A Menina de Gabrovo: Segunda Parte do Capítulo "O Dilema de Klara".


Os passarinhos, em resposta, piaram com ternura, arrancando um sorriso da menina, que, pouco tempo depois, voltou a chamar:

"Mamãe!"

"Sim, querida." - preocupada, Liza retornou apressadamente. E perguntou. - "O que houve?"

"Por que Deus é tão mau com a gente, mamãe?"

A pergunta fez Liza estremecer de dor.

"Minha filha, sei que o seu sofrimento não é algo que eu possa abrandar ou até mesmo ignorar." - disse, ela, convicta da bondade de Deus. - "Me lembro de ter dito para você descansar. Vamos, feche os olhos e descanse." - voltou a pedir. - "Por acaso não está duvidando da bondade de Deus, está?" - perguntou, com ligeira incredulidade no que acabara de ouvir. Por fim, Liza respirou fundo e sorriu, limitando-se a responder a pergunta. - "Escute atentamente o que eu vou lhe dizer: questionar Deus não é um bom começo para entender o que ele quer da gente." - acarinhou no rosto da filha.

Sua religiosidade parecia ainda mais inabalável nas horas de maior sofrimento. Somente parecia, porque Liza não se mostrava pronta para aceitar o sofrimento de Klara de qualquer outra forma se não por uma mera provação divina, um período de dificuldade; dificuldade, essa, que era uma só entre as muitas que ela atravessaria ao longo da vida e da qual sempre estaria ao lado dela para confortá-la.

"Tenha fé."

Com a certeza de que não havia sentido algum para tal pergunta, a jovem mãe, então, bufou e se curvou sobre a cama."

"Tudo vai passar." - disse, beijando-a na testa, e, mais uma vez, pediu. - "Agora descanse, meu anjo."

Klara não protestou, fechou os olhos. Porém, antes mesmo que Liza chegasse na porta do quarto e voltasse aos seus afazeres, pediu:

"Me conta uma história."

"Uma história, mas o dia nem amanheceu." - Liza virou-se para a filha, estreitando os olhos. - "As melhores histórias só são contadas de noite para a gente ter bons sonhos." - disse amorosamente, em tom de fantasia.

"Por favor." - com a voz rouca, Klara insistiu.

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