Terceira Parte do Capítulo “Boris e a Menina de Razgrad” (A MENINA DE GABROVO).


“Onde você mora?” - Klara perguntou.

“Moro em Razgrad.” - respondeu, Julia. - “É um pouco longe daqui, mas você pode ir para lá e ficar na minha casa até a gente encontrar a sua vovó. Está bem?”

Klara não pensou duas vezes em aceitar o convite. Sorriram uma para a outra e Julia, então, se lembrou que trazia dois bombons guardados no bolso de seu vestido.

“Gosta de chocolate?”

“Sim.” - respondeu, Klara.

“Eu também.” - ela ofereceu um dos seus bombons. - “Um é meu e o outro eu dou para você, que é minha melhor amiga.”

“Eu sou sua melhor amiga?”

“Sim, você é.” - assegurou, a menina ruiva, sem externar qualquer dúvida.

Ambas deram uma dentada generosa em seus respectivos bombons e saborearam cada segundo de contentamento que os doces lhes proporcionavam. Não tinham porquê ter pressa. Após levar o último pedacinho de bombom à boca, Julia sugeriu uma brincadeira, dizendo:

“A primeira que chegar na sombra daquela árvore, é a vencedora.” - indicou a sombra de uma árvore, alguns metros à frente, e ressaltou. - “Eu vou contar até três e a gente corre, está bem?”

Klara acenou que sim e Julia, então, contou:

“Um. Dois. Três!”

Klara disparou na frente e correu em direção a sombra da árvore, no entanto, Julia era mais ágil e a ultrapassou rapidamente.

“Preciso correr mais rápido, senão vou perder.” - motivou-se, Klara, ao ver a amiga se distanciando.

Quase na metade da corrida, Boris, que as observava com ar de quem estava prestes a aprontar, não se conteve e também pôs-se a correr. Tão logo, deixou as duas meninas para trás e já corria na frente.

“Chega, eu desisto.” - bufou, Julia, irritada, parando de correr. - “Assim não é justo!” - reclamou à amiga, que vinha logo atrás.

Não se trombaram por muito pouco.

“O que aconteceu?” - perguntou, Klara, preocupada.

“Não adianta mais a gente correr.” - Julia respondeu. - “O Boris já venceu a corrida.”

Ouvindo isso, a menina de Gabrovo viu o exato momento que o cão pastor chegou na sombra da árvore. Com a língua para fora, ao olhar para sua dona com ar de quem não havia feito nada de errado, Boris latiu, eufórico. Incontestavelmente, era o vencedor.

“Viu, eu disse que ele era malvado.” - resmungou, Julia, à amiga. E acrescentou. - “Deixa pra lá, vamos ignorá-lo. Quem sabe assim ele deixa de ser intrometido.”

Julia e Klara deram as costas para o cão pastor búlgaro, que, mesmo assim, sem se importar, não sossegou e voltou correndo para perto delas.

“Ele está voltando.” - disse, Klara.

“É só a gente fazer de conta que ele não existe.” - Julia respondeu, concluindo. - “O Boris é um cão muito malvado.”

“Ele não parece ser tão malvado assim.” - minimizou, Klara.

“Pode até não parecer, mas ele é.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

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