segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Manifestos da Infância: Senhor Polvo, Castilho e as águas-vivas.


Em meio a um silêncio completo, Senhor Polvo repousava em sua toca no fundo do mar e nada o preocupava, pois não havia nenhum predador ou ameaça por perto. Descansava tranquilo e preguiçosamente, no entanto, seu descanso não durou muito. Um certo camarãozinho minúsculo se aproximou da toca como quem parecia visitar um parque de diversões.

O camarãozinho se chamava Castilho.

“Senhor Polvo, você está aí?” - ele perguntou sem esperar resposta. E invadiu a toca, dizendo. - “Não se preocupe comigo porquê eu já estou chegando.” - tão rápido entrou, viu o polvo com os olhos fechados e seus oito braços, um abraçado com o outro, e não hesitou em despertá-lo. - “Ora, não seja tão preguiçoso assim!” - exclamou enquanto o observava dormir. - “Vai, seu molenga, acorda!”

O dia, fora da toca, estava lindo no fundo do mar: os peixinhos, as ostras e os moluscos brincavam alegremente. Contudo, nada parecia motivar o molusco dorminhoco a interromper seu descanso.

“Ainda está muito cedo.” - respondeu, Senhor Polvo, sem sequer movimentar um braço. - “Vou dormir só mais um pouquinho.” - disse.

“Chega de dormir!” - persuadiu, o insistentemente camarãozinho. Justificou. - “O dia está bonito demais para você ficar, aqui, nessa toca escura e fria.” - ele se aproximou um pouco mais do polvo e o repreendeu. - “Deixa de preguiça, já passou da hora de acordar!”

Senhor Polvo pareceu nem mesmo tê-lo ouvido. Permaneceu encolhido em sua toca no que Castilho continuou insistindo.

“O que vamos fazer no dia de hoje?” - perguntou, o camarãozinho, que o convidou. - “Estava pensando que a gente poderia procurar os peixes piratas no recife. Vai ser muito legal!”

Era bastante comum ver os peixes piratas por lá. Longe de serem maus, eram muito corajosos, aventureiros e rebeldes, sem falar da fama de heróis que ganharam por defenderem os bichos mais fracos dos valentões e grandalhões que viviam pelo fundo do mar. Em geral, a bicharada gostava dos peixes piratas. Reza a lenda que, certo dia, ao avistarem uma ostrinha encurralada por um bando de tubarões bárbaros, eles não apenas expulsaram os tubarões como todos demais valentões que existiam no recife para sempre. Lenda ou não, os tubarões não nunca foram vistos nadando por aquelas bandas. Castilho não se cansava de repetir essa história para Senhor Polvo, que, convicto de que não conseguiria voltar a dormir, aceitou o convite do amiguinho.

“Está bem, eu vou com você.” - disse, ele, levantando imediatamente uma ressalva. - “Mas se a gente não achar os peixes piratas eu volto para a minha toca e você faz de conta que eles nunca existiram. Entendeu o que eu disse?” - perguntou. - “E vai me deixar dormir o quanto eu quiser.”

Demonstrando então que concordava com a ressalva, o camarãozinho limitou-se a dar um sorriso vitorioso.

“Combinado!” - exclamou.

Não demorou para que deixassem a toca, antes, porém, Senhor Polvo, curioso, quis saber:

“Por que você está com tanta pressa em procurar os peixes piratas? Ainda está cedo. Não podia deixar para um pouco mais tarde?”

Castilho não escondeu a surpresa com a pergunta. Havia se esquecido completamente de que nunca contara seu grande sonho ao melhor amigo.

“Você ainda não sabe?” - encarou Senhor Polvo com olhar de enorme importância. - “Quero ser um pirata.” - revelou, o pequeno camarãozinho, que ainda concluiu. - “A partir de hoje pode me chamar de Castilho, o Camarão Pirata.”


* * * * *

Assim que deixaram a toca, Senhor Polvo e Castilho seguiram em direção ao recife.

O camarãozinho se mostrava ansioso em encontrar os peixes piratas, já Senhor Polvo, embora externasse ceticismo diante dessa possibilidade, intimamente, não conseguia esconder a expectativa de que eles pudessem de fato existir.

Castilho confidenciou ao amigo:

“Sabe, faz tempo que eu não vejo a hora de a gente encontrar eles.”

“Tomara que sejam legais.” - emendou, o polvo, que volta e meia bocejava de sono.

Foi quando atravessavam os destroços de um navio de pesca naufragado e chegavam perto do recife que ouviram então um som que se assemelhava a um choro agudo.

“Que barulho estranho é esse?” - Senhor Polvo chamou a atenção do camarãozinho. Perguntou. - “Você não está escutando?”

“Um barulho?” - Castilho não ouvia nada. - “Que você está ouvindo?” - indagou-o.

O som de choro soava bem fraquinho, quase inaudível.

“Tem alguém chorando.” - respondeu, Senhor Polvo, cada vez mais convencido de que escutava o que escutava. O molusco dorminhoco voltou a perguntar. - “Não está ouvindo nada, tem certeza?”

Castilho ficou em silêncio na tentativa de escutar o tal choro. O choro continuava bem fraquinho, difícil de ouvir portanto, até que, em certo momento, o silêncio do camarãozinho valeu a pena.

“Agora eu estou ouvindo!” - comemorou, mas logo minimizou a preocupação do amigo. - “Deve ser alguma lagostinha boba chorando, nada demais. Acho melhor a gente seguir em frente.”

Estava com pressa de encontrar os peixes piratas, mesmo assim Senhor Polvo foi insistente.

“Seguir em frente, tem certeza?” - perguntou. - “A gente não está fazendo nada que seja muito importante para não poder ajudar. Isso não é o correto e nem o legal a se fazer. Um pirata de verdade ajudaria quem precisasse de ajuda.”

