segunda-feira, 24 de julho de 2017

GRÁTIS: Primeiro Conto da Coletânea Quilômetro Cinza e Outros Contos de Cabeça.

Olá, amigos(as), hoje trago para vocês o primeiro conto de "Quilômetro Cinza e Outros Contos de Cabeça", de minha autoria. O conto dá nome ao livro. 
Espero que gostem e boa leitura aos que se atreverem a lê-lo!

Quilômetro Cinza (Um caso vampiro em São Paulo).

Escrito por Rob Camilotti.


Hiroilto foi sem destino então. Fincou a chave no carro, desobedecendo a advertência veiculada continuamente no rádio para que ficasse em casa dada à excepcionalidade do que ocorria com o tempo em São Paulo. - “Talvez, o clima esteja igual no mundo.” - pensou enquanto dirigia.

“Que está acontecendo?” - a neve caía torrencial ao longo da Bandeirantes, em flocos grossos, instalando o frio que não era menos aterrador. Foi percebendo que, enquanto dirigia, era literalmente o único em toda a cidade que havia tido a ideia de se atirar ao desconhecido, mas dirigiu o carro com cuidado em todo momento. Certa hora, Hiroilto parou ao avistar, no acostamento da marginal, um menino sozinho que não aparentava ter mais de dez anos. Deu duas pancadinhas no vidro do carro como quem o anunciava que podia se aproximar, só que o menino porém limitou-se a olhar em sua direção, dando a entender que não entendia o que Hiroilto queria. - “Ele vai morrer congelado se eu não tirá-lo de lá”. - abriu a porta do carro e se entregou ao frio.

A pista estava escorregadia por causa de uma crosta de neve que, com alguma rapidez, acumulava-se nas bordas, quase que se estendendo a um rio congelado. Tinha que ser mais ligeiro no resgate ao menino. - “Não tenha medo, garoto, deixa eu te ajudar!” - estendeu-lhe a mão enquanto caminhava, para que viesse ao seu encontro, porém, de novo, o menino não reagiu. Valente, no que se aproximou, Hiroilto envolveu o menino nos seus braços e o levou com ligeireza para dentro do carro. - “Que merda, Hiroilto!” - na pressa de socorrê-lo, Hiroilto esqueceu de fechar a porta ao sair do carro e uma boa camada de neve encobria todo banco do motorista. Com duas braçadas generosas, expulsou a maior parte da neve. Entrou no carro mesmo assim e colocou o menino sentado no banco do carona, ao seu lado.

“Ufa, que aventura hein?! Como se chama, garoto?”

O menino respondeu:

“CD.”

“CD?” - sorriu para o menino, que fez que sim com a cabeça. - “Prazer em conhecê-lo, CD. Vou levá-lo para casa, certo? Onde estão seus pais?” - Hiroilto não disfarçou a afeição que já sentia pelo menino.

CD não o respondeu. Em vez disso, lançou-lhe um olhar opaco, fosco, inabilitado de sentir. Hiroilto presumiu desse modo que o menino não tivesse os pais e que, justamento por isso, o encontrara na rua.

“Pobre garoto!” - exclamou baixo. Disse em seguida. - “Vamos ficar juntos até que a neve passe e depois te levo para uma delegacia. Quem sabe eles não te arrumam uns pais bem legais! Combinado assim, CD?”

CD o encarou com desinteresse. Deu-se a entender que, para ele, tanto importava o que fariam depois. CD tinha o rosto e as mãozinhas tão brancos que impressionavam fortemente Hiroilto, e cada vez mais.

“Está com frio?”

“Um pouco.” - CD respondeu.

“Coitadinho! Não se preocupe porque já estamos chegando. Vou te levar para casa.”

