terça-feira, 22 de agosto de 2017

POESIA: Intangível.


Preocupe-se com o que é intangível,
mas apenas um pouco,
e com o que não pode ser mensurado.
O intangível faz sentido na essência da vida,
da própria vida segredo inatacável.

Intangível que ressoa ao infinito,
o que, dentre tudo, não pode ser tocado.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

POESIA: O Que Toca o Coração.


O que toca o coração
é o que fala de mais perto,
é o que cochicha elogios gritando
e até o que elogia sem dizer nada.
É o que sempre está e estará certo!

Uma palavra de conforto,
como simples exemplo,
toca muito no coração.
Porque confortar faz bem, lembre-se!
O que melhor conduz, conduz pela emoção.

O que toca o coração,
a raiz profunda dos sentimentos,
é colocar-se perto, por dentro,
comprometido e inteirado.
De momento a momento, extasiado!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

POESIA: Café da Manhã.


Faz o café da manhã?
Com suco.
Iogurte de morango e geleia de goiaba.
Café com leite e bolo morno.
Também aquelas torradas,
as que você sempre diz que gosta!

Um café da manhã para dois!
Com tudo!
Te ajudo!
Exagero abertamente nos carinhos.
Lavo a louça!
Estaremos alimentados, mas famintos de amor!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

POESIA: Um Anjo me Disse.


Um anjo me disse
e logo o escutei.
Amores não são para sempre.
Estão no tudo da vida,
mas não valem como lei.

Amores são a passagem,
o anjo me disse e eu o escutei,
e também os passageiros!
Fazem mais plenos, felizes,
os momentos mais inteiros.

Disse, o anjo, para mim,
disse ainda tão sussurrante.
Saber amar é importante, filho querido,
é ser de fato inteligente.
Amores, então o “de repente”, disse.

Um anjo, no que disse do nada,
falou profundo em minha mente.
Amores são dos calmos, dos tranquilos.
Não aceitam pressa, nem tempo.
Vulnerável, apreendi logo o escutei.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

POESIA: Três Flechas.


Miro.
Me concentro.
Respiro.
Disparo a primeira flecha.
Erro estupidamente meu alvo.

Me concentro de novo.
Miro.
Respiro.
Disparo a segunda flecha.
Por muito pouco!

Respiro.
Respirando conscientemente.
Me concentro.
Disparo então a terceira flecha.
De coração para coração,
uma flechada certeira, apaixonada!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

POESIA: Casa Azul em Construção.


Uma certa casa azul.
Um jardim verde e florido nos fundos.
Em obra, em construção.
Aberta às moscas que buscam comida,
água limpa, sobrevoar o pão.
Muito antes, foram-se os indivíduos que nela moravam,
os anciãos.

E dois amigos de mesma língua.
E três irmãos de diferentes sangues.
Janelas, telhado e paredes invisíveis.
É a Casa do Infinito, eternamente em construção.

Uma certa casa azul do sim e do não.
Erguida em poucos meses, agora pintada de amarelo.
Jardim, no fim da obra, acimentado, já sem flores ou vida.
Rudemente fechada para os vizinhos, os mais próximos.
Amuralhada!
No entanto, aberta para os viajantes, os estrangeiros amigos.
Para as coisas do coração!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

POESIA: A Inocência das Crianças.


Olhe de perto a inocência das crianças
e veja como são curiosas, perfeitas, mesmo ora incompletas!
Em seguida, espie como a alegria da inocência é solta, especial,
como tudo parece se encaixar, superado, ter feito sentido!

Não existe nada igual na vida, pode acreditar!
Nada que se compare!
Elas tombam para trás não se aguentando de rirem das pequenas coisas do mundo.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

POESIA: O Instante da Vida.


A vida passa em um instante!
O instante da vida é mais que efêmero!
Passa em um instante, o tempo é importante!
Há de se viver as possibilidades, viver pleno!

