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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A Menina de Gabrovo: Primeira Parte do Capítulo "Mau Agouro".


Liza precisou se afastar da filha e respirar ar puro para se recompor da tristeza que a abateu. Apesar de mostrar-se forte, sentia que a perdia para a peste cinzenta.

“Meu Deus, quando esse pesadelo vai acabar?” - perguntou, com os braços estendidos em direção ao céu nublado.

Klara, nesse meio tempo, pouco conseguiu dormir. A dor que sentia por tentar encher seus pulmõezinhos de ar era implacável e a manteve acordada durante todo o tempo. Da janela do quarto, podia-se ver uma montanha, que, embora quase toda coberta de neve, era tão imponente quanto a montanha que Liza havia descrito na história que contara, e podia-se também ouvir o ruído das águas do rio Yantra, parcialmente congelado. Mãe e filha moravam, sozinhas, num sobrado, cujas as paredes eram brancas e as janelas eram feitas com um tipo de madeira escura. A casa parecia ser grande demais para somente duas pessoas viverem nela e era cercada por um extenso gramado. Não tinha muros, tampouco portão que a protegesse da cobiça externa.

Liza, ao deixar o quarto da filha, atravessou o gramado, caminhou até a margem do rio e, caindo de joelhos no chão, olhou fixamente para as águas verdes-escuros. O Yantra, de algum modo, parecia confortá-la.

“Por favor, devolva-lhe a vida!” - pensando na filha, abriu o peito para a correnteza e clamou ao rio.

Não admitia a ideia de perder a única coisa que lhe importava na vida. A cada segundo que passava, morria lentamente ao se dar conta que a estava perdendo para a tuberculose. Diante disso, ofereceu a própria vida em troca da cura de Klara.

Leve-me se quiser, mas não permita que ela morra!”

Sua oferta sequer foi ouvida. Ainda debruçada na margem do rio, Liza sentiu, aquecendo lhe o rosto, um chiado soprar morno. Era um presságio de mau agouro se aproximando. Imediatamente, começou a ouvir o ronco de um motor e sentiu muito medo.

“Não se desespere, Liza.” - aconselhou a si própria. - “Klara está dormindo no quarto, portanto, trate de ser forte e não leve o perigo para dentro de casa.”

O ronco do carro só se intensificava na medida em que o mau agouro se aproximava.

Moravam cercadas por uma mata densa e seu vizinho mais próximo provavelmente chegaria tarde demais caso a ouvisse gritando por socorro. A jovem mãe búlgara, então, se levantou, mas não saiu do lugar. Estava absolutamente certa em relação ao perigo que ela e a filha corriam.

Dois viajantes, a bordo de um Benz Patent Motorwagen, vinham, esganiçados, distribuindo terror pelo leito do rio, e, assim que viram Liza, pararam imediatamente.

Bom dia, senhorita.” - um deles a cumprimentou.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NA PRÓXIMAS POSTAGENS.

6 comentários:

  1. Olá,tudo bem? Adorei o início da história, você escreve super bem, vou começar a te seguir para continuar lendo seus textinhos, parabéns e muito sucesso!!

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    1. Textinhos? kkk

      Obrigado pelo elogio e pelo comentário, papo sério.

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  2. Nossa, que leitura mais plena :)
    Gostei da forma com que você colocou os primeiros personagens.
    Com certeza no proximo mês vou comprar seu livro.
    O mundo merece te ler, rapaz. <3

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    1. Obrigado, May, pelo apoio.

      Espero que goste do livro e da história principalmente!

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  3. Yay! Primeira coisa: sua capacidade de narração descritiva é muito boa e afiada. A casa ficou super bem descrita, parabéns! Também gostei do seu uso moderado das vírgulas, deu um ritmo legal para o texto. Com toda certeza estarei acompanhando as próximas postagens! Parabéns e obrigada por escrever esse texto. Toda obra de arte é um presente para o mundo <3
    Abraço, Ane.

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    1. Valeu mesmo, Ane, muito gentil e amável teu comentário. Feliz que tenha gostado!

      Abraço e volte sempre ao blog p/ conferir as novidades!

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