terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Processo Criativo de Eliziane Dias: CONTO ACORDES.


Olá, pessoal, supernovidade no blog!

Hoje, vou falar do processo de Eliziane Dias em seu conto "Acordes". O conto foi escrito e publicado no MISS (Menina Irreverente Sabida e Socrática). Pode ler o conto clicando AQUI.

Movo-me para direita em direção à janela. As trevas haviam ganhado a estrada lá fora. Levanto-me e vou ao banheiro mesmo sem vontade e quando volto, fico na mesma posição tentando imaginar uma vida perfeita para mim e inventando possibilidades de situações inesperadas e quase impossíveis na minha viagem. E é assim que a fantasia me tira do estado agonizante de tédio.

Pois então, sem mais delongas, começamos com algumas perguntas que fiz à autora:

Rob Camilotti: Quando e como surgiu a ideia do conto?
MISS: Um amigo postou uma foto de um ambiente lindo. Quando eu vi aquela foto, eu fiquei encantada e comecei a pesquisar sobre aquele local. Na hora, surgiu a ideia de escrever algo sobre ele. Já que eu não podia estar lá, eu precisava mandar alguém. E no caso eu enviei o personagem à esse lugar lindo que é Capitólio. O conto só surgiu quando meus olhos tocaram aquela fotografia linda do Lago de Furnas.

Rob Camilotti: Sobre o que é o conto?
MISS: Sobre um músico que ama muito o que faz, mas que não consegue se manter vivendo de música. O que é muito comum, não é? Quem ama a arte e quer viver do que ama, acaba encontrando muitas dificuldades. Talvez ele tenha cansado.

Rob Camilotti: Que parte do conto mais gosta? Tem algum trecho preferido?
MISS: Eu amo a parte que ele começa a sentir a música e passa a tocá-la de forma imaginária. Juro que me divirto lendo esse trecho. Vai por mim... Todos os músicos do mundo são loucos assim: tocam instrumentos musicais imaginários. Ele começa a lembrar de uma música e não consegue conter-se. Fica inquieto! Na verdade, isso acontece com qualquer um que goste muito de música. Quem nunca fingiu estar fazendo um solo de guitarra atire a primeira pedra!

Rob Camilotti: Que acredita ser o ponto forte do seu conto? Que ele tem de melhor?
MISS: Eu acredito que seja a forma como o narrador-personagem fala sobre sua viagem. Isso instiga às pessoas ao desejo de conhecer Capitólio.

Rob Camilotti: Teve muitas dificuldades em escrever o conto? Bloqueios? Quais?
MISS: Fiquei muito assustada com a rapidez que o escrevi. Goulart Gomes, o autor de Poetrix, diz que a escrita é 10% inspiração e 90% transpiração. E eu transpiro muito para escrever qualquer coisa, mas dessa vez foi rápido. Embora eu acredite que o meu amor pela música, e por ter vindo de uma família de músicos, tenha me ajudado bastante. Sei bem das dificuldades.

Rob Camilottti: Quem é(são) o(s) protagonista(s) do conto?
MISS: Só sabemos que ele é um músico. Ou pelo menos foi.

Rob Camilotti: Gosta do resultado final do conto? Quanto?
MISS: Gosto! De 0 à 5, eu gosto 3, 5. Eu sou muito crítica em relação ao que escrevo.

Rob Camilotti: Para encerrar, tem alguma coisa que gostaria de dizer sobre o conto? Alguma curiosidade? Uma confidência?
MISS: Bom, eu acredito plenamente que devemos nos esforçar para sermos os melhores naquilo que amamos fazer, porque se trabalhamos com o que gostamos, a vida se torna mais significativa. E é possível viver do que se gosta, ainda que seja difícil, mas... a decisão que o personagem toma em relação a sua carreira e que se revela no fim do conto, é o que mais se aproxima da realidade. E saber que muitas vezes permitimos que a realidade mate nossos sonhos, é assustador.

Minhas mãos se agitam em minhas pernas e, deixando o livro no banco ao lado, começo a tocar um piano invisível quando o blues de John Lee Hooker começa a reverberar em minha memória, depois meus dedos passam a dedilhar as cordas de uma guitarra imaginária. Em breves instantes eu movo os punhos fechados com baquetas e uma bateria imaginária à minha frente também. Bato os pés no chão acompanhando o compasso. Conforme a canção cresce, meus ombros e cabeça tomam o ritmo de forma enérgica e apaixonada. Uma pantomima executada tranquilamente já que ninguém conseguirá assistir meu show particular e enlouquecido. A escuridão é tão presente que com ousadia eu mordisco o canto do lábio inferior, dou uma piscadela e aponto os dedos indicadores para frente, complacente com a aprovação da platéia.

Obrigado, Eliziane!

É isso, pessoal, espero que tenham gostado da entrevista com a autora. Espero que tenha conseguido mostrar o processo criativo que a levou à escrita do conto "Acordes".

E você, curte contos? Compartilha com o blog, nos comentários!

4 comentários:

  1. Eu gostei, Rob, bastante, tanto da forma como conduziu a entrevista, quuanto da forma que abordou o conto, achei criativa e me surpreendeu.

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    1. Valeu, Vitinho, aliviado em saber que gostou. Afinal, a ideia desse post nasceu da tua interação, não? rs

      Abraço.

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  2. Que maravilha! Conto incrível! Quem é essa escritora linda? Quero conhecê-la! Hahaha Obrigada, querido! Muito sucesso pra ti!

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    1. Eliziane, ela é uma amiga minha, kkk.

      Se mexer com ela, vai se ver comigo, kkk!

      Bom hein...

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