Dê graças por tê-la, regozije!
Faça de ti persona serena!
Passa em um instante, a tua vida!
Cative amigos, supere velhos dilemas!

A vida passa em um instante!
Passageira imperfeita, por isso inteira!
Passa fácil sob os momentos, atravessa-os!
Corre entre os dedos sem pedir licença!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

POESIA: A Inspiração de Uma Poesia.


Diz o jargão, quase ditado,
jurado feito censo comum,
que a inspiração não vem de ler,
ou de escrever o quanto incansável,
a inspiração vem do próprio poeta.

Poeta que senta frente a folha de papel,
ou que se debruça sobre a tela,
e que se confessa e que se escreve em poesia.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

POESIA: Dicionário dos aa.


A do que há de bom.
A do que nem sempre está mais perto.
A do que vive no coração.
A dos sentimentos dispersos.

A do mais perfeito amor.
A do abstrato concreto.
A que se dissipa a dor.
A de um amor mais completo.

terça-feira, 25 de julho de 2017

POESIA: Mulatinho.



Sou mulato, mulatinho.
Mulato mais claro,
a cara não menos diversa do Brasil.

Mulato de muitos sotaques.
Mulatinho de diversos brasis.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

GRÁTIS: Primeiro Conto da Coletânea Quilômetro Cinza e Outros Contos de Cabeça.

Olá, amigos(as), hoje trago para vocês o primeiro conto de "Quilômetro Cinza e Outros Contos de Cabeça", de minha autoria. O conto dá nome ao livro. 
Espero que gostem e boa leitura aos que se atreverem a lê-lo!

Quilômetro Cinza (Um caso vampiro em São Paulo).

Escrito por Rob Camilotti.


Hiroilto foi sem destino então. Fincou a chave no carro, desobedecendo a advertência veiculada continuamente no rádio para que ficasse em casa dada à excepcionalidade do que ocorria com o tempo em São Paulo. - “Talvez, o clima esteja igual no mundo.” - pensou enquanto dirigia.

“Que está acontecendo?” - a neve caía torrencial ao longo da Bandeirantes, em flocos grossos, instalando o frio que não era menos aterrador. Foi percebendo que, enquanto dirigia, era literalmente o único em toda a cidade que havia tido a ideia de se atirar ao desconhecido, mas dirigiu o carro com cuidado em todo momento. Certa hora, Hiroilto parou ao avistar, no acostamento da marginal, um menino sozinho que não aparentava ter mais de dez anos. Deu duas pancadinhas no vidro do carro como quem o anunciava que podia se aproximar, só que o menino porém limitou-se a olhar em sua direção, dando a entender que não entendia o que Hiroilto queria. - “Ele vai morrer congelado se eu não tirá-lo de lá”. - abriu a porta do carro e se entregou ao frio.

A pista estava escorregadia por causa de uma crosta de neve que, com alguma rapidez, acumulava-se nas bordas, quase que se estendendo a um rio congelado. Tinha que ser mais ligeiro no resgate ao menino. - “Não tenha medo, garoto, deixa eu te ajudar!” - estendeu-lhe a mão enquanto caminhava, para que viesse ao seu encontro, porém, de novo, o menino não reagiu. Valente, no que se aproximou, Hiroilto envolveu o menino nos seus braços e o levou com ligeireza para dentro do carro. - “Que merda, Hiroilto!” - na pressa de socorrê-lo, Hiroilto esqueceu de fechar a porta ao sair do carro e uma boa camada de neve encobria todo banco do motorista. Com duas braçadas generosas, expulsou a maior parte da neve. Entrou no carro mesmo assim e colocou o menino sentado no banco do carona, ao seu lado.

“Ufa, que aventura hein?! Como se chama, garoto?”

O menino respondeu:

“CD.”

“CD?” - sorriu para o menino, que fez que sim com a cabeça. - “Prazer em conhecê-lo, CD. Vou levá-lo para casa, certo? Onde estão seus pais?” - Hiroilto não disfarçou a afeição que já sentia pelo menino.

