A Segunda Queda do Balonista (2° Parte).


Pelo modo com que perguntou, Lazar parecia conhecer Velislava, o que também causou certa surpresa em Klara, que, ao ouvi-lo, aguçou os ouvidos na expectativa de que a raposa lhe respondesse alguma coisa. Porém, a fera limitou-se a chicotear sua longa cauda avermelhada no ar, desapontando a pequena.

Logo em seguida, o balonista voltou as atenções para Klara.

“E você, pequena, como está?” - perguntou, em tom caloroso.

Queria saber se ela, finalmente, havia reencontrado sua vovó, Yordanka.

“Estou bem.” - respondeu, Klara, timidamente.

“A gente estava brincando com as minhas bonecas antes de você chegar.” - acrescentou, Julia.

Fingindo surpresa, o balonista arregalou os olhos para Klara e emendou outra pergunta:

“Estavam brincando?”

“Sim.” - ela confirmou.

“Encontrou a sua vovó?”

“Não.” - respondeu, Klara, com tristeza.

Apesar de feliz, por ter a amizade de Julia, e tranquila, com a proteção de Velislava, ainda sentia falta de sua casa, de brincar, em seu quarto, com suas amigas e todas as suas bonecas.

Julia percebeu a tristeza da amiga e interveio, perguntando ao balonista:

“O que aconteceu com o seu balão?”

“O que aconteceu?” - envergonhado, Lazar respirou fundo e tentou explicar. - “O problema é que, às vezes, eu me distraio tanto com a paisagem que não percebo o combustível acabando.”

Julia e Klara se entreolharam, parecendo achar graça nas palavras do balonista, que, por sua vez, as interrompeu, dizendo:

“É uma longa história, meninas. Estou com muita fome, prometo que conto tudo se me convidarem para o almoço.”

“Quer almoçar com a gente?” - perguntou, Julia, de imediato.

“Sim, obrigado.” - respondeu, Lazar.

Ao contrário de Velislava, que voltou a se sentar perto da varanda, e de Boris, que correu até o balão acidentado e pôs-se a estragar o que ainda, por milagre ou providência da sorte, pudesse ter algum conserto, Lazar, Julia e Klara atravessaram a varanda e entraram na casa.

Pouco tempo depois, desconfiada da ausência do cão pastor, Julia se perguntou em voz alta:

“Aonde será que ele foi?”

“Ele, quem?” - Lazar perguntou de volta.

“O Boris.” - ela respondeu.

Saiu da casa para procurá-lo e o flagrou encima do cesto, mordendo e puxando o tecido amarelo do balão.

“Boris, seu malvado!” - repreendeu-o, exigindo. - “Venha para cá agora mesmo!”

O cão pastor protestou com um só latido, mas a obedeceu e voltou para perto de Julia. Enquanto corria para dentro da casa, a menina ruiva se perguntou o que havia feito de mau para merecer um cão tão levado e arteiro.

“Por que será que ele nunca se comporta?” - perguntou-se, murmurando. - “Não é a toa que é malvado.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

Comentários

  1. Oh, voltaram esses personagens que eu amo! :)
    E essa parte é mesmo fresquinha, né? A última frase me deixou beeem curiosa, sabe? Quero continuar a ler! Beijos

    Pseudo Psicologia Barata

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Bia, pelo comentário. O Boris é malvado mas é bonzinho, rs.

      Excluir
  2. Adorei o texto! Adorei a história e pretendo continuar acompanhando. Boris me fez lembrar da minha que também é bem arteira e estraga tudo rs. Mas não são malvados, apenas gostam de estragar as coisas rs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que legal, Isa, fico feliz por ter lhe proporcionado boas recordações, rs.

      Obrigado pelo comentário e visita!

      Excluir
  3. Oi, gostei da narrativa, mas quando li o primeiro comentário fiquei meio perdido. Tem outras estórias antecessoras a esta? Preciso, né?

    Como já falei nos outros posts, suas escrita é muito fluida, gosto bastante da forma que você narra as coisas, tornando bem agradável.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gabriel, esse post é uma parte de um capítulo de um livro publicado em 2013, chamado A Menina de Gabrovo. Espero ter lhe respondido.

      Obrigado pelo comentário e pela visita.

      Continue acompanhando o blog e as partes do capítulo, que está no finalzinho aliás!

      Excluir

Postar um comentário

Caro leitor(a), seu comentário é importante por aqui. Diga-me suas opiniões ou impressões sobre a postagem que acabou de ler que as lerei com carinho.

Obrigado desde já!
Volte sempre!