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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O TOMATEIRO (1° parte do capítulo).


Ainda caminhavam quando, por um instante, Klara viu algo, que pareceu ser um pássaro de asas brancas muito maior do que qualquer outro que ela já havia visto na vida, pousar atrás de uma árvore.

“O que é aquilo, vovó?” - perguntou, curiosa.

No mesmo instante, Yordanka olhou na direção que a menina apontava. Porém, não viu nada.

“Onde, minha querida?” - perguntou de volta.

“Um passarinho pousou atrás da árvore.” - respondeu, Klara, inocentemente. E acrescentou. - “Ele é bem grande. Eu vi ele.”

A velha, então, parou e, atentamente, ficou olhando para a árvore na expectativa de que o tal pássaro aparecesse, mas não se tratava de nenhum pássaro. Um anjo, com as asas abertas, saltou detrás da árvore e desapareceu, voando por cima da mata.

“Não é um pássaro, minha querida.” - disse, Yordanka, explicando com absoluta naturalidade. - É um anjo.”

“Um anjo!” - pasma, Klara arregalou os olhos. - “Existe anjo, vovó?” - perguntou, a pequena.

“Sim, querida, anjo existe.” - respondeu, Yordanka, como se não houvesse resposta mais lógica para a pergunta. Sorrindo para a neta, perguntou. - “Por que acha que eles não existiriam?”

Precisava contar à sua mãe, o quanto antes, sobre sua descoberta. Liza, então, não mentira nas vezes em que contou histórias sobre anjos. Não era uma simples desculpa para fazer a menina dormir. Tentando se convencer de que não estava sonhando, Klara se sentiu importante ao saber que anjos existiam.

Invés de responder a pergunta da avó, a pequena búlgara fez outra pergunta:

“Ele mora na montanha?” - referia-se ao anjo que saltou detrás da árvore e à montanha cigana das histórias que sua mãe lhe contava.

“Qual montanha?” - Yordanka quis saber.

“A montanha onde os anjos ciganos moram.” - respondeu, Klara. - “Aquele anjo mora lá.”

“Eu não sei, querida.” - disse, Yordanka, amorosamente. - “Mas, seja onde for que aquele anjo more, deve ser um lugar muito bonito.” - concluiu.

Klara estava curiosa em saber aonde ela e a avó estavam indo. Sem demora, fez outra pergunta:

“A gente chegou, vovó?”

“Ainda não.” - paciente, a voz de Yordanka nunca perdia seu tom amável. Perguntou à neta. - “Me diga, o que você mais gosta de comer?”

“Tomate.” - respondeu, a pequena, de imediato.

A velha se divertia com a ternura e a curiosidade sem fim da menina.

“Apenas tomate?” - perguntou, Yordanka, sorrindo.

“Sim, vovó.” - confirmou, Klara, apressando os passos para acompanhá-la. – “Eu gosto muito de tomate!” - exclamou.

“Pois, então, vou te mostrar um lugar onde podemos encontrar os mais deliciosos tomates de todo o mundo.” - diante do crescente entusiasmo da menina, prometeu à neta.

“É para lá que a gente está indo?”

“Sim, querida.”

A menina de Gabrovo, contente por saber que tinha uma avó tão legal, mal conseguia conter sua ansiedade.

Depois de um certo tempo, Klara e Yordanka viram-se fora do parque Lipnik. Ao passo que caminhavam, a mata se abria, revelando uma vegetação rasteira com somente algumas árvores e a mesma trilha de terra na qual haviam percorrido dentro do parque, embora um pouco mais larga.

Seguindo a trilha, não demorou até que Klara avistasse a plantação de tomates no alto de uma encosta.

“A gente chegou?” - perguntou, a menina.

“Sim, querida.” - respondeu, Yordanka.

Contudo, aproximando-se um pouco mais da encosta, veio a desagradável surpresa. Yordanka bufou ao ver que uma cerca de arame farpado delimitava a plantação.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

2 comentários:

  1. Uauu,que lindo!
    Me deixou com gostinho de quero mais...quero vê como e que a avó vai conseguir levar a netinha até o outro lado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Cássia, achou mesmo lindo? Legal saber disso, rs.

      Obrigado pela assiduidade no blog.

      Excluir

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