Depois de reclamar baixinho durante alguns instantes e ver que não conseguiria convencer o amigo de continuar, Castilho concordou em ajudar então.

“Está certo, a gente vai ver quem é que está chorando.” - resmungou, dizendo. - “Pirata que é pirata nunca nega socorro a quem precisa.”

Senhor Polvo e o camarãozinho ficaram quietos a fim de escutar de onde vinha o choro. Perceberam que não vinha de muito longe, apesar de soar baixinho, e, ao seguirem o som, se depararam com uma pequenininha água-viva.

“Por que você está chorando?” - prestativo, Senhor Polvo perguntou.

“Porque eu estou com medo.” - a pequenininha respondeu.

O camarãozinho, por sua vez, também demonstrou presteza assim que a viu chorando.

“O que aconteceu?” - quis saber. - “Alguém te machucou?”

“Não.” - respondeu, a água-viva, que ainda chorava. Disse logo em seguida. - “Ninguém me machucou, eu estou bem. Eu só estou triste porquê me perdi.”

“Se perdeu?” - perguntou, Castilho.

“Sim.” - ela confirmou. Ao suspirar profundamente, não refutou em explicar. - “Eu estava nadando junto com o meu grupo de águas-vivas quando veio uma correnteza e me levou para longe. Eu não sei onde eles estão agora.”

Ao dizer isso para o polvo e o camarãozinho, a água-viva abriu um imenso berreiro.

“Não precisa mais chorar.” - tranquilizou-a, Senhor Polvo, prometendo. - “A gente vai te ajudar.”

“Isso mesmo.” - emendou, Castilho. - “Pode contar com a gente.”

A água-viva, após externar agradecimento pela ajuda, perguntou:

“Vocês prometem?”

“Lógico que sim!” - exclamou, Senhor Polvo.

“A gente vai te ajudar.” - garantiu, Castilho.

A essa altura dos acontecimentos, o camarãozinho quase não se lembrava mais dos peixes piratas. Ele, Senhor Polvo e a pequenininha começaram a procurar as águas-vivas prontamente.


* * * * *

O polvo se mostrava tão orgulhoso e, de alguma forma, tão recompensado em procurar as águas-vivas que não parava de fazer perguntas na busca de informações ou pistas que pudessem ajudá-los.

“Faz muito tempo que você se perdeu?”

“Não, eu acho que não.” - a pequenininha respondeu, ligeiramente confusa.

“Você se lembra como era o lugar onde estava quando se separou do grupo?”

Pensativa, a água-viva ficou quieta durante quase um minuto.

“Eu não me lembro muito bem, mas acho que não era diferente do local que vocês me encontraram chorando.” - disse em tom de reflexão. - “Era até bem parecido. A correnteza não deve ter me levado para muito longe do meu grupo. Eles devem estar perto da gente e ainda devem estar procurando por mim.” - a água-viva encarou Senhor Polvo, Castilho e perguntou. - “Vocês vão continuar me ajudando a procurá-los, não vão?”

“Não precisa ficar preocupada com isso.” - tranquilizou-a, Senhor Polvo, assegurando. - “A gente prometeu que iria te ajudar a reencontrá-los e é justamente isso que a gente está fazendo.”

Senhor Polvo e o camarãozinho logo perceberam que ajudar a pequenininha água-viva não seria uma tarefa das mais fáceis. O fundo do mar, além de bonito, exuberante e misterioso, é também imensamente extenso e fácil de se perder, porém, esforçados, mantiveram a promessa. Por quais motivos não ajudariam a pobrezinha? Um pirata de verdade ajudaria.

Se enfiando entre os corais, Senhor Polvo se preocupava em olhar com atenção em toda a parte, mas não achou nenhum rastro que os levassem até elas, já Castilho e a pequenininha água-viva nadavam lentamente, sem pressa. Foi então que uma certa tartaruga, que nadava em sentido oposto, veio ao encontro dos três. Senhor Polvo e o camarãozinho a reconheceram imediatamente.

“Olá, Velha Tartaruga.” - cumprimentou-a cordialmente, Senhor Polvo. - “Como vai indo?” - perguntou.

“Eu vou bem, obrigada.” - respondeu, a tartaruga, que viu a água-viva próxima de Castilho e perguntou. - “E essa pequenininha aí, quem é?”

Envergonhada, a água-viva não externava qualquer atitude diante da Velha Tartaruga e Castilho, percebendo sua timidez, apressou-se em apresentá-la:

“Ela é nossa nova amiguinha.” - disse. - “A gente a encontrou chorando perto dos corais.”

“Ela está perdida.” - acrescentou, Senhor Polvo. - “A senhora, por acaso, não viu um grupo de águas-vivas flutuando por aqui, viu?”

A Velha Tartaruga, com ar de estranhamento, encarou o polvo e respondeu sem convicção:

“Águas-vivas? Embora elas sempre passem por aqui acho que hoje não vi nenhuma. Bom, não me lembro mais e já não tenho tanta certeza. Por que você está me perguntando isso? Me deixou curiosa.”

O camarãozinho e a água-viva se entreolharam, desapontados não apenas com a resposta mas com a pergunta.

“Nossa amiguinha se perdeu do seu grupo.” - respondeu, Senhor Polvo, olhando carinhosamente para a pequenininha água-viva. - “A gente está ajudando ela a reencontrar as outras águas-vivas.” - voltou a perguntar. - “Tem certeza que não viu nenhuma água-viva flutuando por aqui?”