CD não o respondeu. Em vez disso, lançou-lhe um olhar opaco, fosco, inabilitado de sentir. Hiroilto presumiu desse modo que o menino não tivesse os pais e que, justamento por isso, o encontrara na rua.

“Pobre garoto!” - exclamou baixo. Disse em seguida. - “Vamos ficar juntos até que a neve passe e depois te levo para uma delegacia. Quem sabe eles não te arrumam uns pais bem legais! Combinado assim, CD?”

CD o encarou com desinteresse. Deu-se a entender que, para ele, tanto importava o que fariam depois. CD tinha o rosto e as mãozinhas tão brancos que impressionavam fortemente Hiroilto, e cada vez mais.

“Está com frio?”

“Um pouco.” - CD respondeu.

“Coitadinho! Não se preocupe porque já estamos chegando. Vou te levar para casa.”

E Hiroilto passou-lhe as mãos nos cabelos, confortando-o. Ao fazer isso, se impressionou mais uma vez: os cabelos de CD estavam extremamente secos e sua pele, sem viço algum, ficava cada vez mais branca, diferente em comparação a qualquer outra que já havia visto, como a de um cadáver de um menino congelado. Em seguida, ao levar a mão ao nariz e cheirá-la, quase vomitou ao sentir um cheiro terrivelmente podre em um pouquinho de óleo que se impregnara na ponta dos dedos. Era como se houvesse acabado de passar a mão na carniça de um animal morto. Assustado, decidiu levar o menino direto para uma delegacia, invés de levá-lo para casa como o havia prometido.

“Estou com fome e eu quero comer agora.” - CD pôs as mãozinhas sobre sua barriga.

“Já estamos chegando em casa, CD.” - Hiroilto escondeu-lhe aonde verdadeiramente estavam indo. - “Aguente só mais um pouco, combinado?” - e foi acelerando o carro, mostrando pressa em se livrar do menino.

“Eu disse que eu quero comer agora, não me ouviu?”

O menino, antes indefeso, se revelou então. Ao olhar para o lado, Hiroilto foi tomado pelo horror. Criatura medonha, a cabeça de CD revelou-se peluda; as orelhas, os olhos, o nariz e os dentes fininhos lembravam os de um asqueroso morcego.

“Não precisa ser do jeito mais doloroso para você. Só quero um pouco de sangue. Vou transformá-lo.”

“Vá embora, demônio!” - Hiroilto enfiou o pé no freio.

Com toda calma possível, CD, pequeno conde vampiro, foi se aproximando lentamente do homem, que, já em paz e a vontade com seu destino, sentiu cravar os dentinhos na jugular.

“Só uma dose do seu sangue.”

FIM


O conto “Quilômetro Cinza” é a primeira de dezesseis surpreendentes histórias que fazem parte da coletânea à venda na Amazon. Você pode comprar o eBook clicando AQUI e o livro impresso você compra AQUI
Adquiram! Vamos apoiar a literatura nacional!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

POESIA: Âmago do Ser.


O Centro do meio da alma,
o seio mais íntimo,
o âmago e a razão de existir.

O âmago de ser o que se pode ser,
o cerne enquanto verdade, porvir.

Âmago do Ser.
Real razão do existir.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

POESIA: Amalucado.


Um tanto descucado, lunático, aluado,
me vejo amalucado então.
Destino do meu destino perdido,
os pés separados do chão.

Maluco, um sentimento amalucado,
guiado apenas pelo espírito,
perigosamente divorciado da razão.

Amalucado:
avoado, coração sem razão.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

POESIA: Certa Estranheza.


Não estranhe a minha estranheza!
Só estranho o que não vejo realeza.
Ao meu conceito e reles direito,
não me estranhe, somos todos estranheza!

Estranhos?
Não se estranhem!
Viva a estranheza!

terça-feira, 18 de julho de 2017

POESIA: O Carvoeiro.


