sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

CAPÍTULO 03: VOVÓ YORDANKA (Terceira Parte).


Yordanka, no entanto, não se deixou contaminar pela repentina euforia da neta. Disse:

"Acalme-se, querida.” - pediu, encarando-a com serenidade. - “Se continuar me puxando assim, vai arrancar o meu braço. Sua mamãe não está em casa.” - revelou.

"Vamos, vovó!” - insistiu, a menina, que pareceu não tê-la ouvido.

“Sinto muito, Klara.” - lamentou, Yordanka, firmemente. E repetiu. - “A mamãe não está em casa.”

“Ela não está em casa?”

“Não, querida.”

Ouvir tal resposta foi como se toda a alegria que sentia, feito uma avalanche de pedras, devastasse o peito da menina.

“Por que não?” - perguntou.

Mesmo tão pequena e ingênua, Klara não encontrava fim às suas perguntas. Era incansavelmente curiosa.

“Aonde ela foi?”

“Infelizmente, eu não sei.” - respondeu, Yordanka, tranquilizando-a. - “Mas não precisa ficar triste, prometo que vamos achá-la.”

“Está bem.” - a pequena búlgara concordou.

“Promete para a vovó que não vai ficar triste?”

“Prometo.” - Klara respondeu.

Voltou a segurar a mão da neta e continuaram, então, a caminhada. Mas Klara não demorou a fazer outra pergunta:

“Onde a gente está, vovó?”

“Estamos no parque Lipnik.” - respondeu, Yordanka, que, ligeiramente intrigada com a pergunta, quis saber. - “Não gostou do parque, querida?”

“Gostei, vovó.” - Klara respondeu, acrescentando. - “É muito bonito.”

“Bonito?” - Yordanka fingiu surpresa.

“Sim, vovó, o parque é muito bonito.” - assegurou, a menina.

“Fico feliz em ouvir isso.” - Yordanka sorriu, absolutamente contente ao ver a alegria fazer brilhar os olhos da neta. Revelou ainda. - “A vovó mora no parque.”

“No parque?”

“Sim, querida.” - confirmou, Yordanka, parecendo achar graça na curiosidade da menina.

Sem esconder a surpresa, a menina de Gabrovo imaginou como seria possível viver naquele parque, um lugar onde só os animais selvagens pareciam se sentir em casa. Imaginou-se dando boa noite às árvores antes de dormir e acordando coberta pelas folhas que não paravam de cair das árvores. Sentada em uma pedra, como se fosse a cadeira, diante de outra maior, como se fosse a mesa, imaginou-se almoçando e jantando flores, frutas e galhos secos que colhia do chão. Mas, entre as inúmeras coisas que lhe veio à mente, o que mais a intrigou foi pensar ter como únicos amigos os muitos animais esquisitos que imaginou existir naquela mata.

“Por que a mamãe nunca disse que a vovó morava em um parque?” - perguntou-se, Klara, pensativa, ao mesmo tempo que olhava ao redor.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.


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