Nesse meio tempo, Castilho e a pequenininha água-viva limitavam-se em observar a tartaruga com uma atenção que só se fazia aumentar. Tinham expectativa de que ela oferecesse alguma informação que os levassem até as outras águas-vivas. A Velha Tartaruga pensou, repensou e só na sequência respondeu a pergunta de Senhor Polvo:

“Ah, sim, agora me lembrei!” - exclamou, finalmente dizendo. - “Eu vi um grupo de águas-vivas flutuando por aqui sim. Elas realmente pareciam procurar alguém. E estavam com pressa.”

A pequenininha água-viva não escondeu sua extrema felicidade com a informação.

“Ouviram, elas estão me procurando!” - comemorou e, rapidamente, quis saber. - “Por que disse que elas estavam com pressa?”

“Bom, isso eu não sei.” - a tartaruga respondeu. - “Não pude perguntar. É que a pressa delas não pareceu ser nada grave para mim, então, não me preocupei. Me desculpe.”

“A senhora viu em que direção as águas-vivas foram?” - Castilho a indagou.

“Ah, sim, elas foram para o norte.” - indicou, a tartaruga, completando. - “Elas foram na direção da Grande Rocha, onde ficam os mexilhões.”

Ao terminar de ouvi-la, a pequenininha água-viva, no mesmo instante, olhou, esperançosa, para o camarãozinho Castilho, que não hesitou em abrir um discreto sorriso, contente com a informação.

“Obrigado, velha amiga.” - agradeceu, Senhor Polvo, desejando. - “Tenha uma boa viagem!”

“De nada, foi um prazer ajudar essa criaturinha adorável.” - respondeu, a tartaruga, que olhou para a água-viva sem esconder a satisfação em ter conseguido ajudá-la. - “Boa sorte e tomara que vocês encontrem as águas-vivas que procuram!” - desejou-lhes.

Depois disso, a tartaruga seguiu por um caminho, já Senhor Polvo, Castilho e a pequenininha água-viva, cheios de entusiasmo, seguiram por outro, rumo a Grande Rocha.


* * * * *

Duas coisas se faziam certas enquanto procuravam: a pequenininha não conseguia disfarçar a ansiedade de reencontrar seu grupo e a expectativa dos três não parava de aumentar.

Foram então direto para a rocha dos mexilhões, no entanto, não demorou para que avistassem Gentil, um tubarão-martelo que vinha nadando ao encontro deles.

“Olá, pessoal, como vão?” - cumprimentou-os, o tubarão.

Assim como a Velha Tartaruga, Gentil também pareceu conhecer o polvo e o camarãozinho.

“Olá, Gentil!” - Senhor Polvo retribuiu o cumprimento. - “A gente está bem, obrigado.” - respondeu.

“Olá!” - emendou, Castilho, monossilábico.

Imediatamente após cumprimentá-los, Gentil percebeu a presença da pequenininha água-viva, que flutuava ao lado do camarãozinho, e percebeu também que ela estava receosa e com um certo medo claramente causados pela sua presença.

“Não vai me apresentar?” - em tom afetuoso, o tubarão-martelo perguntou para Castilho.

De pronto, o camarãozinho a apresentou:

“Ela é nossa amiga.” - disse. - “Ela se perdeu do seu grupo e a gente está ajudando a se reencontrarem.”

“Isso mesmo.” - emendou, Senhor Polvo. Logo em seguida, perguntou ao tubarão-martelo. - “Por acaso, você não viu uma água-viva flutuar nessas águas do mar, viu?”

Como se não houvesse escutado a pergunta, Gentil imediatamente voltou as atenções para a pequenininha, mostrando a mesma preocupação que todos externavam quando ficavam sabendo da sua história.

“Você está sozinha?” - perguntou.

“Aham.” - timidamente, a pequenininha água-viva limitou-se a responder. - “Sim, eu estou.”

“Não se preocupe porque eu vou te ajudar.” - prometeu, o tubarão-martelo.

Nem terminou de ouvir a promessa, a pequenininha água-viva olhou para Senhor Polvo e para Castilho, desconcertada. Todo mundo havia prometido a mesma coisa e, até aquele momento, ela não reencontrara seu grupo.

Senhor Polvo interveio, indagando Gentil:

“Então você sabe aonde as águas-vivas foram? Sabe onde elas estão?”

“Sim, eu sei.” - o tubarão-martelo respondeu, prestativo. - “Elas foram para a rocha dos mexilhões. Estão lá com certeza.”

“Você pode levar a gente até elas?” - foi a vez de Castilho perguntar.

O camarãozinho o ouvia com muita atenção.

“Lógico que posso!” - Gentil exclamou. Referindo-se a pequenininha água-viva, disse-lhes. - “Será uma enorme alegria para mim ajudá-la a reencontrar o seu grupo.”

Assim sendo, o tubarão-martelo se juntou ao Senhor Polvo e ao camarãozinho na nobre missão que assumiram. Não lhe custaria nada ajudar a pobrezinha. Ele deu meia-volta e foi nadando na frente dos três, indicando-lhes o caminho.


* * * * *

Nadaram relativamente pouco para que chegassem na Grande Rocha, que, conforme imaginavam, encontrava-se coberta de mexilhões.

Castilho, Senhor Polvo, Gentil e também a pequenininha não conseguiam avistar qualquer coisa que indicasse a presença das águas-vivas, mesmo olhando em volta e atentos a tudo que avistavam.

“Eu não estou vendo elas, Gentil.” - disse, Castilho, perguntando ao tubarão-martelo. - “Você está vendo as águas-vivas?”

Antes que Gentil pudesse responder, a pequenininha água-viva percebeu uma movimentação em um canto da rocha. Era uma água-viva do seu grupo que brincava de pique-esconde, despreocupada e rodeada pelos mexilhões.

“Eu estou aqui!” - chamou-a.

Senhor Polvo, Gentil e Castilho encararam a água-viva no mesmo instante, claramente sem entender o motivo do seu chamado.