E Hiroilto passou-lhe as mãos nos cabelos, confortando-o. Ao fazer isso, se impressionou mais uma vez: os cabelos de CD estavam extremamente secos e sua pele, sem viço algum, ficava cada vez mais branca, diferente em comparação a qualquer outra que já havia visto, como a de um cadáver de um menino congelado. Em seguida, ao levar a mão ao nariz e cheirá-la, quase vomitou ao sentir um cheiro terrivelmente podre em um pouquinho de óleo que se impregnara na ponta dos dedos. Era como se houvesse acabado de passar a mão na carniça de um animal morto. Assustado, decidiu levar o menino direto para uma delegacia, invés de levá-lo para casa como o havia prometido.

“Estou com fome e eu quero comer agora.” - CD pôs as mãozinhas sobre sua barriga.

“Já estamos chegando em casa, CD.” - Hiroilto escondeu-lhe aonde verdadeiramente estavam indo. - “Aguente só mais um pouco, combinado?” - e foi acelerando o carro, mostrando pressa em se livrar do menino.

“Eu disse que eu quero comer agora, não me ouviu?”

O menino, antes indefeso, se revelou então. Ao olhar para o lado, Hiroilto foi tomado pelo horror. Criatura medonha, a cabeça de CD revelou-se peluda; as orelhas, os olhos, o nariz e os dentes fininhos lembravam os de um asqueroso morcego.

“Não precisa ser do jeito mais doloroso para você. Só quero um pouco de sangue. Vou transformá-lo.”

“Vá embora, demônio!” - Hiroilto enfiou o pé no freio.

Com toda calma possível, CD, pequeno conde vampiro, foi se aproximando lentamente do homem, que, já em paz e a vontade com seu destino, sentiu cravar os dentinhos na jugular.

“Só uma dose do seu sangue.”

FIM


O conto “Quilômetro Cinza” é a primeira de dezesseis surpreendentes histórias que fazem parte da coletânea à venda na Amazon. Você pode comprar o eBook clicando AQUI e o livro impresso você compra AQUI
Adquiram! Vamos apoiar a literatura nacional!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

POESIA: Âmago do Ser.


O Centro do meio da alma,
o seio mais íntimo,
o âmago e a razão de existir.

O âmago de ser o que se pode ser,
o cerne enquanto verdade, porvir.

Âmago do Ser.
Real razão do existir.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

POESIA: Amalucado.


Um tanto descucado, lunático, aluado,
me vejo amalucado então.
Destino do meu destino perdido,
os pés separados do chão.

Maluco, um sentimento amalucado,
guiado apenas pelo espírito,
perigosamente divorciado da razão.

Amalucado:
avoado, coração sem razão.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

POESIA: Certa Estranheza.


Não estranhe a minha estranheza!
Só estranho o que não vejo realeza.
Ao meu conceito e reles direito,
não me estranhe, somos todos estranheza!

Estranhos?
Não se estranhem!
Viva a estranheza!

terça-feira, 18 de julho de 2017

POESIA: O Carvoeiro.


O Carvoeiro guloso comeu a montanha.
Comeu a montanha e tudo que havia nela.
A copa das árvores, os passarinhos, os esquilos,
comeu a montanha que eu admirava pela minha janela.

O Carvoeiro malvado não teve pena da montanha.
Embuchou até mesmo o que tinha debaixo da terra.
As minhocas, os ossinhos, as caixinhas de segredos das meninas,
levou junto a cidade e o pouco do resto dela.

O Carvoeiro e todos os outros da companhia.
No início achava que ele não gostava de mim.
Depois vi que ele não era mau e nem guloso.
O Carvoeiro era parte de uma tal economia.
Comeu a montanha porque encontrou ouro e outras pedras.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

POESIA: Fórmula da Vida vs. Fórmula do Amor.


Por quem vive demais,
por quem desama de menos,
a vida antecede o amor,
amor dos vivos e dos plenos.

Por quem desama demais,
por quem vive com menos,
conseguem ser mais considerados, felizes,
os que navegam seguros, no sereno?

Amando a mais
e desamando demais,
a vida e o amor:
duas fórmulas perfeitas que se complementam!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

POESIA: Paz. Desassossego.


