Segunda Parte de O Quadro Misterioso.


Klara pegou a boneca que estava no canto da prateleira, seguida por Julia, que pegou as outras duas e as jogou sobre a cama.

“A gente também pode brincar com as três juntas.” - sugeriu, sentando-se na cama e perguntando. - “O que acha?”

“Legal.” - Klara respondeu. Sentou-se na cama, de frente para a amiga, e perguntou. - “Que nomes você deu para elas?”

“Nomes?” - perguntou, Julia, visivelmente surpresa.

Por mais impossível que pudesse soar, ela nunca havia pensado em dar nome às suas bonecas. Então, sem pensar muito, Julia as observou e disse os três primeiros nomes que lhe veio na cabeça:

“Klara, Julia e Velislava.”

A menina de Gabrovo, imediatamente, abriu um sorriso, achando engraçado que uma daquelas bonecas tivesse o seu nome.

“Qual delas se parece comigo?” - perguntou.

“Esta daqui.” - a menina ruiva indicou a menor delas e retribuiu a pergunta. - “E qual você acha que se parece comigo?”

Antes que Klara respondesse, Boris invadiu o quarto e, eufórico, pulou encima da cama, ameaçando morder justamente a boneca que a pequena búlgara havia pego.

“Não pense em fazer isso, seu malvado!” - Julia foi rápida e o empurrou para fora da cama. - “Dessa vez, não vou deixar você pegar nenhuma delas.” - disse e exigiu, brava. - “Cães não brincam com bonecas! Sai do meu quarto agora mesmo!”O cão pastor, em resposta, aprontou mais uma de suas travessuras. Antes de correr para fora do quarto, ele latiu para sua dona e mordeu a boneca que Klara segurava, levando-a consigo. Em resposta, Julia puxou a amiga pelo braço e, juntas, foram atrás dele.

“Boris, seu malvado, devolve a minha boneca!” - gritou, a menina ruiva, correndo atrás do cão.

Quando elas saíram do quarto e passaram pelo pequeno corredor, Klara parou no mesmo instante. Viu, pendurada na parede branca, uma pintura onde uma mulher estava sentada numa cadeira, de frente para uma menina, que, por sua vez, encontrava-se deitada numa cama. A mulher do quadro não aparentava ter mais de trinta anos e a menina tinha os mesmos traços de Julia, os mesmos cabelos ruivos, a mesma pele clara e o mesmo rostinho delicado.

Instantes depois, trazendo consigo a boneca que Boris havia roubado, Julia se aproximou de Klara.

“Ele sempre faz isso!” - reclamou, irritada, referindo-se ao cão pastor. - “Vive roubando as minhas bonecas e enterrando elas em volta da casa.”

Mas as atenções de Klara ainda estavam direcionadas ao quadro. Sem prestar atenção na reclamação da amiga, ela o apontou.

“Quem é ela?” - quis saber sobre a mulher do quadro.

“Ela era a antiga dona da casa.” - respondeu, Julia, mostrando curiosidade pela pergunta. - “Por que?”

“Porque a menina que está deitada na cama é muito parecida com você.” - Klara respondeu.

Surpresa com o que a amiga dissera, Julia, então, analisou a pintura. Apesar de já ter visto o quadro inúmeras vezes, ela nunca havia reparado nas semelhanças que tinha com aquela menina.

“Parece comigo?” - perguntou-se, em voz baixa, mas em tom suficientemente alto para que Klara a ouvisse.

“Sim, muito.” - a menina de Gabrovo respondeu.



CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

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