“Que houve?” - quis saber, o polvo.

Ainda não haviam visto a água-viva brincando na rocha.

“Ela está ali!” - apontou, a pequenininha, extremamente alegre. E emendou. - “Eu estou vendo uma das águas-vivas do meu grupo! É ela mesmo, eu tenho certeza!”

Ao avistarem-na, foram todos ao encontro dela, que, por sua vez, ao reencontrar a pequenininha água-viva que havia se perdido do grupo e ver o polvo, o camarãozinho e o tubarão-martelo se aproximando, ficou muda inicialmente, sem qualquer reação. As duas se encararam por alguns instantes, receosas uma com a presença da outra, mas começaram a conversar:

“Oi, estou feliz de te ver novamente.” - cumprimentou-a, a amiguinha do Senhor Polvo e do camarãozinho.

“Oi.” - respondeu, a outra água-viva. - “Que aconteceu com você? Onde você estava?” - perguntou.

“Eu me perdi do grupo.”

Senhor Polvo, Castilho e Gentil, o bondoso tubarão-martelo, apenas assistiam a conversa das duas que pareciam duas pequenininhas e graciosas águas-vivas gêmeas.

“A gente estava te procurando.” - continuou, a água-viva, para a amiga que se perdera. - “Onde você estava?” - perguntou.

“Eu também estava procurando vocês.” - respondeu, a pequenininha água-viva, olhando para trás e vendo que o polvo, o camarãozinho e o tubarão-martelo acompanhavam de perto a conversa, como que esperando serem apresentados. - “Eles são meus amigos. Eles me ajudaram a encontrar você.” - completou, perguntando. - “Onde estão as outras águas-vivas?”

No segundo seguinte que a pequenininha fez a pergunta, o grupo com as demais águas-vivas se aproximou. Eram muitas e flutuavam majestosamente ao redor deles.

“Finalmente a gente te encontrou.” - suspirou, aliviada, uma das águas-vivas do grupo, à pequenininha que havia se perdido.

“Aonde você foi?” - perguntou, uma outra, preocupada.

“Eu não fui para lugar nenhum.” - a pequenininha água-viva respondeu, mais uma vez explicando porquê se separou do grupo. - “Eu me perdi; juro que não tive culpa. Veio uma correnteza e me levou para longe.”

As atenções das águas-vivas estavam tão direcionadas à pequenininha que pareciam nem notar que Senhor Polvo, Gentil e Castilho estavam presentes na Grande Rocha. Eles assistiam o reencontro do grupo, visivelmente orgulhosos por terem conseguido ajudá-las.

Assim que ouviu a explicação da pequena, uma terceira água-viva se aproximou.

“Oh, pobrezinha!” - lamentou. E quis saber. - “Você se machucou?”

Com doçura, a pequenininha respondeu que não.

Somente um pouco depois é que as águas-vivas notaram que não estavam sozinhas.


* * * * *

Mostrando-se apreensivas, as águas-vivas encurralaram Senhor Polvo, Gentil e Castilho por todos os lados, sinalizando assim para que dissessem o porquê de estarem ali. Afinal não sabiam se eles representavam uma ameaça à segurança do grupo. Estavam prontas para o ataque, porém, conforme a apreensão foi passando e vendo que nenhum dos três tinha o intuito de atacá-las, perceberam que não corriam perigo e tranquilizaram-se de uma vez.

“Olá, águas-vivas, como estão?” - Senhor Polvo as cumprimentou amistosamente. - “Desculpe a nossa falta de educação.” - sem esperar resposta, o polvo foi logo se apresentando e apresentando os amigos consecutivamente. - “Meu nome é Senhor Polvo, esse é o Gentil e esse é o pequeno Castilho.”

Não menos amigáveis, Gentil e Castilho então sorriram para as águas-vivas.

“Olá, como vão?” - retribuindo os cumprimentos, uma delas se apresentou e apresentou o grupo. - “Eu sou a líder das águas-vivas dos corais amarelos. Somos pacíficas e, se não querem nos fazer mal, também não precisam ter medo da gente. A gente estava procurando uma das nossas que se perdeu.”

Ao terminar a apresentação ela olhou carinhosamente para a pequenininha água-viva que, ainda contente por reencontrar o seu grupo, encontrava-se distraída brincando com as amiguinhas e os mexilhões. Castilho, por sua vez, bastante curioso em saber mais sobre aquelas águas-vivas, colocou-se ao lado de Senhor Polvo.

Disse, ele:

“A gente está feliz por ter encontrado a pequenininha. Não precisa agradecer. Foi uma honra ter conseguido ajudar.”

“Então vocês ajudaram ela?” - perguntou, a líder das águas-vivas, surpresa com a revelação do pequeno camarãozinho.

“Sim.” - assegurou, Castilho, orgulhoso. De pronto, ele explicou. - “A gente estava nadando perto de um recife quando ouviu a pequenininha chorando. Ela bem disse que havia se perdido do grupo.”

Senhor Polvo, ouvindo atentamente a explicação, lembrou-se que Gentil não estava presente no momento em que a encontraram e fez a correção:

“Nosso amigo, o tubarão-martelo, não estava no recife quando encontramos a pequenininha, mesmo assim sua ajuda foi muito importante para chegarmos até vocês.” - disse para a líder das águas-vivas. - “Ele se juntou a gente um pouco depois, mas foi decisivo para que nós as encontrássemos.”

Agradecido pela correção, Gentil acenou positivamente e o camarãozinho continuou a explicar. Contou do rápido encontro que tiveram com a Velha Tartaruga e disse, inclusive, sobre seu sonho de ser pirata. A líder das águas-vivas, ao fim da explicação, ficou tão agradecida por ajudarem a pequenininha que não achava um modo de retribuir, até que se lembrou do sonho do camarãozinho.