O Carvoeiro guloso comeu a montanha.
Comeu a montanha e tudo que havia nela.
A copa das árvores, os passarinhos, os esquilos,
comeu a montanha que eu admirava pela minha janela.

O Carvoeiro malvado não teve pena da montanha.
Embuchou até mesmo o que tinha debaixo da terra.
As minhocas, os ossinhos, as caixinhas de segredos das meninas,
levou junto a cidade e o pouco do resto dela.

O Carvoeiro e todos os outros da companhia.
No início achava que ele não gostava de mim.
Depois vi que ele não era mau e nem guloso.
O Carvoeiro era parte de uma tal economia.
Comeu a montanha porque encontrou ouro e outras pedras.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

POESIA: Fórmula da Vida vs. Fórmula do Amor.


Por quem vive demais,
por quem desama de menos,
a vida antecede o amor,
amor dos vivos e dos plenos.

Por quem desama demais,
por quem vive com menos,
conseguem ser mais considerados, felizes,
os que navegam seguros, no sereno?

Amando a mais
e desamando demais,
a vida e o amor:
duas fórmulas perfeitas que se complementam!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

POESIA: Paz. Desassossego.


Gritos.
Falas.
Discursos.
Palavras perdidas.
O desassossego que corrói minha paz.

Gestos.
Olhares.
Denúncias.
Afagos obscenos.
Vence o mais forte, quem pode mais.

Bastante, mas nada que preencha meu desassossego!
Muito, mas nada que garanta minha tão frágil paz!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

POESIA: Pena Amarela.


Sim, senta e escreva o meu nome!
E use ao escrevê-lo uma pena amarela!
Na mão, a pena e todas as tintas de uma aquarela!
Traços sutis, otimistas, a sua escrita mais bela!

No papel mais nobre, a cor azul da Terra!
Na segunda das linhas, no meio ou na beira,
o importante é que escreva com sua escrita mais bela!
Uma escrita que lembre a infância e que dela retome!

Escreva com capricho!
O capricho natural de uma pena amarela!

terça-feira, 11 de julho de 2017

POESIA: Peripatético (Significado).


Me diga e me faça um favor!
Todos na sala, o significado de peripatético?
O que ainda não aprendeu a falar direito?
Quem nunca se lembra de nada?
Ou é aquele que, sem saber se sabe de nada ou não,
vive apontando o dedo para o próprio nariz?
O que Gesticula!

Peripatético, só ele,
um artista de si próprio.
E também um dançarino de mãos!
Peripatético, sempre ele,
perspicaz na ação!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

POESIA: Sorte Comportamental.


A distração enquanto inimiga das sortes
desleixa o que é bom, as boas novas.
Distração, uma forma de desleixo.
Bons comportamentos trazem boas novas.

A sorte é ativa e necessita atenção,
atenção de quem se preocupa, gerando mais sorte.
Sorte que reproduz e se afilia a outras sortes,
uma necessidade comportamental da gente astuta.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

POESIA: Arco-íris Repentino.


De repente, aqueles arcos no céu.
Riscos coloridos avivando nuvens.
Como se aquarelado em um céu azul de papel,
miragem, sete cores, iluminado arco-íris.

De repente, um arco-íris no céu.
Um céu claro a iluminar jardins floridos.
Como se miragem em um modesto período,
pimposo, a repentina beleza de um arco-íris.

Arco-íris, traços belos mas repentinos.
Arco-íris, riscos iluminados e coloridos.
Inegável tesouro dos Céus à Terra,
um generoso arco-íris repentino.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

POESIA: Flor da Juventude.


Impetuoso, ingênuo e inocente,
um jovem dos muitos a desafiar o mundo.

A desafiar o mundo ainda que inseguro,
eternamente jovem e um bobo descobridor do tudo.

Desbravador, um esbravejador,
sendo tolerado enquanto na flor da juventude.

