáculo. Queria ver Sacha dançando o mais próximo possível do palco, e também queria que ele o visse e soubesse que havia cumprido a promessa de assisti-lo. Com o fim da apresentação, Sacha foi até a plateia e levou Peter até o camarim para que conhecesse seus amigos. Foi logo dizendo aos dançarinos da companhia que Peter era uma pessoa muito querida, apesar de tê-lo conhecido não fazia muito tempo, e que era a primeira vez que ele assistia a uma apresentação de dança. Peter nada disse até então, permaneceu calado diante dos amigos de Sacha. De pronto, curiosos, os dançarinos perguntaram se ele havia gostado da apresentação. Peter, por sua vez, quase monossilábico, com seu jeito meio bruto, desconversou, dizendo que não havia entendido muita coisa e que não tinha parâmetros para concluir se que havia acabado de assistir era bom ou ruim afinal. Os dançarinos insistiram, indagando-o se a apresentação havia, ao menos, tocado, por um segundo que fosse, seu coração. Respondendo com um econômico talvez, Peter voltou a ficar calado.

Nesse meio tempo, constrangido pelo jeito com que seus amigos eram tratados, Sacha foi sútil em conseguir com que ficassem a sós, afastando-se com a desculpa de que Peter havia deixado cair a chave da moto no palco do teatro. Perguntou por que estava agindo de forma tão desagradável com seus amigos, porém, Peter negou qualquer antipatia, respondendo que não os conhecia e que só estava sendo formal. Foi então que Sacha concluiu, consigo próprio, que Peter estava tendo uma nova crise de ciúme e voltou a se mostrar orgulhoso disto. - Ele gosta de mim mais do que eu pensava. - imaginou. Considerava ciúme demonstração de amor.

Nas duas semanas que se seguiram, Peter passava a maior parte das manhãs estudando para as provas do supletivo e, à tarde, seguia para a pizzaria, onde trabalhava até altas horas da noite, e Sacha deparava-se com sessões de ensaio cada vez mais prolongadas. Quase não se viam às noites; as duas únicas vezes que estiveram juntos, só se preocuparam a amar.

O relacionamento foi ficando mais intenso na medida em que conheciam de perto um ao outro. Peter intuía os horários que Sacha ia dormir e o estado de humor que ele acordava, meio mal-humorado; intuía o que ele gostava e o que detestava comer, e intuía até os apelidos de escola que o irritavam; Sacha, por sua vez, conhecia quase todas as preferências de Peter: a marca do xampu que usava, os programas de televisão que assistia, os ídolos na música e no esporte, os sonhos que ele perseguia e até o jeito que gostava que ficassem penteados os seus cabelos. Certa vez que se encontraram, Sacha perguntou para Peter uma coisa que não havia se dado conta desde então: sua família. Peter respondeu que morava com sua irmã, Sílvia, e que seus pais eram do interior, um casal de pequenos agricultores de Jaguariúna. Entusiasmado, o dançarino indagou-o se podia conhecer Sílvia e Peter respondeu que não via problemas que isso acontecesse. - Ela vai adorar te conhecer! - exclamou. O encontro não tardou a ocorrer. Peter foi buscar Sacha de moto e o levou à sua casa, onde Sílvia o esperava.

Carinhosa, Sílvia foi ao encontro do irmão, de braços abertos, assim que o viu atravessar a porta da sala, e foi por ele que Sacha foi devidamente apresentado. - Sacha é o amor da minha vida, a outra parte da minha existência, a tampa da minha frigideira sem cabo. - disse, Peter, à irmã, descontraído. Sílvia abraçou Sacha, que agradeceu, dizendo-se feliz em conhecê-la.

Havia preparado um bolo e uma jarra de suco de maçã para se servirem enquanto conversassem. Sílvia agarrou a mão de Sacha e o levou até a cozinha. - Faz quanto tempo que você e Peter se conhecem? - perguntou para Sacha, que respondeu que fazia cinco meses, no máximo. Contou também que era dançarino da companhia municipal. Sílvia, enquanto a isso, ressaltou que já sabia, pois Peter já havia lhe contado. Bem humorada, revelou que Peter não parava de falar dele. Sacha, envergonhado, fingiu absoluta normalidade diante da revelação. Sentia-se gigante toda a vez que redescobria o quanto Peter o amava e buscaria, cada vez mais, ser o centro das atenções na vida dele.