Rapidamente, lhe fez o convite:

“Seria maravilhoso se você pudesse viajar com a gente!” - exclamou, perguntando na sequência. - “Não deseja entrar para o nosso grupo?”

Surpreendido, o camarãozinho encarou Senhor Polvo sem saber o que fazer. Sempre foram muito amigos, quase irmãos, e nunca havia pensado em se afastar dele. Não encontrava o que dizer, tampouco pensar, mas que outra decisão poderia tomar o pequeno camarãozinho se desbravar os mares era o que ele mais sonhava na vida?

“Você acha que eu posso ser um de vocês?” - perguntou, Castilho, para a líder das águas-vivas.

“Sim, não tenho nenhuma dúvida disso.” - convicta, a água-viva assegurou. - “Nós não somos piratas, mas você pode viajar com a gente se quiser. Vai ser divertido e também vai aprender muita coisa nova que talvez não saiba.”

A resposta fez-se óbvia. Não havia mais tempo para pensar pois tratava-se da realização de um sonho. E sonhos, por mais pequenininhos ou ingênuos que pareçam, nunca devem ser ignorados. Em nenhuma hipótese! Castilho aceitou o convite.

Antes de ir, o camarãozinho voltou suas atenções para Senhor Polvo e ao amigo tubarão-martelo.

“Está na hora de partir.” - afirmou primeiramente ao polvo, dizendo. - “Agora, faço parte do grupo. Desisti de ser um peixe pirata, quero ser uma água-viva.”

Senhor Polvo, contente pelo amigo, limitou-se a desejar:

“Boa sorte, Castilho, tenho certeza que você será uma grande água-viva!”

O camarãozinho sorriu, agradecido, e voltou-se então para o amigo, o tubarão Gentil.

“Adeus.” - despediu-se, dizendo com descontração. - “Vou sentir saudades de você, seu grandessíssimo tubarão boboca.”

Gentil respondeu:

“Adeus, seu camarãozinho danado, e boa sorte. Também vou sentir saudades.”

Por fim, após o término das despedidas, Castilho foi ao encontro da líder das águas-vivas, que o levou para junto das outras, e partiram em viagem. Sem que nunca encontrasse um peixe pirata ou se tornasse um deles, Castilho logo se misturou ao grupo e, na companhia das novas amigas, viveu momentos inesquecíveis e incríveis aventuras pelos recantos mais encantados dos mares.

Um camarãozinho pequenininho nunca foi tão feliz da vida!

FIM.

PEDRO, O MUFLÃO DA MONTANHA (1° Parte do Capítulo).


“Falta muito para a gente chegar?” - quis saber, Klara, revelando. - “Eu estou cansada de caminhar.”

A pergunta veio após algum tempo na qual caminhavam por uma paisagem rochosa que nada lembrava o descampado. Via-se somente montanhas, gargantas verticais e penhascos. Além de cansada, Klara também estava com medo, pois o caminho era sinuoso e cheio de perigos.

“Um pouco.” - Julia respondeu.

“É muito longe daqui?”

“Não.” - disse, Julia, pacientemente. Ao contrário de Klara, não se mostrava cansada ou com medo, mas, sim, ansiosa para apresentar a nova amiga à sua mãe. - “A gente está cada vez mais perto.” - completou.

Julia não via a hora de chegar em casa para brincar com a nova amiga.

O cão pastor ia na frente das meninas, como se as estivesse protegendo de qualquer ameaça. Atento e silencioso, nada escapava ao faro de Boris. A certa altura da caminhada, ele parou e começou a farejar um rochedo.

Klara, ao vê-lo, perguntou para Julia:

“O que ele está fazendo?”

“Nada, ele é assim mesmo.” - respondeu, Julia, com desinteresse. E minimizou. - “Ele só quer chamar a nossa atenção.”

Mais à frente, havia uma ponte velha, que era amarrada com cordas grossas e esgarçadas nas quais a sustentava sobre um penhasco, e tábuas podres, por onde as meninas e o cão teriam de pisar com muito cuidado para não as quebrarem, caso quisessem chegar do outro lado.

“É muito alto, eu estou com medo.” - disse, Klara, ao se aproximar e olhar para baixo da ponte.

“Não precisa ter medo, Klara.” - Julia a tranquilizou. - “A gente atravessa bem devagar. Não vou deixar você cair.”

“Promete?”

“Prometo.”

Enchendo-a de coragem, Julia segurou a mão da amiga, e, então, puseram-se a caminhar sobre a ponte. Passo após passo, pisavam nas tábuas podres sem qualquer pressa.

“É muito alto.” - murmurou, Klara, com os olhos parcialmente fechados. Apavorada e sentindo o vento oscilar as cordas, receou. - “A gente não vai conseguir atravessar.”

Julia, por sua vez, não se deixou contaminar pelo medo da amiga. Calmamente, disse:

“Não precisa ter medo, eu não vou deixar você cair.”

Enquanto Julia e Klara atravessavam a ponte, Boris já as esperava no outro lado, até que, minutos depois, vagarosamente, as meninas também conseguiram atravessá-la a salvo.

Aliviada, a pequena Klara comemorou:

“Quem bom que a gente não caiu!”

“Viu, eu disse que não ia deixar você cair.” - lembrou-a, Julia.

Voltaram a caminhar. Mas, não muito distante de onde atravessaram a ponte, Boris começou a latir, furioso.

“O que foi, seu malvado?” - perguntou, Julia, mais preocupada do que furiosa.

Ela olhou na direção que ele latia e teve, imediatamente, a ligeira sensação de que havia mais alguém por perto.

“Por que ele está latindo?” - perguntou, Klara, à amiga, assustada com a fúria repentina do cão.