Jovem carente de compreensão para com o mundo,
espinho e delicada flor no jardim encantado da infinitude.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

POESIA: Coração em Festa.


Testemunha-se sentido em tudo que existe
na alegria de um coração em festa.
Satisfações mil de uma felicidade aparentemente sem motivo,
às coisas da vida que, de fato, interessam.

Alegria desmedida, asseverada, feliz,
um realizado e sereno coração em festa.
Faz-se a pergunta uma vez mais:
Que é que em sua vida carece a pressa?

terça-feira, 4 de julho de 2017

POESIA: Descontrole o Tempo!


A vida se vivida sem controle,
tem sua marcha marchada ao relento.
Mantenha-se no controle e descontrole o Tempo!

Solitária, misteriosa, vez ou outra imprecisa.
Se mais ou se menos, ainda na via da vida,
vida admitida viva também nos contratempos!

No final, o que importa é que se viva,
que se marche a cada tempo,
seja ela amparada na fé e assim sendo!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

POESIA: O Homem e o Cérebro.


Muito cérebro, pouco homem,
pouco homem com muito cérebro.
Memória viva, desalentado no tédio,
pelo cérebro aos cérebros.

Cérebros e cérebros,
um desalento sempre inédito.
Muito aos homens,
os insubstituíveis homens do tédio.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

POESIA: Cerimonial de Velas.


A primeira vela jaz acesa.
Faiscante, luminosa, símbolo de pureza.
Vela acesa, beleza no centro da mesa!

A segunda vela jaz acesa.
Vela simples, esguia, com alguma tristeza.
Expressiva. Inclinada. Um suave tom turquesa.

A terceira também jaz acesa.
Pouco antes do jantar posto nos pratos.
Vela rebuscada, chama azul e vermelha.

A quarta vela a ser acesa
quase não havia mais tanta beleza.
Perto do fim de um jantar,
de três velas acesas na mesa.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

POESIA: Tristeza e Angústia.


Nos domínios do coração,
o incomodo de um enorme vazio.
Da falta à consternação,
angustiado na tristeza de quem partiu.

Nos domínios do peito,
só tristeza, angústia,
só lembranças, relatos e memórias.
Um esvaziado coração vazio!

quarta-feira, 28 de junho de 2017

POESIA: Medos Obscuros, Medos de Tudo.


Me defronto com um medo de tudo,
de um medo de tudo e do inseguro.
De nunca ter o que tanto me falta.

Medo de que me falte o mundo.
Na falta de Luz, de viver no Escuro.
De perder o que ainda nunca tive.

Medos, esses, que sei que tenho!
Dos medos, os mais obscuros!
Se inseguro, o próprio medo do medo!

terça-feira, 27 de junho de 2017

POESIA: Imaginatório.


Palavra que hoje criei,
a palavra imaginatório.
Criação. Fabricatura. Em português!
Imaginada tal como fabricatório.

A palavra imaginação.
A palavra sanatório.
Fabricação de imagens por conclusão.
Imaginação do dito imaginatório.

Imaginar é uma forma de ação.
Palavrório inventado, ilusório.
Criada de um instante comum,
de um instante fugaz, de um imaginatório.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

"Os Irmãos Karamázov" por Flávio Ricardo Vassoler (VÍDEO).


Flávio Ricardo Vassoler e escritor e professor, doutor e mestre em teoria literária e literatura comparada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, com estágio doutoral junto à Northwestern University, nos Estados Unidos. É autor de Tiro de Misericórdia e O Evangelho segundo Talião, e organizador do livro de ensaios Fiódor Dostoiévski e Ingmar Bergman: O niilismo da modernidade. No vídeo baixo, Vassoler conseguiu apresentar de forma clara e generosa Os Irmãos Karamázov, do escritor russo Fiódor Dostoiévski, como poucos poderiam.

Sobre a obra...