Gritos.
Falas.
Discursos.
Palavras perdidas.
O desassossego que corrói minha paz.

Gestos.
Olhares.
Denúncias.
Afagos obscenos.
Vence o mais forte, quem pode mais.

Bastante, mas nada que preencha meu desassossego!
Muito, mas nada que garanta minha tão frágil paz!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

POESIA: Pena Amarela.


Sim, senta e escreva o meu nome!
E use ao escrevê-lo uma pena amarela!
Na mão, a pena e todas as tintas de uma aquarela!
Traços sutis, otimistas, a sua escrita mais bela!

No papel mais nobre, a cor azul da Terra!
Na segunda das linhas, no meio ou na beira,
o importante é que escreva com sua escrita mais bela!
Uma escrita que lembre a infância e que dela retome!

Escreva com capricho!
O capricho natural de uma pena amarela!

terça-feira, 11 de julho de 2017

POESIA: Peripatético (Significado).


Me diga e me faça um favor!
Todos na sala, o significado de peripatético?
O que ainda não aprendeu a falar direito?
Quem nunca se lembra de nada?
Ou é aquele que, sem saber se sabe de nada ou não,
vive apontando o dedo para o próprio nariz?
O que Gesticula!

Peripatético, só ele,
um artista de si próprio.
E também um dançarino de mãos!
Peripatético, sempre ele,
perspicaz na ação!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

POESIA: Sorte Comportamental.


A distração enquanto inimiga das sortes
desleixa o que é bom, as boas novas.
Distração, uma forma de desleixo.
Bons comportamentos trazem boas novas.

A sorte é ativa e necessita atenção,
atenção de quem se preocupa, gerando mais sorte.
Sorte que reproduz e se afilia a outras sortes,
uma necessidade comportamental da gente astuta.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

POESIA: Arco-íris Repentino.


De repente, aqueles arcos no céu.
Riscos coloridos avivando nuvens.
Como se aquarelado em um céu azul de papel,
miragem, sete cores, iluminado arco-íris.

De repente, um arco-íris no céu.
Um céu claro a iluminar jardins floridos.
Como se miragem em um modesto período,
pimposo, a repentina beleza de um arco-íris.

Arco-íris, traços belos mas repentinos.
Arco-íris, riscos iluminados e coloridos.
Inegável tesouro dos Céus à Terra,
um generoso arco-íris repentino.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

POESIA: Flor da Juventude.


Impetuoso, ingênuo e inocente,
um jovem dos muitos a desafiar o mundo.

A desafiar o mundo ainda que inseguro,
eternamente jovem e um bobo descobridor do tudo.

Desbravador, um esbravejador,
sendo tolerado enquanto na flor da juventude.

Jovem carente de compreensão para com o mundo,
espinho e delicada flor no jardim encantado da infinitude.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

POESIA: Coração em Festa.


Testemunha-se sentido em tudo que existe
na alegria de um coração em festa.
Satisfações mil de uma felicidade aparentemente sem motivo,
às coisas da vida que, de fato, interessam.

Alegria desmedida, asseverada, feliz,
um realizado e sereno coração em festa.
Faz-se a pergunta uma vez mais:
Que é que em sua vida carece a pressa?

terça-feira, 4 de julho de 2017

POESIA: Descontrole o Tempo!


A vida se vivida sem controle,
tem sua marcha marchada ao relento.
Mantenha-se no controle e descontrole o Tempo!

Solitária, misteriosa, vez ou outra imprecisa.
Se mais ou se menos, ainda na via da vida,
vida admitida viva também nos contratempos!

No final, o que importa é que se viva,
que se marche a cada tempo,
seja ela amparada na fé e assim sendo!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

POESIA: O Homem e o Cérebro.


Muito cérebro, pouco homem,
pouco homem com muito cérebro.
Memória viva, desalentado no tédio,
pelo cérebro aos cérebros.

Cérebros e cérebros,
um desalento sempre inédito.
Muito aos homens,
os insubstituíveis homens do tédio.

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