“Não precisa ter medo, Klara.” - Julia a tranquilizou.

Tarde demais. A pequena correu para trás da amiga quando, com valentia, um muflão montanhês saltou detrás de um rochedo e parou encima de uma grande pedra achatada sem dar qualquer importância ao escândalo que o cão pastor fazia. Boris se aproximava e se afastava, numa fracassada tentativa de repelir o animal, que, por sua vez, postou-se diante das meninas.

“O que ele quer?” - apreensiva, Klara perguntou detrás da amiga, olhando para o animal.

“Não sei, mas fica atrás de mim.” - respondeu, Julia,


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

sábado, 28 de janeiro de 2017

PACOTE LITERÁRIO: TMM - O Cruel Destino de Um Homem Bom (RESENHA).


Olá, pessoal, mais uma resenha foi publicada na blogosfera de um dos contos postados do blog!

Desta vez, trata-se do conto TMM - O Cruel Destino de Um Homem Bom que foi resenhado pelo blog Pacote Literário, mais especificamente, pela parceiraça Karla, resenhista do blog.

Adorei a resenha e resolvi compartilhar com todos as suas considerações sobre o meu trabalho. Espero que gostem tanto quanto eu, o que é impossível, rs!


Segue um trecho:



E agora, o que deve fazer Timóteo? Qual a escolha dele?
A partir daí o leitor é levado a uma série de acontecimentos que mudam completamente os caminhos de nosso protagonista.
Com toques de drama e de um leve suspense, o final do conto surpreende não apenas pela frieza de um personagem, como pela alta carga de realidade que ele contém. Assim como na história, na vida também pagamos um altíssimo preço por nossas escolhas "erradas".
Eu gostei bastante da história contada por Roberto! Com uma escrita fluida e bastante objetiva, o autor nos conduz facilmente por onde deseja e nos faz entender os pontos de vista dos personagens de maneira bastante eficaz. O autor não deixou passar nenhum detalhe para o desvendar da trama, o desenrolar das cenas é simples e totalmente crível, o que me agradou bastante.
Ao final da leitura do conto, agradeço ao autor a oportunidade, ressalto as suas qualidades como escritor e aproveito para parabeniza-lo!

Que mais resenhas assim sejam postadas em outros blogs; certamente, será!

Caso ainda não tenham lido ou queiram relê-lo, leiam o conto na íntegra AQUI!
Confiram a resenha AQUI!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O RESGATE DE LAZAR: Terceira Parte do Capítulo.


Desde que saíra do tomateiro, onde se empanturrou de tanto comer tomates, Klara não sentia mais fome, porém, boas horas se passaram e sua barriga começava a roncar.

Julia percebeu isso e se antecipou em dizer:

“Eu estou com fome, e você?”

“Eu também estou com fome.” - a pequena respondeu.

“Ótimo, a gente pode ir para a minha casa. - comemorou, Julia, sorridente. - “A minha mamãe vai adorar te conhecer!”

“Qual é o nome da sua mamãe?”

“Velislava.” - Julia respondeu, perguntando também. - “E a sua mamãe, como chama?”

“Liza.” - disse, Klara.

Ao pronunciar o nome de sua mãe, a pequena encarou a amiga com tristeza.

“Não fica triste, Klara.” - Julia a confortou, prometendo logo em seguida. - “A gente vai encontrar a sua mamãe.”

“Promete?” - perguntou, Klara.

Sua avó, Yordanka, havia prometido o mesmo, no entanto, misteriosamente, desapareceu e não cumpriu a promessa.

“Prometo.” - respondeu, Julia, à amiga, assegurando. - “A gente vai encontrá-la.”

O momento de partir, enfim, se fez presente. Enquanto Doriana reacendia a chama do maçarico, administrando o ar quente dentro do seu balão, Lazar se abaixou na altura das meninas e se despediu delas.

“Adeus, Julia, adeus, Klara.”

“Adeus.” - responderam, as duas amigas, quase ao mesmo tempo.

Emocionado, o balonista que despencara do céu pulou para dentro do cesto e se colocou ao lado da amada instantes antes do balão se levantar alguns centímetros do chão.

“Adeus, meninas!” - acenou, Doriana, calorosamente.

“Adeus!” - elas responderam.

“Adeus, Boris!” - Lazar gritou para o cão pastor, emendando. - “E comporte-se, seu grandessíssimo travesso!”

Em resposta, Boris explodiu em euforia e começou a correr atrás do balão, que, por sua vez, ganhava altitude com certa rapidez. Inexplicavelmente à medida que subia, se destacou do céu azul e desapareceu sobre o paredão de rochas, ao mergulhar numa extensa nuvem branca.

“Não sei se fizemos a coisa certa ao deixá-la para trás.” - disse, Lazar, para Doriana, referindo-se à menina de Gabrovo. - “Yordanka abandonou a menina.” - externando arrependimento, o balonista concluiu. - “Klara não tem ninguém que a proteja, precisamos voltar.”

“Tenha fé.” - pediu, Doriana, sem qualquer preocupação. - “Você, muito mais do que eu, sabe que Klara não está sozinha, nem, tampouco, desprotegida.”

Seguiram viagem absolutamente certos de que não havia porquê pensar o contrário.


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O RESGATE DE LAZAR: Segunda Parte do Capítulo.


“Malvado?” - a bela balonista encarou a menina com preciosismo. - “Por que acha que ele é malvado?” - perguntou.

“Porque ele está sempre aprontando.” - respondeu, Julia, com certo exagero. - “Não consegue ficar quieto, não sabe se comportar e só me arruma problemas. Quando não desaparece, está infernizando a vida de alguém.”

Discreta, a balonista abriu um sorriso enquanto ouvia, pacientemente, Julia reclamar:

“Eu gosto muito do Boris, mas ele vive latindo para todo o mundo e para tudo. Ele é terrível.”