Apresentado Sílvia, Peter levou o namorado de volta para sua casa, onde voltaram a transar. Não se desgrudavam. Sacha conseguiu umas horas de folga dos ensaios da companhia e, a pedido de Peter, passavam a maior parte do tempo, juntos. Um museu importante da capital organizara uma exposição de arte italiana; Peter levou Sacha para conferir os quadros e esculturas, imaginando acertadamente que ele fosse gostar. Sacha se mostrara tão interessado nas obras que perguntou tudo que deu vontade aos funcionários que orientavam o púbico nos andares da exposição. Os artistas, os anos que foram feitas, as cidades nas quais foram trazidas para o museu, nada passava desapercebido de sua fome de arte. Em outro dia, Peter fez outra surpresa para Sacha ao levá-lo para um lugar onde tivessem mais momentos de intimidade. - Vou te confessar uma coisa, Peter, é a primeira vez que visito um motel. - contou, o dançarino. Lá, tiveram a melhor transa: amaram-se de corpo e alma. - Ótimo então, vamos aproveitar. - Peter respondeu.

Sacha e a irmã de Peter tiveram outra oportunidade de se reencontrarem quando o entregador de pizza os convidou a curtirem um final de semana em Praia Grande. Alugaram um casebre já mobiliado, mas quase não ficaram nele. Quando não tomavam Sol, deitados na areia, ou se banhavam no mar, sentavam-se no banco de uma pracinha, onde assistia ao congestionamento de pessoas na orla da praia, sem que vissem o tempo passar. Sílvia, na segunda noite dos três dias, separou-se do irmão e foi sozinha para uma danceteria. Ao se aproximar do bar, pediu uma bebida e, no primeiro gole, um rapaz sentou ao seu lado e começou a puxar papo. Sílvia o ignorou de início, mas logo foi cedendo às investidas. O rapaz não parava de elogiá-la, dizendo o quanto era bela e feminina, até que partiu para o ataque. Sustentou a nuca de Sílvia na palma de sua mão, beijando-a. Deixaram a danceteria não muito tempo depois disso. Seguiram a pé por uma rua na qual quase não passava ninguém e foderam em pé, de frente para o muro. Sílvia, ao fim, recompôs-se. Despediu-se do rapaz e retornou para o casebre alugado, era tarde da noite.

Pela manhã, ao acordar e deixar o quarto, Sílvia, no corredor do casebre, foi abordada por Peter, que perguntou aonde ela havia ido a noite. Sílvia desconversou, respondendo que havia saído para se divertir. - Nada demais, só fui dar uma volta. - afirmou. Insistente, Peter explicou que era sua irmã e que tinha o direito de ficar preocupado, mas não teve sucesso. Sílvia pôs fim na discussão ao emendar que era maior de idade, solteira e cumpridora dos seus deveres e obrigações. - Tenho o direito de me divertir tanto quanto você. - lembrou-o.

Minutos antes, Sacha, que relutava em abrir os olhos e acordar, começou a ouvir Sílvia e Peter discutindo no corredor. Foi a desculpa que precisava para se levantar da cama desarrumada e abrir a porta. Sílvia e Peter, no momento em que viram que eram observados por Sacha, voltaram suas atenções para ele, interrompendo a discussão. Após encará-lo com irritação, Sílvia foi para a cozinha tomar um copo de água, enquanto que Peter retornou para o quarto que havia dormido com Sacha, onde puderam conversar. Sacha perguntou o porquê da discussão e Peter minimizou, argumentando que tudo não havia passado de uma implicância de irmãos. - Bobagem, querido, foi só isso. - beijou-o na testa.

