Crônica: Um pouco do que penso a respeito de Machado de Assis.


Antes de adentrar a crônica, faço alguns esclarecimentos. O que expressarei a seguir não tem o intuito, tampouco a ridícula pretensão, de contestar a genialidade ou a grandeza literária de Machado de Assis. Pelo contrário, o que pretendo é externar o que penso de sua obra e, de quebra, falar um pouco da literatura nacional. Bom, feito esta ponderação, vamos à crônica:

Meu primeiro contato com a obra de Machado de Assis, assim como noventa e nove por cento dos brasileiros, - está bem, exagerei! - se deu no ambiente escolar. Imagino que seja exatamente por isso que Machado de Assis seja cultuado em sua plenitude apenas na elite intelectual, nas academias. Machado de Assis, assim como os outros autores fundamentais da literatura, precisa urgentemente deixar de ser tabus, e só se supera tabus com o conhecimento, tirando-os das sombras da ignorância. Mais recentemente é que me atentei decentemente para a grandiosidade machadiana ao ler seu primeiro livro de contos da fase realista, Papéis Avulsos, publicado originalmente em 1882, apenas um ano após Memórias Póstumas de Brás Cubas, marco do Realismo no Brasil. A certeza que se tem é que um país de poucos leitores, em números proporcionais pelo menos, terá sempre uma produção literária limitada e pobre.

Valeria quem sabe também nos fazermos as seguintes perguntas: será que Machado de Assis foi mesmo o maior escritor do Brasil? Será que não se criou muita adoração em torno de sua genialidade justamente pela exclusividade do acesso de seus livros? Será que eleger o mais importante não é e nem nunca foi importante? Na minha opinião, acredito que sim. Triste do país que precisa eleger o melhor quando se têm razoavelmente poucos leitores e escritores a se candidatarem ou a elegerem seus candidatos.

Contudo, nos acalmemos! Não há motivos só para lamúrias e chorumelas. As coisas estão mudando. Em passos lentos e preguiçosos mas estão, e eu sou um exemplo disso. Sempre li muito pouco para alguém que se deseja um escritor, no entanto, nesse período de blogueiro, tenho lido mais e me interessado muito mais por literatura. Percebo que o mesmo acontece com milhares de crianças, jovens e adultos que vêm descobrindo o prazer de um bom livro todos os dias.

Uma dica? O melhor de Machado de Assis não está nos romances, está nos seus contos, em especial, destaco três que compõe Papéis Avulsos: O Alienista, D. Benedita e A Sereníssima República. Um melhor que o outro! Três histórias originais e diferentes uma das outras! Claro que isso é uma questão de gosto, de preferência, portanto, eleja os seus.

Por mais livros abarrotando as estantes das casas para que, assim, quem sabe, daqui há algumas décadas, novos Machados, Clarices, Gracilianos, Drummonds e Guimarães Rosas nos transformem com suas obras! Por mais literatura, por mais conhecimento!

E você? Que pensa de Machado de Assis? De sua obra? Da literatura brasileira?


Comentários

  1. Machado de Assim é avaliado pela forma como escreve e suas criações literárias. Claro é que existem vários outros que merecem total respeito. NO entanto, cada um é respeitado dentro de sua época.

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