“Mesmo assim, eu imagino que você deve gostar muito dele.” - ela acrescentou, divertindo-se com a irritação da menina.

“Sim.” - assegurou, Julia, confessando. - “Apesar de tudo, eu gosto muito dele.”

“Muito?”

“Sim, muito.”

Lazar, que assistia a conversa da amada sem interrompê-la, apresentou as meninas:

“Essas são Julia e Klara, minhas duas novas amigas.” - indicou-as, respectivamente.

“Olá, meninas.” - cumprimentou, a balonista, que também se apresentou. - “Muito prazer, meu nome é Doriana. Sou a noiva de Lazar.”

“Olá.” - respondeu, Julia, alegremente.

“Oi.” - emendou, Klara.

Além de bela e charmosa, Doriana tinha um tom de voz amável e era alguns centímetros mais baixa em relação a Lazar. Seus cabelos eram compridos, castanhos, encarolados e, na altura do pescoço, estavam amarrados por uma fita verde-escuro de cetim.

Logo depois de apresentar as meninas, Lazar levou a amada para ver, pessoalmente, os estragos em seu balão.

“Eles estão completamente vazios.” - Doriana conferiu os cilindros na qual deveria estar o combustível.

“Como já disse, não percebi que estava sem combustível.” - Lazar se justificou, voltando a ficar envergonhado. - “Fiz uma aterrizagem e tanto!” - bufou.

“E veja esses rasgos no tecido!” - exclamou, Doriana, que seguiu conferindo os estragos no balão acidentado. - “Definitivamente, não há nenhuma chance dele levantar voo novamente. Estou impressionada que você não tenha se machucado.”

“Fiz uma aterrizagem e tanto.” - repetiu, Lazar, confessando. - “Tive sorte. Pensei que fosse morrer.”

Conforme Doriana conferia o balão, o constrangimento de Lazar só se fazia aumentar. Ele, então, desconfortável com toda aquela situação, tentou mudar de assunto. Olhou para Boris e disse:

“Estive pensando em adotarmos um cão. Que acha?”

“Vamos ter que seguir viagem no meu balão.” - disse, Doriana, invés de responder. - “Aceita uma carona?” - perguntou.

“Aceito, honrado, sem pensar duas vezes.” - respondeu, o balonista búlgaro, em tom solene e apaixonado.

Nesse meio tempo, Julia vigiava Boris com olhos estreitos, impedindo-o de aprontar novamente.

“Comporte-se, seu malvado!” - repreendeu-o, a menina.


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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Pensamento Literário: Resenha do Conto Salvando o Coelho.


Em dezembro do ano passado, publiquei no blog o conto Salvando o Coelho, que você pode lê-lo na íntegra clicando AQUI, e já temos resenha nova publicada em um blog parceiro encima do conto.

O blog é o Pensamento Literário e a resenha foi feita pela Verônica, dona do blog. Não sei como agradecer pelas palavras tão generosas ao descrever meu trabalho, fica então um humilde "Obrigado!".

Trecho da resenha:

Nesse conto nos deparamos com Celso que tem como hobby o paraquedismo e junto com o amigo os mesmos decidem sobrevoar o cafezal e “caçar” o coelho no ar. O mascote foi um presente de Celso para sua filha. Por fim, surpreendentemente o coelho vive e o sobrenatural cerca nosso protagonista, os envolvidos no feito e seus amados. Como ressaltado cabe cada um fazer uma análise da estória e chegar a sua reflexão, em minha observação durante a narrativa ficou evidente a expressão popular: “aqui se faz, aqui se paga”.
Então o que posso dizer a respeito do texto é que a leitura é rápida, cativante e diferente. O autor foi bem perspicaz e isso é perceptível durante a leitura, além de dominar o vocabulário e ter uma gramática limpa. Por fim, eu aconselho a leitura, sairá com uma lição e consequentemente um ensino sobre a vida.

E que muito mais resenhas apareçam!

Querem ler o conto? Cliquem AQUI!
A resenha da Verônica? AQUI!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O RESGATE DE LAZAR: Primeira Parte do Capítulo.


Ao contrário do que aconteceu com Lazar, que, literalmente, despencara do céu, quem pilotava o balão roxo não externava estar em apuros. Quem o pilotava na verdade não era um homem, mas, sim, uma bela mulher que, habilmente, administrava o ar quente dentro do balão, fazendo-o descer suavemente.

Ao lado de Julia, Klara olhou para cima, na direção que o cão latia.

“Olha, é outro balão!” - exclamou, a pequena, assim que o avistou. Ao lembrar-se do acidente de Lazar, a menina se perguntou em voz alta. - “Ele está caindo?” - ficou preocupada.

Lazar, por sua vez, não mostrou preocupação alguma. Sabia perfeitamente que aquela mulher não estava em perigo e que, ao contrário dele, era uma exímia balonista. Apenas suspirou, olhando para o céu.

“Ele não está caindo.” - disse para Klara, referindo-se ao balão.

“Não está?” - a pequena perguntou.

“Não.” - garantiu, Lazar.

O balão roxo foi crescendo, conforme se aproximava do chão e se revelava tão belo quanto era o balão de Lazar, até que, enfim, o cesto tocou o chão e o balão pousou tão suavemente que sequer parecia ser real.

“O que houve com o seu balão?” - preocupada, a balonista foi logo perguntando para Lazar.

“Estava tão distraído com a paisagem que me esqueci de verificar o quanto ainda tinha de combustível.” - respondeu, Lazar, que, envergonhado, desconversou rapidamente. - “Achei que tivesse me esquecido. Bem vinda, meu amor. Como foi a viagem?”

