A Menina de Gabrovo: Segunda Parte do Capítulo "Mau Agouro".


Parecia um lobo faminto encarando a presa. O modo cínico como o viajante a observava causou repulsa em Liza.

“Somos novos por aqui e estamos perdidos.” - explicou, o viajante, que não perdeu tempo e foi logo perguntando. - “Pode nos dar uma informação?”

Em resposta, Liza não disse nada. Apenas acenou que sim.

“Essa cidade é, realmente, muito bonita.” - disse, o viajante, com sarcasmo. - “Onde a gente está?” - perguntou para Liza, ao mesmo tempo que sorriu para o companheiro, divertindo-se com o medo que ela se esforçava para não transparecer.

“Em Gabrovo.” - respondeu, Liza, quase sem voz.

“Desculpe, mas a gente não ouviu.”

Ele foi se aproximando dela, seguido, de perto, pelo outro viajante.

“Gabrovo!” - Liza respondeu, só que dessa vez em voz alta.

Ao vê-los se aproximarem vagarosamente, Liza pensou em correr para dentro da casa e trancar-se no quarto junto com a filha para, assim, protegê-la a todo custo. - “Eles são mais rápidos do que eu.” - pensou e se perguntou, convencendo-se de que tivera uma péssima ideia. - “Que chances eu poderia ter? Vão me alcançar antes mesmo de eu atravessar a porta. Não se desespere, Liza.” - obrigou-se a ficar tranquila. - “Não seja tão estúpida de levar o perigo para dentro de casa.”

Foi, então, que os viajantes sorriram, revelando o que queriam de verdade.

O homem, que a havia cumprimentado, dizendo serem novos na cidade, se revelou o mais cruel. Enquanto o companheiro, pelas costas, a segurava e beijava-lhe os cabelos, ele derrubou Liza no chão, depois de um forte soco no estômago, e deitou encima dela.

“Por favor, vão embora!” - gritou, a jovem mãe, que implorava para que fossem logo embora e, assim, não entrassem na casa. - “Por favor, me deixem em paz!”

Qualquer violência que eles empunhassem contra ela seria o menor dos males desde que Klara estivesse protegida.

“Cale-se, sua vadia barata!” - respondeu, o viajante, pressionando-a, com o próprio corpo, contra o chão.

Como que por uma intervenção divina, após saciarem suas respectivas perversidades, as súplicas de Liza foram atendidas no momento em que ouviu-se uma conversa distante, e que parecia se aproximar, de um grupo de amigos que caçavam na mata. Os dois viajantes se levantaram do chão, correram para o carro e, temendo serem flagrados, se apressaram em fugir. Mesmo dolorida, fraca e severamente humilhada, Liza encontrou forças e se colocou em pé. Andou, cambaleando, até a casa e foi direto para o quarto da filha, onde toda a esperança do mundo pareceu se esvair no momento em que se aproximou da cama. Ao colocar as mãos sobre a filha, sentiu que o rostinho da menina estava frio.

Klara já não respirava mais. Estava morta.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

Comentários

  1. Meu Deus :o Nem sei o que dizer... Que horror, fiquei triste. Muito intenso, forte até para esta hora. Acho que vou ter de ir ler um dos seus contos mais leves, mais calmos, para poder dormir descansada agora!
    Claro que só um bom escritor pode deixar uma pessoa incomodada assim também, não é mesmo? ;)
    Beijos!

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    1. Bia, essa parte da história, de fato, é bastante forte e mexe com quem lê. Como não mexeria?! Se isso a tranquiliza, a história tem continuação e a história de Klara ganha contornos muito mais luminosos.

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  2. Eu juro que quero ser como você quando crescer Roberto! hahahaha
    O enredo te faz querer, mais e mais!!!

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    1. Obrigado, May, será muito mais e melhor do que eu quando crescer, rs.

      Tenho certeza. Valeu pelo comentário! Muito gentil.

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  3. Esse final me pegou de surpresa... Como assim? ):

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    1. Oi, Andressa, se isso te conforta, esse não é o final, rs. É a segunda parte do segundo capítulo do livro.

      Volte sempre!

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  4. Oie

    Esse trecho me deixou tensa, vontade de saber mais e mais. Espero ler em breve.
    Cada vez que leio algo seu vejo o talento na escrita. Parabéns!

    Abraço

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    1. Oi, Fernanda, obrigado por tua visita, carinho e comentário.

      Volte sempre!

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  5. Jesus Cristo!
    E eu pensando que minha vida estava desgraçada, além de ser estrupada a filha morre! Que crueldade sem limite!
    Infelizmente esse é um retrato do mundo moderno! E bandidos como esses saem impune! Fiquei triste pela personagem.
    Espero conseguir acompanhar esse conto!
    Escreveu muitíssimo bem!
    www.dobbyapresenta.blogspot.com.br

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    1. Oi, obrigado pelo comentário. Essa parte do livro realmente é muito forte e também uma realidade na vida de muitas mulheres. Igualmente, a impunidade!

      Obrigado pela visita. Continue acompanhando os capítulos!

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