Capítulo 16: A Despedida (3° Parte).


“Eu vou voltar para a minha casa?” - perguntou, Klara, enormemente surpresa com a revelação de Lazar. Sem reação, era como se ela mal pudesse acreditar no que ouviu. - “Vai mesmo me levar para a casa?”

“Sim.” - respondeu, Lazar, em tom carinhoso. Sem especificar que a levaria para o vale e estranhando a falta de reação da menina de Gabrovo, ele perguntou. - “Por que, não quer mais ir para a casa?”

Antes de responder, Klara olhou rapidamente para Julia a fim de saber se a amiga ficaria triste com a sua partida. Viu nos olhos dela, além de muita tristeza, a mais genuína das solidões. Por mais que a considerasse sua melhor amiga, ainda sentia falta de sua casa, de ouvir as histórias que sua mãe contava antes de dormir, e de brincar, em seu quarto, com todas as suas bonecas. Enfim, inspirando profundamente, a pequena encheu-se de coragem e respondeu ao balonista que voltar para casa era o que ela mais vinha desejando nos últimos dias.

Se despediu de Julia:

“Eu vou ir para a casa.” - disse, abraçando-a. - “Então, adeus.”

“Adeus.” - murmurou, Julia.

Klara voltou para perto de Lazar, que a observava um pouco mais afastado, e foram até o balão de Doriana. Estava prestes a entrar no cesto, quando olhou para trás e viu a imponente raposa de fogo caminhar majestosamente em sua direção.

“Adeus, Velislava.” - despediu-se dela.

Em resposta, a fera lambeu as bochechas de Klara, que, por sua vez, agradeceu, acariciando o focinho da amorosa raposa.

“Isso faz cócegas!” - exclamou.

Sob o olhar atento de sua dona, Boris também se despediu de Klara. O cão pastor búlgaro, antes que a pequena búlgara saltasse para dentro do cesto, começou a latir como se soubesse que nunca mais a veria. O difícil e igualmente amargo momento da partida, enfim, se fizera presente. Lazar levantou Klara do chão e a colocou dentro do cesto.

“Podemos ir, querida?” - perguntou, Doriana, enquanto regulava a chama do maçarico.

“Sim.” - respondeu, Klara.

O balão de Doriana começou a ganhar altitude rapidamente, obrigando Lazar, que ainda estava do lado de fora do cesto, a se agarrar numa das cordas e a pular para dentro.

“Você foi a melhor amiga que eu já tive em toda a minha vida!” - gritou, Klara, para Julia, que assistia, com o coração pesado, a amiga partir.

“Adeus!” - respondeu, Julia.

E na ingenuidade de que ainda podia convencê-la a ficar, a menina ruiva pôs-se a correr atrás do balão.

“Não vai embora!” - gritava, inutilmente.

Já Velislava, nesse meio tempo, pouco parecia se abalar com a partida repentina da pequena búlgara. Majestosamente e não menos serena, ela ficou observando o balão se distanciar do chão.

“Adeus, Boris!” - gritou, Klara, para o cão pastor, que, eufórico ao ouvi-la, explodiu em latidos e pôs-se a correr atrás do balão junto com Julia.

Mergulhando num céu quase sem nuvens, os ventos sopraram o balão roxo de Doriana pouco acima das montanhas, onde, por ventura, desapareceu como se nunca houvesse existido. Raramente se viu, por aquelas terras búlgaras, amizade tão intensa e verdadeira.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

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