quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Segunda Parte do Capítulo “Boris e a Menina de Razgrad” (A MENINA DE GABROVO).


“Isso faz cócega!” - exclamou, Klara. 

Em resposta, o cão pastor, mais uma vez, lambeu o rosto da menina, latindo amistosamente e abanando o rabo, pondo fim a qualquer resquício de hostilidade que ela pudesse sentir nele.

“Você me assustou, sabia?” - disse, Klara, aliviada. - “Pensei que fosse me morder.” - acrescentou. - “Ainda bem que você é bonzinho.”

A menina tomou coragem e o acarinhou, passando a mão entre as orelhas do animal.

“O que você está fazendo aqui?” - quis saber. - “Também está perdido?”

Em resposta, o cão latiu e abanou o rabo no ar.

“Eu estou perdida.” - a menina revelou, perguntando. - “Pode me ajudar a sair daqui?”

Imediatamente após outro latido, o cão pastor pôs-se a refazer o caminho que havia percorrido para chegar até ela, ajudando-a, então, a encontrar a saída da mata.

“Aonde você está indo?” - perguntou, a menina, que, sem hesitar, o seguiu.

Nos momentos em que percebia que se distanciava muito de Klara, ele parava e latia, guiando-a pela mata, que, além de úmida e escura, parecia não ter fim.

“A gente já chegou?” - perguntou, Klara, cansada, após um certo tempo seguindo-o.

Não demorou e a paisagem mal iluminada foi, enfim, clareando na medida que a luminosidade do Sol penetrava na vegetação. Ao se ver fora da mata, a pequena perdeu o fôlego diante de tanta beleza. A mata escura e fechada dera lugar a um estonteante descampado.

“Que lugar é esse?” - perguntou-se.

Não parecia real. O céu era tão profundo e vivo quanto azul e belo. As nuvens, brancas e alvas, pareciam ter sido sopradas por Deus, que, por sua vez, também tivera o capricho de posicioná-
las bem acima de um suntuoso paredão de gigantescas rochas. Klara pôs-se a admirar a paisagem, olhando para o céu, esperançosa. Quem sabe até encontrava uma estrela desgarrada, cintilando em plena luz do dia, e assim ela lhe concedesse um desejo.

“Tudo aqui é lindo!” - exclamou.

Seria capaz de ficar ali para sempre, brincando com seu novo amigo, correndo contra o vento e rolando na grama cor de jade.

“Por que minha mamãe nunca me trouxe aqui?”

Ainda que tudo indicasse que Klara e o cão estavam sozinhos naquele descampado, uma menina de cabelos ruivos vinha correndo ao encontro deles.

“Boris, seu malvado!” - gritou para o cão, perguntando. - “Onde você estava?”

Assim que chegou perto do cão, o encarou, irritada, e estreitou os olhos.

“Te procurei por toda a parte!” - repreendeu-o, com braveza, e voltou a perguntar. - “Posso saber onde o senhor estava até agora?”

Boris, em resposta, protestou e latiu com euforia.

A menina ruiva, então, percebeu que Klara a observava e tratou de se acalmar rapidamente.

“Oi, o meu nome é Julia.” - ela se apresentou para Klara, que, por sua vez, tímida, não disse nada. - “Como você se chama?” - perguntou.

“Meu nome é Klara.” - respondeu, a pequena, em voz quase inaudível, e desviou o olhar para Boris.

“Sim, ele é meu.” - Julia pareceu adivinhar o pensamento de Klara. - “O nome dele é Boris.” - revelou. - “Ele é muito malvado.”

Quando não está sumido ou aprontando por aí, fico preocupada e até penso: será que ele se meteu em perigo?

Desembaraçada, Julia voltou a estreitar os olhos para Boris.

“Não é mesmo, seu malvado?” - perguntou, com ligeiro sarcasmo, para o cão, que, de novo, protestou, latindo e abanando o rabo.

Apesar de se mostrar bastante irritada, Julia não conseguia disfarçar seu contentamento. Bem ou mau, Boris acabou por arrumar-lhe uma amiga.

“A sua sorte é que, mesmo aprontando tanto, ainda gosto muito de você.” - acrescentou.

Logo em seguida, olhou para Klara e perguntou:

“Onde você mora?”

“Em Gabrovo.” - respondeu, a pequena. - “Mas eu estou perdida.”

“Perdida?”

“Sim.” - garantiu. - “Estava no tomateiro quando ela sumiu e me deixou sozinha.” - explicou brevemente, referindo-se ao sumiço de sua avó, Yordanka. - “Depois eu encontrei o Boris e ele me trouxe até aqui.”

Ao explicar o que havia acontecido, Klara ameaçou chorar.

“Não precisa ficar triste.” - disse, Julia, prontificando-se a ajudá-la. - “A gente vai encontrar sua vovó.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

2 comentários:

  1. Adorei, ansiosa pela continuação...alias muita maldade ficar postando aos poucos, rsrsrsrsrs
    Seu livro já foi publicado?

    www.detudopouco.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Silvânia, foi publicado, sim. Pela editora Multifoco.

      Caso tenha interesse, clique Comprar Livro

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