Fingindo acreditar na explicação, Sacha percebeu que Peter, na verdade, tivera uma crise de ciúme de Sílvia e isto o deixou terrivelmente indisposto durante o resto daquele dia. Contrariado, criara a ilusão de que Peter sentia ciúme somente dele, de mais ninguém. E para que não deixasse transparecer o ódio que começava a sentir por Sílvia, Sacha se esforçou enormemente. Sempre que a via, era diplomático, tratando-a com cordialidade e educação. O dançarino a odiava pela vontade de odiar, mesmo que, em seu íntimo, soubesse que o ciúme era algo comum entre irmãos. - Se Peter tiver que sentir ciúme, juro que vai ser só por mim. - prometeu-se. - Só.

Sílvia trabalhava como tratadora em um zoológico público. Depois de voltarem da praia, Peter resolveu fazer uma surpresa para o namorado, levando-o para que conhecesse o lugar que a irmã trabalhava. Sacha conhecia o zoológico; havia o visitado por vezes, mas ficou quieto mesmo assim e fingiu ansiedade ao perceber, ainda na garupa da moto, para onde estavam indo.

Ao se verem no zoológico, Sacha e Peter avistaram Sílvia alimentando um casal de zebras e foram ao seu encontro. Peter foi carinhoso com a irmã seguido por um Sacha que também a abraçou. Sílvia e Peter puseram-se a caminhar com Sacha para que conhecesse o zoológico: mostraram-no a jaula dos macacos, os aquários dos animais marinhos, os cativeiros das aranhas, das cobras, das serpentes, um berçário de escorpiões; mostraram-no as jaulas onde ficavam os felinos, como as dos demais animais e também o lago dos jacarés. Determinado momento do passeio, Sílvia e Peter voltaram a discutir. Os três estavam diante do lago quando Peter relembrou a noite, em Praia Grande, na qual a irmã havia saído para se divertir. - Você não é meu dono, Peter, tenho o direito de sair com quem eu quiser. - abominou a ideia de voltar ao assunto. Sílvia sabia que aquela insistência não passava de ciúme, um sentimento de posse que os irmãos têm para com suas irmãs, e se apressou em dar um basta ao falatório. Foi rude ao lembrá-lo que não o devia satisfação. Enquanto isso, Sacha, que assistia toda a discussão diminuído e esquecido completamente por Peter, mal acreditou no que estava presenciando. Concluindo-se que Peter amava mais a irmã do que a ele, foi tomado por um ódio emudecido e que só com muita força é que conseguiu conter, e não partir para cima de Sílvia.

Traçou um objetivo em mente: sua morte. Começou a elaborar um plano para matá-la. Seria uma única investida, agiria com perfeição. Não faria nada que desse errado. Pensou em envenenamento, mas logo desistiu; Sílvia teria uma morte lenta demais e Sacha não conhecia nada sobre venenos, quanto mais um que não deixasse vestígio. Esfaqueamento, atropelada, estrangulada, decapitação e pancada na cabeça: nenhuma destas formas de matar pareceu-lhe bem-vinda. Algumas eram perversas demais até mesmo para o ódio que sentia e não conseguiria executar. Cogitou inclusive contratar um assassino profissional visto que não chegava a uma decisão, porém, isso sim, definitivamente, é que seria uma completa estupidez em comparação com todas as outras. Que é que o assassino faria com ele depois que matasse Sílvia? Chantagearia Sacha para que não o denunciasse ou o mataria também, só pelo gosto de matar. Por fim, após dias intermináveis pensando e refletindo nas mais engenhosas possibilidades de dar fim a vida de uma pessoa, chegou a conclusão que seria ele próprio que se encarregaria do serviço. E o local seria exatamente aquele no qual estavam.

Em outro dia, o dançarino ligou para uma Sílvia que trabalhava no momento em que o celular tocou e disse que estava com saudades. Perguntou se podia ir até o zoológico para conversarem e Sílvia respondeu que sim, que podiam se encontrar. O zoológico, sem nenhuma coincidência, havia sido fechado para o público aquele dia. Era fim de tarde, o dia começando a escurecer, quando ficaram um diante do outro. Preocupada, Sílvia o indagou se havia acontecido alguma coisa com Peter. Sacha logo a tranquilizou dizendo que o namorado estava bem. Temeroso que demorasse demais e que, por isso, fosse flagrado, Sacha sacou um revólver que escondia na cintura, embaixo da camisa branca, e exigiu que Sílvia o levasse até o lago dos jacarés. Mesmo sem entender nada, Sílvia fez como Sacha mandou.

