PEDRO, O MUFLÃO DA MONTANHA (1° Parte do Capítulo).


“Falta muito para a gente chegar?” - quis saber, Klara, revelando. - “Eu estou cansada de caminhar.”

A pergunta veio após algum tempo na qual caminhavam por uma paisagem rochosa que nada lembrava o descampado. Via-se somente montanhas, gargantas verticais e penhascos. Além de cansada, Klara também estava com medo, pois o caminho era sinuoso e cheio de perigos.

“Um pouco.” - Julia respondeu.

“É muito longe daqui?”

“Não.” - disse, Julia, pacientemente. Ao contrário de Klara, não se mostrava cansada ou com medo, mas, sim, ansiosa para apresentar a nova amiga à sua mãe. - “A gente está cada vez mais perto.” - completou.

Julia não via a hora de chegar em casa para brincar com a nova amiga.

O cão pastor ia na frente das meninas, como se as estivesse protegendo de qualquer ameaça. Atento e silencioso, nada escapava ao faro de Boris. A certa altura da caminhada, ele parou e começou a farejar um rochedo.

Klara, ao vê-lo, perguntou para Julia:

“O que ele está fazendo?”

“Nada, ele é assim mesmo.” - respondeu, Julia, com desinteresse. E minimizou. - “Ele só quer chamar a nossa atenção.”

Mais à frente, havia uma ponte velha, que era amarrada com cordas grossas e esgarçadas nas quais a sustentava sobre um penhasco, e tábuas podres, por onde as meninas e o cão teriam de pisar com muito cuidado para não as quebrarem, caso quisessem chegar do outro lado.

“É muito alto, eu estou com medo.” - disse, Klara, ao se aproximar e olhar para baixo da ponte.

“Não precisa ter medo, Klara.” - Julia a tranquilizou. - “A gente atravessa bem devagar. Não vou deixar você cair.”

“Promete?”

“Prometo.”

Enchendo-a de coragem, Julia segurou a mão da amiga, e, então, puseram-se a caminhar sobre a ponte. Passo após passo, pisavam nas tábuas podres sem qualquer pressa.

“É muito alto.” - murmurou, Klara, com os olhos parcialmente fechados. Apavorada e sentindo o vento oscilar as cordas, receou. - “A gente não vai conseguir atravessar.”

Julia, por sua vez, não se deixou contaminar pelo medo da amiga. Calmamente, disse:

“Não precisa ter medo, eu não vou deixar você cair.”

Enquanto Julia e Klara atravessavam a ponte, Boris já as esperava no outro lado, até que, minutos depois, vagarosamente, as meninas também conseguiram atravessá-la a salvo.

Aliviada, a pequena Klara comemorou:

“Quem bom que a gente não caiu!”

“Viu, eu disse que não ia deixar você cair.” - lembrou-a, Julia.

Voltaram a caminhar. Mas, não muito distante de onde atravessaram a ponte, Boris começou a latir, furioso.

“O que foi, seu malvado?” - perguntou, Julia, mais preocupada do que furiosa.

Ela olhou na direção que ele latia e teve, imediatamente, a ligeira sensação de que havia mais alguém por perto.

“Por que ele está latindo?” - perguntou, Klara, à amiga, assustada com a fúria repentina do cão.

“Não precisa ter medo, Klara.” - Julia a tranquilizou.

Tarde demais. A pequena correu para trás da amiga quando, com valentia, um muflão montanhês saltou detrás de um rochedo e parou encima de uma grande pedra achatada sem dar qualquer importância ao escândalo que o cão pastor fazia. Boris se aproximava e se afastava, numa fracassada tentativa de repelir o animal, que, por sua vez, postou-se diante das meninas.

“O que ele quer?” - apreensiva, Klara perguntou detrás da amiga, olhando para o animal.

“Não sei, mas fica atrás de mim.” - respondeu, Julia,


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

Comentários

  1. Como é apenas a primeira parte ainda não deu para pegar qual o suspense da história, mas vou ler os outros textos para saber mais, como um prólogo esse texto foi muito convidativo. Abraços.

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    1. Obrigado, Adriana, considere esse trecho um aperitivo, rs, algo como uma literatura a conta-gotas, rs.

      Bem-vinda e volte sempre!

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