segunda-feira, 13 de março de 2017

A Segunda Queda do Balonista (2° Parte).


Pelo modo com que perguntou, Lazar parecia conhecer Velislava, o que também causou certa surpresa em Klara, que, ao ouvi-lo, aguçou os ouvidos na expectativa de que a raposa lhe respondesse alguma coisa. Porém, a fera limitou-se a chicotear sua longa cauda avermelhada no ar, desapontando a pequena.

Logo em seguida, o balonista voltou as atenções para Klara.

“E você, pequena, como está?” - perguntou, em tom caloroso.

Queria saber se ela, finalmente, havia reencontrado sua vovó, Yordanka.

“Estou bem.” - respondeu, Klara, timidamente.

“A gente estava brincando com as minhas bonecas antes de você chegar.” - acrescentou, Julia.

Fingindo surpresa, o balonista arregalou os olhos para Klara e emendou outra pergunta:

“Estavam brincando?”

“Sim.” - ela confirmou.

“Encontrou a sua vovó?”

“Não.” - respondeu, Klara, com tristeza.

Apesar de feliz, por ter a amizade de Julia, e tranquila, com a proteção de Velislava, ainda sentia falta de sua casa, de brincar, em seu quarto, com suas amigas e todas as suas bonecas.

Julia percebeu a tristeza da amiga e interveio, perguntando ao balonista:

“O que aconteceu com o seu balão?”

“O que aconteceu?” - envergonhado, Lazar respirou fundo e tentou explicar. - “O problema é que, às vezes, eu me distraio tanto com a paisagem que não percebo o combustível acabando.”

Julia e Klara se entreolharam, parecendo achar graça nas palavras do balonista, que, por sua vez, as interrompeu, dizendo:

“É uma longa história, meninas. Estou com muita fome, prometo que conto tudo se me convidarem para o almoço.”

“Quer almoçar com a gente?” - perguntou, Julia, de imediato.

“Sim, obrigado.” - respondeu, Lazar.

Ao contrário de Velislava, que voltou a se sentar perto da varanda, e de Boris, que correu até o balão acidentado e pôs-se a estragar o que ainda, por milagre ou providência da sorte, pudesse ter algum conserto, Lazar, Julia e Klara atravessaram a varanda e entraram na casa.

Pouco tempo depois, desconfiada da ausência do cão pastor, Julia se perguntou em voz alta:

“Aonde será que ele foi?”

“Ele, quem?” - Lazar perguntou de volta.

“O Boris.” - ela respondeu.

Saiu da casa para procurá-lo e o flagrou encima do cesto, mordendo e puxando o tecido amarelo do balão.

“Boris, seu malvado!” - repreendeu-o, exigindo. - “Venha para cá agora mesmo!”

O cão pastor protestou com um só latido, mas a obedeceu e voltou para perto de Julia. Enquanto corria para dentro da casa, a menina ruiva se perguntou o que havia feito de mau para merecer um cão tão levado e arteiro.

“Por que será que ele nunca se comporta?” - perguntou-se, murmurando. - “Não é a toa que é malvado.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

6 comentários:

  1. Oh, voltaram esses personagens que eu amo! :)
    E essa parte é mesmo fresquinha, né? A última frase me deixou beeem curiosa, sabe? Quero continuar a ler! Beijos

    Pseudo Psicologia Barata

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    1. Obrigado, Bia, pelo comentário. O Boris é malvado mas é bonzinho, rs.

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  2. Adorei o texto! Adorei a história e pretendo continuar acompanhando. Boris me fez lembrar da minha que também é bem arteira e estraga tudo rs. Mas não são malvados, apenas gostam de estragar as coisas rs

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    1. Que legal, Isa, fico feliz por ter lhe proporcionado boas recordações, rs.

      Obrigado pelo comentário e visita!

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  3. Oi, gostei da narrativa, mas quando li o primeiro comentário fiquei meio perdido. Tem outras estórias antecessoras a esta? Preciso, né?

    Como já falei nos outros posts, suas escrita é muito fluida, gosto bastante da forma que você narra as coisas, tornando bem agradável.

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    1. Gabriel, esse post é uma parte de um capítulo de um livro publicado em 2013, chamado A Menina de Gabrovo. Espero ter lhe respondido.

      Obrigado pelo comentário e pela visita.

      Continue acompanhando o blog e as partes do capítulo, que está no finalzinho aliás!

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