Os Irmãos Karamázov foi escrito em 1879 e publicado no ano seguinte. Trata-se de uma narração muito pormenorizada de fatos aludidos em uma cidade afastada russa. O narrador pede constantes desculpas ao leitor por não saber alguns destes fatos, por considerar a própria narrativa longa - o livro passa de 700 páginas! - e por considerar seu herói alguém pouco conhecido ou, até mesmo, insignificante. A narrativa não só conversa com o leitor, mas é omnipresente e também indica ou infere os pensamentos dos incontáveis personagens. Provavelmente o nome Karamázov foi forjado a partir de "kara", que significa castigo ou punição, e do verbo "mázat", que significa sujar, pintar, não acertar.

Super recomendo! Dou nota mil, haha!


domingo, 25 de junho de 2017

POESIA: O Caso da Borboleta.


Era branca, cinza e uns poucos tons de amarelo.
Uma borboleta pousou distraída em meu jardim.
Não era muito pequena, tampouco grande.
Tinha o tamanho pouco maior que um nariz.

Borboleta sorriu para mim logo me ouviu.
Borboleta estranha, engraçada e esquisita.
Não queria mais voar, era dela o meu jardim.
Borboleta com cabeça de prego, patinhas de formiga.

Certo tempo passado, abri a janela e me apresentei:
Olá, Dona Borboleta! Sou Joãozinho e quem é você?
No que a borboleta branca, cinza e amarela me viu,
ameaçou voar, mas só depois que respondeu:
Eu, hein, mas que garoto enxerido! Não é problema seu!

sábado, 24 de junho de 2017

POESIA: A Humanidade em Mim.


Uma luta que não para nunca,
o meu bem contra o meu mau.
Duas forças, uma conduta.
De cada dia, um agora incondicional.

Uma luta sutil e comigo mesmo,
me conformo, me reformo, me faço legal.
Um ser melhorado, moral mutante.
Um pouco menos pior, fortificando-me pela moral.

Nestes momentos cheios de dúvida, me faço a pergunta:
Qual minha parcela de culpa para com a humanidade?
Porque sempre há!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

POESIA: Que Deus me Leve!


No dia em que os dias forem mais noturnos que as próprias noites,
em que os valores não importarem mais,
que Deus me leve e que faça de mim a Sua vontade!

No momento em que a consciência do todo se curvar à tirania de um,
em que as nações abdicarem por completo da solidariedade,
que Deus me leve e que faça de mim o Seu instrumento!

No tempo em que a intolerância e o ódio perdurarem por gerações,
em que a esperança estiver totalmente desacreditada,
que Deus me leve e que comigo eleve o que sobrar do mundo!

No momento em que, dos dias, tempos e momentos, só se sentir um gosto amargo,
em que mais nenhum sorriso decorar a face inocente de uma criança,
que Deus me leve e que não viva mais absolutamente nada em mim!
Porque neste dia só terá sobrado o tudo/nada do nada.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

POESIA: Destrato. Contrato. Distração.


Inaceitável destrato.
Ao assinar o contrato,
abusou da distração.

O malandro e um falso contrato.
Distração, mas não um crime de fato.
Tudo mais que se sucedeu, sucedido com destrato.

Seria esse O Crime de Contrato?
Proibido o destrato?
Mesmo que assinado por mera distração?
Carecem-se atos. Ação!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

POESIA: Capitalismo Selvagem.


Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro!
Uma sociedade na construção.
Mercados que vivem de desespero.
Progresso e fracassos de uma nação.

Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro!
Caminho longo e faltoso da condição.
Pobreza e misérias ante o espelho.
Histórias de sucesso, vã inspiração.

Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro!
A resistência contra a solidão.
Princípios carentes de um roteiro.
Acumulando e lucrando, na contramão!

Dinheiro? Dinheiro? Dinheiro?
Relative o valor, somos todos irmãos!
Juntos à vida, mais fortes e inteiros.
Capitalismo: cela, carceragem, prisão.
Selvageria: onde tudo se pode acima do não.

terça-feira, 20 de junho de 2017

POESIA: Primavera das Neves.


