Segunda Parte do Capítulo “Boris e a Menina de Razgrad” (A MENINA DE GABROVO).


“Isso faz cócega!” - exclamou, Klara. 

Em resposta, o cão pastor, mais uma vez, lambeu o rosto da menina, latindo amistosamente e abanando o rabo, pondo fim a qualquer resquício de hostilidade que ela pudesse sentir nele.

“Você me assustou, sabia?” - disse, Klara, aliviada. - “Pensei que fosse me morder.” - acrescentou. - “Ainda bem que você é bonzinho.”

A menina tomou coragem e o acarinhou, passando a mão entre as orelhas do animal.

“O que você está fazendo aqui?” - quis saber. - “Também está perdido?”

Em resposta, o cão latiu e abanou o rabo no ar.

“Eu estou perdida.” - a menina revelou, perguntando. - “Pode me ajudar a sair daqui?”

Imediatamente após outro latido, o cão pastor pôs-se a refazer o caminho que havia percorrido para chegar até ela, ajudando-a, então, a encontrar a saída da mata.

“Aonde você está indo?” - perguntou, a menina, que, sem hesitar, o seguiu.

Nos momentos em que percebia que se distanciava muito de Klara, ele parava e latia, guiando-a pela mata, que, além de úmida e escura, parecia não ter fim.

“A gente já chegou?” - perguntou, Klara, cansada, após um certo tempo seguindo-o.

Não demorou e a paisagem mal iluminada foi, enfim, clareando na medida que a luminosidade do Sol penetrava na vegetação. Ao se ver fora da mata, a pequena perdeu o fôlego diante de tanta beleza. A mata escura e fechada dera lugar a um estonteante descampado.

“Que lugar é esse?” - perguntou-se.

Não parecia real. O céu era tão profundo e vivo quanto azul e belo. As nuvens, brancas e alvas, pareciam ter sido sopradas por Deus, que, por sua vez, também tivera o capricho de posicioná-
las bem acima de um suntuoso paredão de gigantescas rochas. Klara pôs-se a admirar a paisagem, olhando para o céu, esperançosa. Quem sabe até encontrava uma estrela desgarrada, cintilando em plena luz do dia, e assim ela lhe concedesse um desejo.

“Tudo aqui é lindo!” - exclamou.

Seria capaz de ficar ali para sempre, brincando com seu novo amigo, correndo contra o vento e rolando na grama cor de jade.

“Por que minha mamãe nunca me trouxe aqui?”

Ainda que tudo indicasse que Klara e o cão estavam sozinhos naquele descampado, uma menina de cabelos ruivos vinha correndo ao encontro deles.

“Boris, seu malvado!” - gritou para o cão, perguntando. - “Onde você estava?”

Assim que chegou perto do cão, o encarou, irritada, e estreitou os olhos.

“Te procurei por toda a parte!” - repreendeu-o, com braveza, e voltou a perguntar. - “Posso saber onde o senhor estava até agora?”

Boris, em resposta, protestou e latiu com euforia.

A menina ruiva, então, percebeu que Klara a observava e tratou de se acalmar rapidamente.

“Oi, o meu nome é Julia.” - ela se apresentou para Klara, que, por sua vez, tímida, não disse nada. - “Como você se chama?” - perguntou.

“Meu nome é Klara.” - respondeu, a pequena, em voz quase inaudível, e desviou o olhar para Boris.

“Sim, ele é meu.” - Julia pareceu adivinhar o pensamento de Klara. - “O nome dele é Boris.” - revelou. - “Ele é muito malvado.”

Quando não está sumido ou aprontando por aí, fico preocupada e até penso: será que ele se meteu em perigo?

Desembaraçada, Julia voltou a estreitar os olhos para Boris.

“Não é mesmo, seu malvado?” - perguntou, com ligeiro sarcasmo, para o cão, que, de novo, protestou, latindo e abanando o rabo.

Apesar de se mostrar bastante irritada, Julia não conseguia disfarçar seu contentamento. Bem ou mau, Boris acabou por arrumar-lhe uma amiga.

“A sua sorte é que, mesmo aprontando tanto, ainda gosto muito de você.” - acrescentou.

Logo em seguida, olhou para Klara e perguntou:

“Onde você mora?”

“Em Gabrovo.” - respondeu, a pequena. - “Mas eu estou perdida.”

“Perdida?”

“Sim.” - garantiu. - “Estava no tomateiro quando ela sumiu e me deixou sozinha.” - explicou brevemente, referindo-se ao sumiço de sua avó, Yordanka. - “Depois eu encontrei o Boris e ele me trouxe até aqui.”

Ao explicar o que havia acontecido, Klara ameaçou chorar.

“Não precisa ficar triste.” - disse, Julia, prontificando-se a ajudá-la. - “A gente vai encontrar sua vovó.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

Comentários

  1. Adorei, ansiosa pela continuação...alias muita maldade ficar postando aos poucos, rsrsrsrsrs
    Seu livro já foi publicado?

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    1. Oi, Silvânia, foi publicado, sim. Pela editora Multifoco.

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