POESIA: Cego, Surdo, e Mudo. - Roberto Camilotti, blog de literatura

30 de julho de 2018

POESIA: Cego, Surdo, e Mudo.

poesias sobre a cegueira, poesias sobre a incompreensão do mundo

(Uma pequena homenagem a João Cabral de Melo Neto)

Cego, surdo e mudo:
ainda assim compreendo tudo.
Ligeiramente estúpido, contra todos,
perdoadamente errado, um antitudo;
e assim assimilando raízes parcas,
tateando intelectos cacundos.
E nos mesmos olhos de hoje, parcos,
raso pelo que tenho nas profundezas, sou a praia,
afundado em razões sem assunto, sinto-me profundo.

Cego, surdo e mudo:
insistindo com as insistências,
preterido de minhas próprias preferências;
o que tudo vê e o que nada enxerga.

Cego, surdo e mudo:
ora um Severino de João Cabral,
o daquele mesmo poeta;
ora um de Melo Neto,
um nordestino, o centrista,
o mocinho e o marginal,
o que briga e não faz por onde,
um assujeitado, um vagamundo.

Um comentário:

  1. Leonardo Spagiani Paduan2 de agosto de 2018 07:42

    Excelente poesia. Bela homenagem ao poeta João Cabral de Melo. Parabéns!

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