Primavera das Neves.
Vera Neves Pedroso.
Primavera Ácrata Saiz das Neves.

Primavera das Neves.
Pelas heroínas e pelas primeiras.
Por todas as sem-nomes.
Por todas as Veras!

Primavera das Neves.
Tradutora, escritora, jornalista.
Anarquista? Sufragista?
Primavera!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

POESIA: Dissidência.


Tão centralmente no centro
e inteirados com os de fora.
Dissidência dos separados, dos divergentes,
dentro e fora.
Dissidência dos que dissentem,
discordados à História.
Dissidência dos que não se contentam
e se aforam da mais rasa retórica.

domingo, 18 de junho de 2017

POESIA: Me Convence?


Chega junto,
desejo-lhe sorte,
quero ver se me convence.

Chega junto,
mas vem na paz,
vem o suficiente para me dizer se o que diz,
diz com fundamento.

sábado, 17 de junho de 2017

POESIA: Literatura Oral.


O momento na história.
Literatura oral,
narrativa contada.

Passagens tiradas da vida.
Leituras da memória,
leituras inventadas.

Os personagens?
Literatura.
Vida!

Oralidade?
Expressão!
Memoriada.
Da fala falada!

Todos os Marcadores do Blog!

A Despedida (3) A Graça em Um Bule (1) A Humanidade em Mim (1) A Inocência das Crianças (1) A Inspiração de Uma Poesia (1) A Menina de Gabrovo (49) A Nacionalidade da Matemática (1) A Queda do Balonista (2) A Sabedoria de Ser Jovem (1) A Segunda Queda do Balonista (2) Abaixo o Novo Homem das Caverna! (1) Advertência! (1) Albert Camus (1) Âmago do Ser (1) Amalucado (1) Ambicionar é Bom! (1) Amor Ordinário (1) Aninha Dona Fada e os Sapatinhos de Brilhantes (1) Arco-íris (1) Areias do Tempo (1) Asco (1) Atalho (1) Banquete Cigano (3) Baruch Espinoza (1) blogs parceiros (7) Boris e a Menina de Razgrad (3) Cacareco (1) Café da Manhã (1) Calendário (1) Camisa de Força (1) Capitalismo Selvagem (1) Casa Azul em Construção (1) Cem Anos de Solidão (1) Cerimonial de Velas (1) Certa Estranheza (1) Céu de Balões (2) Chamamento (1) Cidade Azul (1) Cinema Mudo: Pequeno Tributo à Chaplin (1) Clarice Lispector (1) Clóvis de Barros Filho (1) Como Surge Um Ignorante (1) conteúdos especiais (2) contos (1) Contracultura (Bob Dylan) (1) Copo de Vidro (1) Coração em Festa (1) Corpo Estranho (1) Criançada na Rua (1) crônicas (6) Daquele Jeito (1) Democracia Matemática (1) Depois da Fronteira (1) Descomplique-se! (1) Descontrole o Tempo! (1) Destrato. Contrato. Distração. (1) Dicionário dos aa (1) Disfarce ou Fantasia? (1) Dissidência (1) Dois Papagaios (1) Domingo de Páscoa (1) Duelo de Facas (1) Duvide! (1) É Hora da Luta! (1) Enquanto Você Dorme (1) Então S morreu (1) entrevistas (15) Estrela Azul (1) Fausto (1) Faz-se Uma Revelação (1) Felicidade Esperada (1) Fetiche (1) Flávio Ricardo Vassoler (1) Flor da Juventude (1) Forçosamente (1) Fórmula da Vida vs. Fórmula do Amor (1) Franklin Leopoldo e Silva (1) Friedrich Nietzsche (1) Gabriel García Márquez (1) Gênio da Alma (1) Goethe (1) Guimarães Rosa (1) Há Sempre Um