De Uma Breve Vida Breve em Edvard Hespanhol (PARTE FINAL). - ROBERTO CAMILOTTI... blog de literatura.

15 de setembro de 2017

De Uma Breve Vida Breve em Edvard Hespanhol (PARTE FINAL).

galpão velho em preto e branco

Amigos, hoje trago para vocês a quarta e última parte do conto em questão! Os contos foram publicados na Amazon. Você pode comprar o eBook ($4,50), clicando AQUI, ou o livro impresso (USD15,50), que você compra acessando AQUI. 
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De Uma Breve Vida Breve em Edvard Hespanhol


Chegara o momento esperado. Nos locomovemos do galpão abandonado até o palácio em um comboio de vinte carros, trinta motos e cinco caminhões, comboio que apelidamos de “Caravana de Assalto”. Quanta ingenuidade! A resposta do governo seria ainda mais furiosa. Antes disso porém, ainda no galpão, o meu celular tocou. Era mamãe, emocionada, que foi logo adiantando que tinha uma maravilhosa notícia para me dar. Com a voz trêmula, disse que estava grávida de papai. Ouvindo-a sem saber o que dizer, perguntei se a criança era menino ou menina e mamãe respondeu que ainda era cedo para que pudesse saber o sexo, que só tinha pouco mais de dois meses que estava grávida. Sem demora, Rafaelo veio até onde eu estava e sinalizou que partiríamos para o palácio.


“Parabéns, mãe. Te amo.” - prometi que teria muito orgulho de mim quando voltássemos a nos ver.


“Nós também te amamos, Edvard.” - mamãe respondeu.


Desliguei o celular.


Era vinte de abril. Havendo completado quase uma semana que estava desparecido e mesmo apreensiva com uma desordem política desencadeada pela nossa tentativa frustrada de derrubar o regime de Jupecê, considerou até então meu desaparecimento estranho, mas normal, nada que merecesse enorme preocupação. Pela manhã, mamãe fora consultar-se com seu obstetra que a examinou, garantindo que tudo corria bem com a saúde do bebê.


“É um menino, doutor?”


“A senhora quer ter um menino?”


“Áries ficaria muito feliz se fosse.”


“Ótimo, é um menino!” - o obstetra confirmou.


Ao voltar para casa, deparou-se com a porta entreaberta. Pensou que fora eu quem a deixara assim ao entrar em casa, no entanto, não me encontrou no quarto ou em outro cômodo do apartamento. Acabou por concluir equivocadamente que ela própria havia se esquecido de fechar a porta ao sair de casa e só foi perceber mais tarde que pessoas estranhas ao nosso convívio haviam estado em casa no momento que saiu para se consultar.

Com pressa, tão logo chegou, colocou a bolsa no sofá e foi direto para a área de serviço, onde pôs um amontoado de roupas sujas para lavar. Seguiu para a cozinha e começou a preparar o almoço. Teve uma má intuição enquanto cozinhava, uma ligeira percepção de que alguma coisa não ia bem. Voltou para a área de serviço no que terminou de cozinhar e retirou uma braçada generosa de roupas limpas de dentro de um cesto para dobrá-las e guardá-las nos dois guarda-roupas que haviam na casa: o meu e o dela.


Por primeiro, dobrou uns pares de camisas e calças e os levou até o meu guarda-roupa. Antes que os guardassem porém, ainda no corredor que dava para o meu quarto, olhou para baixo e viu uma gota de sangue ainda úmida, caída no assoalho branco, e quase deixou as roupas caírem no chão de tão assustada que ficou. Passou os olhos no próprio corpo para saber se havia se cortado em algum lugar e viu que o sangue não era seu. Mesmo preocupada de que eu pudesse haver estado na casa e me ferido de alguma forma que não sabia qual, mamãe ignorou a gota de sangue com a prudente desculpa de que não fazia bem a uma gestante o nervosismo.


Foi dobrar então a outra parte das roupas limpas que retirou do cesto para que pudesse guardá-las no seu guarda-roupa, um guarda-roupa cujas portas e gavetas eram brancas, o restante de madeira envelhecida escura e os pegadores de metal bronzeado. Mamãe entrou no quarto e se deparou com uma mariposa preta pousada na cabeceira da cama. Cansada, espantou a mariposa pela janela e se sentou na cama com as roupas dobradas sobre as pernas. Não havia razão aparente para que, de repente, estivesse tão tensa e preocupada como estava naqueles instantes, descobriria o porquê imediatamente depois. Passado um minuto, se levantou da cama, apoiou nos braços as roupas que dobrou e abriu finalmente a porta do meio do guarda-roupa.


“Edvard!” - gritou.

Viu minha cabeça desfigurada, cuidadosamente posicionada bem no meio de duas pilhas de roupas.


FIM

4 comentários:

  1. Oi!!
    Parabéns 😀 você escreve muito bem, eu vou na Amazon ler o conto completo....
    Bjo

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  2. Olá, tudo bem? Que legal, gostei muito desta parte do conto e fiquei curiosa para ler as outras, irei procurar!

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  3. Que legal, fiquei curiosa para o restante da história!

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  4. Olá!
    lendo essa última parte, fiquei curiosa para ler as outras, irei dar uma lida, pois sua escrita me deixou bem envolvida e intrigada, parabéns e sucesso!

    beijos

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