Ao chegarem, o dançarino ordenou que Sílvia entrasse no lago. - Os jacarés darão fim ao seu corpo. - ameaçou-a. Sívia, no entanto, congelou, horrorizada. Não podia acreditar que Sacha pudesse obrigá-la a tal absurdo. Sílvia, cheia de determinação, o encarou respondendo que não entraria no lago. Sacha repetiu a ordem, só que dessa vez com ainda mais ameaça. Falava sério, atiraria se fosse preciso. Sílvia, no entanto, tornou a responder que não entraria no maldito lago. O revólver ainda em punho, Sacha, então, deu um passo generoso em sua direção e vociferou para que se jogasse na água. - Não vou entrar. - Sílvia repetiu e, de novo, não o obedeceu.

Deu-se a reviravolta a partir de então. Desesperada, ela o desafiou que atirasse logo, de uma vez por todas. - Você está louca, Sílvia? - agora, era Sacha quem não entendeu o que acontecia. - Entre no lago, eu vou atirar! - exclamou. Percebendo que a ameaça dera lugar à impotência de quem não tem coragem para matar, Sílvia avançou contra Sacha, empurrando-o fortemente com o próprio corpo para trás e fazendo-o com que tombasse no chão. O revólver que Sacha empunhava era falso. Com a queda, a arma caiu aos pés de uma Sílvia que o apanhou tão logo o viu.

Descobriu que a arma não era de verdade e que sua maldita vida não havia estado em perigo. Enchendo-se de fúria com a ousadia de Sacha, Sílvia levantou uma generosa pedra que encontrou na beira do lago e golpeou-lhe a cabeça em uma, duas, três pancadas; até matá-lo. - Olha que você fez, Sacha; não precisava ter acabado assim. - disse olhando para o corpo estendido no chão. Passou a noite alimentando os jacarés.



FIM.

28 comentários:

  1. Nusss... que conto! Adorei. Quando começamos a ler não imaginamos onde vai chegar, contudo sentimos uma tensão crescer desde o início até chegar ao ápice. Os personagens são bem desenvolvidos e o enredo é ótimo.

    *☆* Atraentemente *☆*

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    1. Evandro, fico feliz que tenha cumprido o meu objetivo, rs.


      Obrigado, parceiro.

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  2. Muito erótico para um blog onde crianças menores podem acessar, não acha?
    Não curto muito esse tipo de coisa em blogs...

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    1. Vanessa, obrigado pelo teu comentário.

      Não sei se alguma vez dei a entender que esse blog é um blog infantil, pois não é. Este é um blog literário em geral.

      Achou o conto tão sexual assim? Talvez, pelo fato de dois homens se relacionando é que viu dessa forma. Enfim, uma percepção sua que eu respeito.

      Sobre o meu conto ser prejudicial às crianças. Acredito na paternidade responsável. Crianças não devem navegar na internet sem supervisão de um adulto.

      Obrigado mais uma vez.

      Volte sempre.

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  3. Um história um tanto quanto absurda, só se justificando no caso de se tratar de algum tipo de psicopata que sente ciúmes da irmã do namorado, mas sim, uma história muito bem contada, como todos os seus contos que já li. Parabéns!

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    1. Obrigado, Adriana...

      Percebeu como ninguém o conflito do conto que é o ciúmes e o sentimento de posse.

      Obrigado.

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  4. Mais uma vez adorei o seu conto!
    Comecei a ler e não conseguia parar de ler até saber o final.
    Hoje em dia existem muitos casos de sentimento de posse e por vezes confunde-se com amor ( o que na realidade nada tem a ver com isso ).
    Beijinhos

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    1. Rapariga, é isso mesmo. Ciúme não é e nem nunca foi prova de amor.

      Volte sempre!