Alguém! (1) hangouts (1) Hannah Arendt (1) Hipnose do Desamor (1) histórias infantis (3) Hoje Tem Palhaçada? (1) Hora da Verdade (1) Identidade Nova (1) Imaginando Como Seria (1) Imaginatório (1) Imposição do Eu (1) Intangível (1) Invenção da Saudade por Outros Nomes (1) Joana Rodrigues (1) Jogo da Conquista (1) José Garcez Ghirardi (1) Leandro Karnal (1) Literatura Oral (1) Luís Mauro Sá Martino (1) Luiz Felipe Pondé (1) Magricela Revanche e os Meninos da Rua (1) Manifestos da Infância (Série) (3) Marcus Mazzari (1) Mastigado Pelos Nervos (1) Mau Agouro (2) Mauricio Marsola (1) Me Convence? (1) Medos Obscuros Medos de Tudo (1) Meio Rato Meio Gato (1) Michel Foucault (1) Morte Social (1) Muito Poder Em Um Segundo (1) Mulatinho (1) Napoleão e o Muflão Francês (3) Negritude Distraída (1) Ninguém é tão forte assim (1) novidades (1) novos autores (1) O Carvoeiro (1) O Caso da Borboleta (1) O Contraditório da Humildade (1) O Coração de Natalina (1) O Cortejo (1) O demônio dentro da gente (1) O Dilema de Klara (3) O Estrepe (1) O Homem e o Cérebro (1) O Instante da Vida (1) O Interrogatório (3) O Ovo e a Tartaruga (1) O Prazer do Cuidado (1) O Quadro Misterioso (3) O Que Toca o Coração (1) O Resgate de Lazar (3) O Tomateiro (3) O Vale dos Órfãos (2) Os Irmãos Karamázov (1) Os Segredos do Gozo (1) Osvardo: Terra dos Pedros (1) Oswaldo Giacoia Junior (1) Outono de Oitenta (1) Paixão Acidental (1) parcerias (1) Paz. Desassossego. (1) Pedaço de Pão (1) Pedro o Muflão da Montanha (3) Pedro Paulo Braga de Sena Madureira (1) Pena Amarela (1) Pensamento Livre (1) Percepção e Compreensão (1) Peripatético (Significado) (1) poesias (133) Poética do Morro (1) Pontas Soltas (1) Povo Bobo de Novo (1) Primavera das Neves (1) processo criativo (1) psicanálise (1) Quando Ainda no Tempo (1) Quase Tudo! (1) Que Deus me Leve! (1) Que é Que é o Parlamento? (1) Que tal? (1) Quem Somos Nós? (12) Quente e Frio (1) Quilômetro Cinza e Outros Contos de Cabeça (1) Reação em Cadeia (1) Refugiados do Pão (1) Relações Destrutivas (1) Renúncia Estrangeira (1) resenhas (7) Respiração. Expiração. Inspiração. (1) Revolução do Sexo Próprio (1) Roda Viva (1) Sapo Sábado no Sapato (1) Scarlett Marton (1) Segredos da Poesia (1) Senhor Polvo Castilho e as águas-vivas (1) Senta e Escreva (1) Sigmund Freud (1) Significado e Significância (1) Singeleza! (1) Solidão Acompanhada (1) Sorte Comportamental (1) Sou Desses (1) Sou Frágil (Ou Não) (1) Tangerina (1) Telefone Sem Fio (3) Três Carências da Vida (1) Três Flechas (1) Tristeza e Angústia (1) Trump. Nove de novembro. Um dia depois do Engano (1) TV Cultura (1) Um Anjo me Disse (1) Um Livro (1) Um pouco do que penso a respeito de Machado de Assis (1) Um Shakespeare que só farfalhava o melhor português (1) Uma Declaração (1) Uma Experiência (1) Velislava a Raposa de Fogo (3) Verbo Amigo (1) Viagem Inesquecível (3) vídeos (14) Vovó Yordanka (3) William Shakespeare (2) Zygmunt Bauman (1)