segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NAPOLEÃO E O MUFLÃO FRANCÊS: Segunda Parte do Capítulo.


Nesse meio tempo, a raposa de fogo espreitava cada mínimo gesto de Napoleão, pois não confiava nele, enquanto que Pedro, o muflão montanhês, continuava mostrando indiferença aos latidos que Boris lhes direcionava.

“Quieto, seu malvado!” - irritada, exigiu, Julia, ao cão búlgaro, que, dessa vez, a obedeceu, afastando-se de Pedro e indo para perto da raposa.

O imperador francês logo em seguida deu as costas às meninas e caminhou vagarosamente até o muflão, onde, com certa dificuldade, montou no lombo do animal.

“O Pedro seguiu a gente até aqui!” - exclamou, Klara, à amiga.

Devido ao tumulto, a pequena búlgara ainda não o havia visto.

“Quem é Pedro?” - perguntou, Napoleão, de cima do muflão.

“Pedro é o nome do nosso muflão.” - Julia respondeu.

“Está enganada, menina.” - retorquiu, Napoleão, sem perder o tom solene em sua voz. - “O nome dele é Luc.” - corrigiu-a.

“O nome dele é Luc?” - Klara se perguntou em voz alta, estranhando o nome.

“Exatamente.” - Napoleão respondeu. - “Esse é o nome que eu escolhi para ele."

“Mas a gente achou ele quando atravessou a ponte.” - a menina ruiva protestou.

“E a gente deu o nome Pedro para ele.” - complementou, Klara, referindo-se ao muflão da montanha.

“Que seja, chamem-no como quiserem.” - Napoleão as ignorou. - “Não me importa onde vocês o acharam, nem aonde ele as levou.” - vaidoso, declarou. - “O nome dele é Luc e assim será no dia de hoje, de amanhã e de todo o sempre.”

Nada puderam fazer para que o imperador voltasse atrás em sua decisão. Napoleão Bonaparte deu um tapa no lombo do muflão e Luc, então, começou a marchar, voltando a atiçar a euforia de Boris.

Julia, imediatamente, estreitou os olhos para o cão pastor e se desculpou, dizendo ao imperador francês:

“Perdoa ele, moço. O Boris não está acostumado com gente estranha.”

“Eu agora sou um estranho?” - perguntou, Napoleão, que parou no mesmo instante.

Mesmo que por uma inocente menina, ser classificado como estranho soou ao imperador como um grave insulto.

“Sim, um estranho.” - respondeu, Julia, normalmente. - “Afinal, a gente não te conhece.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

10 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Venho lendo seus textos e tô adorando, além de escrever super bem, deixa um toque de quero mais em cada textinho, parabéns!!

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    1. Obrigado pela visita, Camille. Agradeço também os elogios.

      Volte sempre!

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  2. Gostei especialmente do senso de humor nessa parte, Rob.
    Senti falta do link para a parte 1 no começo do post.

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    1. Oi Vitor, obrigado pela visita e por mais esse comentário.

      Sobre o link da primeira parte, na coluna lateral do blog, estão todos os capítulos da série. Procura por "A Menina de Gabrovo (Trechos)".

      Valeu?

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  3. Li a primeira parte e gostei muito da continuação da historia, você escreve muito bem e Estou gostando muito de te acompanhar.
    Abraços

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    1. Valeu, Andy, muito gentis seus comentários!

      Volte sempre!

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  4. Olá! Só senti falta da primeira parte que eu só achei o link no final. Mas gostei muito do texto, ficou bem legal e me deixou com aquela vontade de ler mais. Parabéns ficou perfeito.

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    1. Oi, Daniel, obrigado pelo comentário e que bom que gostou do que leu.

      Sobre o link, dá uma olhada na coluna lateral do blog que os capítulos estão todos lá! Procura por A Menina de Gabrovo.

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  5. Quanta criatividade menino, fico extremamente feliz. Com isso percebo que sua leitura deve ser bastante assídua.
    Parabéns, <3

    www.mayentrandonoassunto.com

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    1. Valeu mesmo, May! Sobre as minhas leituras, resumiria assim: leio bem mais do que posso e bem menos do que gostaria, kkk.

      ABRAÇO.

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