“Fantástica, como sempre.” - a bela mulher respondeu.

Mesmo no chão, Boris não parava de latir para o balão. Era como se ele fosse seu arqui-inimigo. Entretanto, assim que a bela balonista saltou para fora do cesto, o cão pastor búlgaro sustentou-se nas patas traseiras e lambeu-lhe o rosto.

“Mas que recepção mais calorosa!” - exclamou, maravilhada, penteando os pelos do animal com os dedos. A balonista perguntou para Lazar. - “Qual é o nome desse adorável cão?”

“O nome dele é Boris.” - Lazar respondeu em tom descontraído.

A bela mulher fez mais carinho no cão pastor, que retribuiu abanando o rabo. Julia, nesse momento, juntamente com Klara, se aproximou, irritada com o cão.

“Saia de cima dela, seu malvado!” - bradou, repreendendo-o. - “Vamos, pede desculpas agora mesmo!”

“Não é necessário.” - disse, a balonista, em tom sereno, mostrando não se importar com a travessura do cão. - “O fato de eu passar a maior parte do tempo nas nuvens, viajando a bordo do meu balão, não significa que eu não goste de uma boa companhia em terra firme.” - acrescentou, perguntando à menina ruiva. - “Você deve ser a dona do Boris?”

“Sim.” - Julia respondeu. - “O Boris é o meu cão pastor, mas ele é muito malvado.”


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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

RESENHA: O Arquipélago dos Morangos no blog Dose de Poesia.


Queridos leitores, novidade na área: resenha do conto "O Arquipélago dos Morangos"!

O Dose de Poesia é o mais novo parceiro do blog. Sob a autoria de Carla Azevedo e Gabriel Dionísio, surgiu em 2009, com o nome "Uma Otome Rockeira", quando, em 2014, se transformou em Dose de Poesia.

Sobre a resenhista: Chama-se Carla Azevedo. Canceriana. Baiana. Futura engenheira. Mãe da Graça Zelda. Escritora. Viciada em Harry Potter, livros, chocolates, séries, viagens. Ama mudanças. Sonha em se tornar conhecida por sua literatura.

Segue um trecho:
...quando você chega no final você descobre o porquê do titulo. Eu adorei o conto, me senti presa em cada palavra, senti o medo dos meninos e adorei o clímax. Acredito que o único erro do autor foi em relação ao assassino: se o Roberto tivesse explicado porque o motivo dos assassinatos, a historia se tornaria mais coesa. Tirando isso, adorei.
Ah, Carla Azevedo também participa de uma coletânea na Andross Editora: a coletânea AQUARELA: Contos e Crônicas de Temática Livre.

É isso, fica o agradecimento.

Interessados em ler a resenha? Confiram, clicando AQUI!

CAPÍTULO 06: A Queda do Balonista. (Segunda Parte).


“Meu nome é Julia.” - respondeu, a menina ruiva, que, logo depois, olhou para o lado e apresentou Klara. - “Essa aqui é a minha amiga. O nome dela é Klara.”

“Olá, Klara.” - Lazar a cumprimentou.

“Oi.”

“Que faz por aqui?”

Invés de responder, a pequena búlgara quis saber:

“O senhor não viu minha vovó quando estava lá encima?”

“Sua vovó?”

“Sim, minha vovó.” - reiterou, Klara, descrevendo-a. - “Ela é magra, tem os cabelos compridos e a pele é clara, quase da mesma cor que a minha. Ela também é bem mais alta do que eu. O nome dela é Yordanka.”

Lazar sequer pareceu prestar atenção no que Klara dizia. Para a frustração da menina, depois que ela descreveu a avó, ele a encarou como se a visse pela primeira vez.

“Olá, pequena.” - disse carinhosamente e, sorridente, se apresentou. - “Muito prazer, meu nome é Lazar. Sou o primeiro balonista da cidade de Gabrovo.”

O balonista apertou a mão de Klara e Julia, cumprimentando-as novamente, e disse o que elas já haviam ouvido por duas vezes:

“Onde eu estou?” - perguntou, coçando a cabeça.

Desapontada, Klara olhou para a amiga, que, rapidamente, interveio.

“Acho que ele bateu a cabeça quando caiu no chão.” - sussurrou, Julia, igualmente frustrada, referindo-se ao momento da queda do balão. - “Deve ter perdido a memória.”

“É a minha vovó.” - Klara voltou as atenções ao balonista e disse pausadamente. - “Ela sumiu. O nome dela é Yordanka. Não viu ela quando estava lá encima?”

“Sua vovó desapareceu?”

“Sim, minha vovó desapareceu.” - Klara respirou fundo para manter-se calma. - “O nome dela é Yordanka e ela também tem um amigo que se chama Kristo.”

Julia novamente interveio.

“Não precisa ficar triste, Klara.” - confortou, a menina ruiva, perguntando ao balonista. - “Tem certeza que não viu a vovó dela?”

“Lamento, Klara, mas eu não vi a sua vovó.” - respondeu, enfim, Lazar.

Assim, a menina de Gabrovo teve a ligeira sensação de que nunca mais voltaria a ver Yordanka. A velha desaparecera misteriosamente. - “Minha vovó foi embora e me abandonou.” - pensou, ingênua.

Boris, nesse meio tempo, manteve-se ocupado ao fuçar no balão de Lazar, mas, lá encima, outro balão se aproximava vagarosamente. O cão pastor foi o primeiro que percebeu o ponto roxo se destacar do imenso céu azul.

“O que foi dessa vez, Boris?” - perguntou, Julia, irritada com o escândalo que ele fazia. - “Por que está latindo?” - quis saber.

A menina ruiva ainda não havia visto o balão.

Latindo, Boris começou a correr, eufórico, pelo descampado enquanto esperava que o outro balão também caísse.


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