CAPÍTULO 03: VOVÓ YORDANKA (Primeira Parte).


Klara acordou numa clareira, no meio da mata, num dia absolutamente luminoso. Um clima bem diferente daquele que conhecia. Todo o mau havia passado e seus pulmõezinhos estavam livres da peste cinzenta. Estava curada. Deitada de barriga para cima, a primeira coisa que viu encheu-lhe os olhos. Viu um céu exuberante e profundo, de uma tonalidade azul-turquesa que se intensificava nos horizontes, sem qualquer resquício que a lembrasse daquele céu nublado de Gabrovo. Antes, enquanto ainda dormia, um passarinho tentava fazer ninho em seus cabelos.

“Onde eu estou?” - perguntou-se, a pequena búlgara, que se sentou e espantou o passarinho de seus cabelos. - “Estou sozinha.” - pensou, olhando em volta.

Procurou por sua mãe, mas não viu ninguém. Levantou-se repentinamente apavorada, com medo da mata, e só se acalmou quando ouviu:

“Dormiu bem, querida?”

Nunca esteve sozinha. Apesar do clima ensolarado, uma velha, que vestia um casaco verde de lã por cima de um vestido pesado, que em nada combinava com o clima agradável, a observava próxima de uma árvore.

Sem resposta da menina, a velha se aproximou, refazendo a pergunta:

“Dormiu bem, minha querida?” - a voz soou amorosamente.

“Sim.” - Klara respondeu em tom baixo.

O pouco de medo e pavor que a menina sentiu ao se ver sozinha foram se dissipando. Mas, mesmo quando se aproximou e a pequena pôde vê-la melhor, Klara não reconheceu a velha, que, então, se apresentou:

“Desculpe a minha distração.” - disse. - “Esqueci que ainda não fomos apresentadas. Sou sua vovó, Yordanka.”

Ainda assim, Yordanka não representava nada além de uma pessoa desconhecida para Klara. Inexpressiva, a pequena se limitou a encará-la.

“Isso mesmo, sou sua vovó!” - exclamou, sem se preocupar com a estranheza da menina. - “Sou a mamãe de Liza. Você é minha netinha.”

Havia uma razão para não reconhecê-la. Klara conhecia a avó apenas através das fotos que sua mãe lhe mostrara, e Yordanka, por sua vez, também nunca a havia visto pessoalmente. E sabia que não estava enganada.

“Não faz ideia do quanto eu esperei para te conhecer, minha querida.” - disse à menina. Com os braços abertos, perguntou. - “Não vou ganhar um abraço da minha netinha?”

Klara a abraçou, porém, ainda não se lembrava dela até que recordou-se das fotos e, enfim, a reconheceu.



CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

Comentários

  1. Gostei da continuação, gostei da leveza, da luz que trouxe dessa vez :)

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    1. Obrigado, Bia, a mais participativa nesse blog. É muito bom teus comentários e visitas!

      Volte sempre!

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