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  5. Olá,Rob!
    Uauuu,que conto!
    Quanto mais eu lia ,mas eu queria chegar logo ao final e fui surpreendida,pois não imaginava que teria um final desses.
    Infelizmente,isso está acontecendo demais entre os seres humanos e todo mundo querendo ser dono de alguém, o que na verdade,ninguém e dono de ninguém.
    Parabéns!

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    1. Cássia, obrigado pelo comentário. Enquanto escrevia este conto não imaginei que o tema ciúme seria presente no conto.

      Até eu me surpreendi e me horrorizei com o resultado, kkk

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  6. Nossa, que estrutura, desenvolvimento, fluidez. Tudo tão bem feito, que realmente continuaria a ler por páginas e páginas sem nem notar. Parabéns!

    Beijos da Nanáh!

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    1. Obrigado, Nanáh, fico lisonjeado que tenha gostado da narrativa. Também gosto bastante deste conto.

      Muita responsabilidade a minha, kkk

      Abraço

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  7. Achei esse conto bem diferente daqueles que costumo ler aqui no blog e a verdade é que me surpreendeu, em grande parte por todos esses sentimentos fortes misturados, talvez também por uma certa tensão, não sei bem explicar. E no fim fiquei assim ":o"! A verdade é que gostei realmente do conto (como não, né?).
    Beijos!

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    1. Bia, obrigado. Como sempre muito gentil com esse humilde blogueiro, rs.

      Bem-vinda de novo ao blog e volte sempre!

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  8. história intensa e envolvente,
    adorei o desfecho!

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  9. Uma história envolvente e surpreendente! Um romance que prometia e por causa do ciúme doentio terminou com uma tragédia!! Um ciúme desnecessário! Imagina todo esse ciúme da cunhada, e se o Peter olhasse para outra moça?
    Enfim, amei o conto apesar do desfecho triste! Muito bom!!
    Abraço,
    Cidália.

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    1. Obrigado, Cidália o ciúme é sempre um problema mesmo.

      Sobre o Peter olhar p/ outra moça, isso não aconteceria porque o Peter é gay, rs.

      Volte sempre!

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  10. No início, eu achei que era Peter que cometeria algo ruim, por conta do ciúme, mas acabou que o ciúme de Sacha foi doentio. Fiquei tensa!
    Sílvia irou-se de tal forma... Fique curiosa para saber o que Peter achou disso tudo. Que loucura!

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    1. Suellen eu também estou curioso, rs. Talvez tenha perdoado a irmã, rs. Enfim, não faço ideia, kkk

      Obrigado pelo teu comentário e bem-vinda o blog!

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  11. Meu deus que final foi esse ?!
    Gente tô boba em como Sasha pode ser tão possessivo e doentio, poxa era a irmã do Peter...
    Parabéns, que conto bem escrito hein!
    Beijos

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  12. Obrigado, Kerolayne, adorei seu comentário e ri muito da sua reação, kkk. Obrigado, viu?

    Volte mais vezes p/ se surpreender igualmente com novos que certamente postarei por aqui.

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  13. Oie, tudo bem? Esse é um daqueles contos que você começa a ler pensando que irá tomar um rumo e acontece algo completamente diferente. Fiquei até sem ar ali no finalzinho. Parabéns pela escrita, consegue realmente prender nossa atenção e nos surpreender. Beijos, Érika ^^

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    1. Obrigado, Érika, fico feliz que tenha gostado e que bom que consegui te surpreender com o final desse conto.

      Valeu pela visita; volte sempre!

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  14. Vou ser sincero, não gostei desse conto. Acho que se deve ao fato de minha formação religiosa, não gostei da história, da narrativa em si. Mas seu texto está muito bem escrito e estruturado como sempre.

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    1. Que não gostasse até vai, é um direito seu; mas que negócio é esse de formação religiosa, rs.

      Que legal, um fanático em meu blog, kkk

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  15. Uauuu que conto. O final me surpreendeu, não imaginava.
    Muito bem escrito, como sempre. Fascinada com seus contos.
    Já aguardando o próximo. mega bjooooo

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  16. Obrigado, Lorena, pela visita e por comentário.

    Aguarde, sim, os próximos contos!

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