O TOMATEIRO (3° parte do capítulo).


Yordanka, ao ouvi-lo apresentar-se, também apresentou a neta e voltou a perguntar:

“O nome dela é Klara, ela é minha neta. Pode nos ajudar?”

“Não se preocupe, a cerca não vai impedir a menina de comer quantos tomates quiser.” - Kristo se prontificou a resolver o impasse. - “Não fiz só a cerca.” - revelou. - “Tem uma entrada bem perto daqui.”

Avó e neta o seguiram e, após contornarem quase metade da cerca, atravessaram-na finalmente.

“A gente chegou, vovó?” - perguntou, a menina de Gabrovo.

“Sim, querida, esse é tomateiro que havia falado.” - respondeu, Yordanka, que quis saber. - “Está feliz?”

“Sim, vovó.”

“Mesmo?”

“Aham.”

“Que bom ouvir isso, querida!”

Klara, logo em seguida, se enfiou no meio da plantação. - “Eles devem ser muito gostosos.” - pensou, fascinada com a beleza daqueles tomates. Sentia-se plena por estar ali. Era um sentimento que não tinha explicação e não tinha lógica alguma, mas que, de certa forma, a confortava.

“Posso pegar um tomate?” - perguntou à avó, que a seguiu pela plantação.

“Sim, minha querida.” - respondeu, Yordanka, autorizando-a. - “Pegue quantos quiser.”

Com as duas mãos, Klara arrancou o tomate de uma das plantas que estava mais próxima e cravou os dentes nele. Já, na primeira mordida, sentiu a boca encher-se de um suco vermelho, adocicado e refrescante. Aqueles tomates não eram só vermelhos e brilhantes, eram, também, extremamente deliciosos. Nunca provara tanto sabor.

Enquanto a menina saboreava o tomate, Kristo se aproximou de Yordanka e lamentou:

“É, realmente, uma pena. Tão pequena, tão sozinha!”

“Está enganado.” - discordou, Yordanka, que, em voz baixa e veemente, assegurou, dizendo. - “Ela tem a mim. De agora em diante, ficará comigo. Vou cuidar dela e protegê-la. Klara não está sozinha.”

“Onde a encontrou?”

“No parque Lipnik.” - Yordanka respondeu. - “Assim que soube de tudo, não pensei duas vezes em ir ao seu encontro. Dormia como um anjo, como um puro e inocente anjo.”

A voz de Yordanka soou pesadamente até os ouvidos de Kristo, que, por sua vez, ainda preocupado com a menina, continuou:

“O que fizeram com ela?” - se referia ao ataque sofrido por Liza, na margem do rio Yantra, enquanto implorava pela saúde da filha.

Kristo estava preocupado com o futuro de Klara.

Em uma tristeza que só se fazia aumentar, referindo-se aos viajantes que atacaram a filha, Yordanka se limitou a responder:

“Foram repugnantes, covardes e cruéis.”

“O que fizeram com ela?” - Kristo insistiu.

“Não quero mais falar sobre isso.”

A velha não disse mais nada. Amável, voltou as atenções para a neta, que, após saborear o primeiro tomate, foi logo perguntando:

“Posso pegar mais um, vovó?”

“Sim, querida.” - respondeu, Yordanka.

Notando que a pequena hesitava em pegar outro tomate, Yordanka escolheu, pessoalmente, o mais graúdo e vermelho que encontrou e ofereceu à neta.

“Tome, querida, prove-o e me diga se gostou.”

Klara pegou o tomate com as duas mãos e cravou os dentes nele.

“Gostou?” - perguntou, Yordanka.

“Sim, vovó.”

Feliz, novamente sentiu a boca encher-se de um suco extremamente saboroso.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

Comentários

  1. Oh, encontrei! :)
    Mas continuo bem curiosa...

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  2. Virei sua fãn!!!
    Amei esse capítulo e estou super curiosa pra saber o que aconteceu com Liza e como será o futuro de Klara, que doença é essa gente?! hahaha
    Devorando seus textos!

    ResponderExcluir

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